Cadê a nossa
cultura?
Em 1500 Pedro Álvares Cabral,
desviado por uma tormenta no mar, muda de rota e descobre o Brasil. Aqui
encontra uns habitantes feinhos, seminus e ignorantes. Pedro Álvares e o povo
europeu se dedicam, então, a ensinar as boas e corretas maneiras para esses
seres, os índios. Certo? Completamente errado.
Mas é isso o que a História
Tradicional nos conta. Na realidade, os índios já possuíam uma cultura própria,
e riquíssima aliás. Eles viviam numa espécie de comunismo, haja visto que,
exceto os objetos pessoais, tudo era coletivo, pertencia a todos. Não existiam
cercas, cadeados, imposto de renda, diferenças entre classes sociais. Pais não
batiam em filhos, idosos não eram menosprezados e crianças não passavam fome.
Hoje sentimo-nos civilizados ao, em dias quentes, andar de terno e gravata ou
vestido longo em pleno clima equatorial. Que patético.
Os índios vestem-se apenas
com alguns adornos. Mas não estão na moda. A nossa cultura verídica é aquela
dos índios. A européia, que foi imposta através da carnificina de milhões de
nativos, não condiz com a nossa realidade. Os índios tiveram sua língua, sua
roupa, seus princípios e valores substituídos pelos europeus. Segundo os
jesuítas, até seus deuses deveriam ser outros. E ainda têm a petulância de
dizer que trouxeram a civilização para cá. O que aconteceu aqui no Brasil há
pouco menos de 500 anos ainda acontece e aconteceu durante esses séculos.
Porém, agora não usa- se mais exclusivamente a força física para se impor.
Nossos dominadores culturais e ideológicos fazem uso da subliminaridade e dos
meios de comunicação em massa para nos ter em suas mãos.
Somos vazios de lembranças,
carentes de passado e aculturados. Estamos tão impregnados pelo modo de ser
alienígena que nem notamos isso. Mas é só observar nossas roupas, veículos, os
escritos em nossas camisetas e bonés. Somos bombardeados com
"enlatados" norte-americanos que desviam nossa atenção do campo das
discussões políticas, decisivas para nossas vidas e das quais temos o direito
de participar, para situações irreais de filmes e seriados, programas
educacionalmente medíocres onde nos imbutem o "modo (consumista) americano
de ser".
Assim, perdemos nossas
raízes e identidade. Somos coisificados e nos transformamos em bem- comportados
consumidores das multinacionais. Ignoramos nossa capacidade e desprezamos a
produção brasileira como se fosse inferior. Dessa forma perpetuamos nossa
condição de colônia dependente econômica e culturalmente. E o mais interessante
é que nós, o povo brasileiro, mal remunerados e vivendo na pobreza, valorizamos
os EUA e o capitalismo que só nos têm sugado o direito de uma vida digna. É
chegado o momento de nos libertarmos das amarras imperialistas, resgatar o
nosso passado e cultura e construir um Brasil forte, justo e, acima de tudo,
brasileiro.
História