Desigualdades Acentuadas

ALGUNS EXEMLOS DAS DISPARARIDADES MUNDIAIS

 

Desde 1960, o produto bruto mundial duplicou, mas à distância entre os países ricos e pobres triplicou. E a relação de renda dos 20% mais ricos do mundo e os 20% mais pobres, que era de 1 para 30 em 1960, passou a 1 para 74, em 1997.

Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com menos de US$ 1 por dia.

Cerca de 1 bilhão de pessoas não têm acesso a medicamentos, vacinas ou terapias. Enquanto a expectativa de vida de uma australiana é de 80 anos, a de um somaliano não chega a 45.

Em 20 anos, a Aids já matou 22 milhões de pessoas, a maior parte na África. Calcula-se que em 10 anos, em razão da doença, a expectativa de vida no continente africano cairá dos atuais 59 anos para apenas 45. Mesmo sendo necessária a adoção de medidas urgentes para combater o mal, os laboratórios farmacêuticos dos países ricos rejeitam a possibilidade de abrir mão de patentes, forçando as nações pobres a gastos absurdos com medicamentos. Este ano, a justiça Sul-Africana decretou unilateralmente o direito de o país ignorar as patentes para a produção de remédios. O Brasil, onde o número de mortos pela AIDS chega a 150 mil pessoas, apoiou a decisão, e foi processado pelos EUA..  

Todos os anos, 2 milhões de pessoas do terceiro mundo morrem de tuberculose, e 8 milhões são infectados. A maior incidência de casos é na África Subsaariana (1,5 milhão de casos). Medidas preventivas relativamente simples seriam suficientes para reduzir a incidência da doença.

Mulheres dos  paises mais pobres da América latina, áfrica e caribe correm um risco 30 vezes maior de morrer devido a complicações do parto do que as mulheres de países industrializados.

Cerca de 210 milhões de crianças nos países em desenvolvimento estão subnutridas.

Os Estados Unidos são os maiores poluidores do planeta e, ao mesmo tempo, a nação que mais tem colocado empecilhos à ratificação do protocolo de kyoto, que visa reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera. Possuem 100 milhões de veículos(1 para cada 1,7 habitantes) e consomem 25 % do petróleo mundial, embora tenham apenas 4,5 % da população global.

A quantidade de energia per capita consumida pelos EUA é de 9,73 TEP (tonelada equivalente de petróleo / ano).Os 48 países mais pobres, juntos, consomem 0,38 TEP.

Um habitante de Madagascar consome em média 5 litros de água por dia. A média de um norte-americano é de 600 litros. Especialista apontam a disputa por água potável(menos de 1% da água do planeta) como uma das causas para futuras guerras no mundo.

Em 1997, os EUA gastaram US$265 bilhões em  armamento. A ONU estima que US$2,3 bilhões anuais seriam suficientes para evitar a  expansão da epidemia de Aids na África.

As transações internacionais envolvendo compra e venda de materiais bélicos chegaram a US$39,9 bilhões em 1996, de acordo com o instituto internacional para estudos estratégicos. EUA, Grã-bretanha e França são os maiores exportadores; o Oriente Médio é o maior importador.

Os EUA são os maiores produtores mundiais de minas terrestres. Angola, a 26 anos em guerra civil, é o país com maior número de amputados por ano no mundo, em razão das minas espalhadas em seu território.

Os recentes ataques terroristas nos EUA, representam algo muito novo nas relações mundiais, não pela escala e caráter  dos ataques, mais por causa do alvo. Para os EUA, esta é a primeira vez em sua história que o território nacional é efetivamente atacado, durante sua trajetória de existência como país rico, os EUA exterminaram a população indígena, conquistaram sanguinariamente metade do México, conquistaram o Havaí e as Filipinas (matando milhares de Filipinos) Atacaram o Vietnam, atacaram o Iraque para defender o Kuait a hoje controlam todos os poços de petróleo daquele país, e mostraram sua força em grande parte do mundo. O número de vítimas da arrogância americana é colossal.   

O mundo está diante de uma escolha brutal: “Se juntar aos EUA ou enfrentar uma perspectiva certa de morte e destruição. As razões que motivaram os atentados contra o Word Trade Center e o Pentágono, foram alimentados pelo ressentimento provocado pela política americana de suporte à ocupação militar dos territórios palestinos e de apoio a outros regimes do oriente médio e da região do Golfo Pérsico.

Os Americanos e muitos ocidentais preferem uma história mais confortante. Para muitos, os terroristas agiram por “inveja aos valores ocidentais como liberdade, tolerância, prosperidade, pluralismo religioso e sufrágio universal”. Este é um cenário conveniente.

Para podermos analisar o significado dos atentados terroristas de 11 de setembro é preciso primeiro identificar os responsáveis por estes crimes. Se presume que estes terroristas tenham origem no Oriente Médio, e acredita-se que estejam relacionados a rede comandada por Osama Bin Laden. Milionário Saudita, ele se tornou um líder islâmico na guerra que expulsou os Russos do Afeganistão.

Ele foi um dos fundamentalistas recrutados, armados e financiados pela CIA (Agencia de Inteligência dos EUA) para causar maior mal possível aos Russos.

            Bin Laden se opõe aos regimes corruptos e repressivos da região, considerado por ele “não-islâmicos”, inclusive o regime Saudita, o mais fundamentalista dos islâmicos no mundo for o Talibã.

            Bin Laden despreza os americanos pelo apoio a estes regimes. E, como outros na região, ele se escandaliza pelo histórico apoio americano à brutal ocupação militar israelense.

            Para a rede de Bin Laden, este é um conflito religioso, mas ainda assim, tem um sentido específico: eles querem expulsar os estrangeiros das regiões muçulmanas, e defender os islâmicos que eles consideram estar sub ataque: na Chechenia, na Bósnia, no oeste de China e nas Filipinas. Já os EUA querem desesperadamente ficar fora de uma guerra religiosa. Se isso acontecer, o país enfrentará sérios problemas. Será então uma guerra contra o mundo muçulmana, o que significa, em particular, uma guerra contra o principal fornecedor de energia do mundo.

            O terrorismo não é um produto de ressentimento. Certamente os latino-americanos devem saber disso. A América Latina tem sido um dos principais alvos do terrorismo americano e do terrorismo dos Estados assassinos que os Estados Unidos financiam. Não podemos cair em uma armadilha e restringir a palavra terrorismo a atos terroristas cometidos por inimigos do poder.