Deuses Egípcios

  

Deuses

O Início

Como em todas as civilizações antigas, a cosmogonia ocupa a primeira parte dos textos sagrados egípcios, tentando explicar com a fantasia e o relato milagroso tudo quanto se escapa do reduzido âmbito do conhecimento humano. Para os egípcios, como para o resto das grandes religiões, a criação do Universo faz-se de um único ato da vontade suprema, a partir do nada, da escuridão, do caos original. O seu criador chama-se Áton (Num ou Atum) e era o espírito primigênio, um indefinido ser. Num foi o berço espiritual, das primeira força em que iam tomando forma os novos espíritos, os dois primeiros filhos divinos nasceram com corpos de humanos e cabeças de leão. Tefnut, passional e emotiva tornou-se a deusa das águas que caem na terra, da humidade. Shu, o prático, a mente, o deus do ar. Mas tamJuntos ficavam na areia sentados sob os tornozelos como esfinges de olhos dourados, fitando direções opostas com as caudas entrelaçadas guardando as entradas para o mundo.

Também Shu e Tefnut vão continuar a obra iniciada por Áton, criando da sua união, outros dois novos filhos. A filha, de nome Nut, era a aurora e o anoitecer, o céu. O filho, Geb, era a força vital e passional da Terra. Eles eram um par de amantes divinos; toda emoção sentida por Geb era também sentida por Nut. Os dois deitavam-se juntos como se fossem um só, num abraço tão longo quanto a eternidade.
Um par de filhos foram os frutos dessa união celestial; o primeiro nasceu na aurora e recebeu o nome de Rá, a criança dourada, o nobre Sol. A segunda nasceu no anoitecer e recebeu o nome de Toth, o deus escriba, a Lua. As duas crianças progetavam luzes sobre os seus pais, que finalmente puderam ver os seus corpos, que antes só haviam tocado e sentido. Logo Nut estaria novamente grávida.
À medida que crescia a barriga da mãe céu, crescia igualmente o ciúme e a irritação do primogênito Rá, que, confiando na força de seu avô Shu, pediu ao deus do ar que erguesse Nut, afastando-a cada vez mais de seu amado irmão Geb, podendo vê-lo mas incapaz de tocá-lo, exceto nas bordas do horizonte, onde os dedos das mãos e dos pés roçavam a Terra.

A CRIAÇÃO DA HUMANIDADE (REMIT)

Rá, que havia criado o dia e a noite, a duraçãos dos meses e do ano egípcio decreta, então, que ele poderia criar de si mesmo, seus filhos e filhas, qual chamaria de Remit (humanidade), e povoaria toda a Terra com eles, e mais ninguém, além da Remit, nasceria em qualquer dia ou noite do seu ano.
Os filhos de Rá eram como sementes que caem no chão, e assim como as sementes podiam ser boas ou más. Levadas pelo vento até os confins do mundo, criaram raízes, prosperaram e cresceram como ervas silvestres. Não podiam ser contidas.
Enquanto isso anos, séculos ou até milênios se passaram. E impossível dizer quanto tempo os irmãos e irmãs de Rá, permaneceram, em gestação, no ventre escuro da Mãe-Céu Nut. Lá estava Osíris, deus da fecundidade, a divindade que representa e sustenta a continuidade da natureza; ele é quem faz nascer a semente, quem a amadurece e quem agosta os campos; Osiris é o princípio da própria vida. Lá estava Ísis a irmã e esposa de Osíris. Ísis reinará em igualdade sobre o extenso domínio do Nilo, em perfeita harmonia com o seu irmão, formando o casal positivo do binômio. Se Osíris se encarrega de proporcionar a vida aos humanos, Ísis está sempre à frente, após a invenção de todas as artes necessárias para desenvolver a vida, desde a moagem do grão até às complexas regras e leis da vida familiar. Lá estava Neftis, a segunda irmã e a mais pequena de todos, não podia ter a sorte de Ísis, a sorte de ser esposa do bom e belo Osiris; por isso Neftis ficou à margem da felicidade; também por isso era a representação do resto do país útil, a deusa das terras menos felizes, as terras secas junto dos campos de cultivo. Lá estava Seth, o segundo homem e o terceiro dos filhos, é a criatura que pressagiou o seu destino ao nascer prematuramente, dado que abriu o ventre da sua mãe Nut, fazendo-a sofrer cruelmente; Set é o deus da maldade, o espírito negativo e o representante do deserto sem vida, a personificação da morte.

O NASCIMENTO DOS DEUSES

Em algum lugar do Céu ou da Terra, a sutil Lua, Toth, jogou infindáveis partidas de damas com arrogante irmão Rá, o Sol, deixando ganhar a maioria dos jogos, porem Toth era um jogador habilidoso e durante um certo tempo apostou e ganhou cinco dias da luminosidade do Sol. O deus Lua recolheu os seus ganhos.
Então os quatro deuses e deusas gerados pela Mãe Céu reuniram-se tirando a sorte para ver quem deveria nascer primeiro. Osíris concordou em sair primeiro e fazer as pazes com Rá, que havia impedido-os de nascer, juntando forças com o Sol para reavivar a Terra e devolver ao Nilo sua abundância. Mas Seth queria nascer primeiro e lutar contra Rá.
Nasceu então Osíris, o primeiro deus-homem. Sua força era silenciosa; o saber sutil. Por onde ele passava, as rochas secas se fendiam e a água fluia pelo chão.
Então, deformado pela ira, Seth rompeu a barriga de sua mãe, Nut, e caiu no chão. Tinha a cabeça de asno e seu nobre coração endureceu como um bloco de ferro. No dia do nascimento de Seth, Rá enviou um vendaval, um torverlinho cheio de fúria e arreia. Seth transformou-se numa áspide e, coleando, entrou pela greta de alguma rocha do deserto, esperando a tempestade passar.
No terceiro dia, cessou o vendaval e então Ísis atravessou o portal do tempo, deixando Néftis sozinha na escuridão esperando pelo seu parto.
No quarto dia, a deusa Néftis nasceu cercada de uma curtina de mistério. Dizem que na noite de seu nascimento os lobos uivaram e as rãs, engolindo o ar, saltaram das profundeças do rio e se diziam que a deusa trazia às Terras do Egito, consigo, a verdade, mas a verdade só podia ser vislumbrada em sonhos.
A partir desses modelos de deuses-homens e deusas-mulheres, foi feito o mundo. E os deuses chamaram essa Terra de Kemit.

Amón

Acreditava-se que Amón estava presente em todas as coisas, podendo assumir diversas formas. Unindo-se a Rá, o deus passou a ocupar uma posição de destaque após a fundação da XII Dinastia pelo Faraó Amenemhet I, que tornou o Egito novamente um reino poderoso e unido.

A primeira referência conhecida ao deus aparece na pirâmide do famoso Rei Unas da V Dinastia, onde tanto ele quanto a sua esposa Amaunet são incluídos no rol dos deuses primevos associados com Nut - "Os pais e mães" que estavam "nas profundezas".

Amón era primitivamente um deus estritamente local, cujo culto foi absorvido pelos egípcios, e que passou por tantos estágios e desenvolvimentos que é impossível apreender o conceito tribal original, que provavelmente era vago e rudimentar.

Os egípcios interpretavam seu nome como "Aquele que Esconde a Si Mesmo", pois ele escondia sua "alma" e seu "nome", sendo ele a força efetiva invisível no vento. Amón pode ter sido um deus do Mundo Subterrâneo, pois está ligado a Osíris como divindade lunar. Em seu caráter como Amón-Rá ele chegou a tomar o lugar deste deus como o juiz dos mortos.

Durante o Novo Reinado, os sacerdotes de Tebas atingiram as alturas da eloqüência em hinos dedicados ao deus Amón que exaltavam sua grandeza como o criador. Esses hinos, particularmente as estrofes do papiro Leiden 1350, objetivavam demonstrar que todos os elementos do universo físico eram manifestações de um protagonista solitário. Há uma confluência de todas as noções de criação para a personalidade de Amon, uma sintése que enfatiza como o deus transcende todas as outras divindades em ser "Mais Além do Céu e Mais Profundo que o Mundo Subterrâneo". De tempos em tempos os sacerdotes-poetas egípcios tentavam interpretar a inexplicabilidade de Amon. Seu mistério é contido em seu nome - devido à sua essência imperceptível, ele não podia ser chamado por nenhum nome. Sua identidade era tão secreta que nenhum outro deus conhecia seu nome verdadeiro.

Amón era representado em várias formas:
Como um macaco; como um leão descansando com a cabeça ereta; como um homem com cabeça de sapo acompanhado por Ament, sua esposa com cabeça de serpente; como um homem com cabeça de serpente, enquanto sua consorte tem cabeça de gato; como um homem com o cetro real em uma mão e o símbolo da vida (ankh) na outra; como um homem com cabeça de carneiro.

Amón, o deus carneiro, era o oráculo mais famoso do Egito, tendo alcançado grande renome. Guerreiros o consultavam para saberem o resultado de batalhas, malfeitores eram denunciados pelo deus, e até mesmo assuntos de estado eram decididos sob seu auspício. Dizia-se que o deus respondia às perguntas balançando a cabeça, e muitas vezes escolhia pessoas apontando com seu braço.

Amón foi associado a diversos deuses, como indicam suas variadas formas animais. A cabeça de carneiro evidentemente deriva do deus Min, e é possível que a cabeça de sapo seja derivada de Hekt. Seu culto também apropriou-se do deus da guerra Mentu, que era representado como touro. Mentu, contudo, continuou tendo uma vida independente, devido à sua fusão com Hórus.

A manifestação do deus como cobra era denominada Kem-atef "Aquele que completou o seu tempo"

Amón foi associado ao grande deus sol durante a XI Dinastia, e como Amón-Rá ele finalmente foi elevado à posição suprema como deus nacional do estado, enquanto seu culto se tornou o mais poderoso do Egito.

Amón é sinônimo do crescimento de Tebas como capital religiosa, mas foi nos cinco séculos do Novo Reinado que Amon se tornou o deus mais importante do panteão egípcio (exceto por um eclipse de duas décadas, na qual o disco solar Aton do Faraó Akenaton se tornou a maior divindade). Amón, como o governante universal com seu título de "Senhor dos Tronos das Duas Terras" e "Rei dos Deuses", teve templos tão majestosos erguidos em sua honra que os rumores do esplendor de Tebas se espalhou por além das fronteiras do Egito, no mundo do compositor do épico grego, como no comentário de Aquiles sobre Agamemnon:

"Eu odeio seus presentes. Nem que ele me desse dez vezes igual, e vinte vezes mais do que possui agora, nem que mais venha para ele de outro lugar... tudo o que é trazido à Tebas do Egito, onde as grandes possessões são guardadas nas casas, Tebas dos cem portões, onde através de suas portas duzentos homens guereiros vieram para lutar com cavalos e carruagens..."
Homero , Ilíada.

Amón era o deus "que deu origem a si mesmo" gerando-se antes de toda e qualquer matéria. Os intelectuais de Tebas devem ter lutado duramente para resolver este mistério. Sem muitos detalhes específicos sobre esse misterioso evento, a atmosfera da ocasião é evocada pela imagem do seu fluido se tornando unido ao seu corpo para formar um ovo cósmico. Após emergir, Amom formou a matéria primordial, o elemento do Ogdoad(1) do qual ele próprio é parte. Desta forma ele se torna "O primeiro que dá origem aos primeiros". Mas o universo estava escuro, silencioso e sem movimento. Aparentemente Amon foi o surto criativo de energia, que provocou o Ogdoad à ação. Em outras palavras, ele foi a brisa estimulante sobre o oceano primevo, mexendo-se em um vortex do qual o monte primordial iria emergir. Esta é uma sugestão tentadora, e o a noção de vento encontra ressonância na invisibilidade de Amón.

O hino de Leiden dá uma outra versão, um tanto divertida, de Amon iniciando a atividade de criação. O cenário é o silêncio mortal do cosmo, através do qual ecoa a voz do "Grande Buzinador", que, sem nenhuma surpresa, "abre todos os olhos", causando comoção no cosmos. Amon tem a forma do ganso primevo colocando a criação em movimento com seu guincho agudo.***

A esposa de Amón era Mut, cujo nome significa "A Mãe", e ela devia se identificar com Apet. Ela era a "Rainha dos Deuses" e "Senhora do Céu". Como Nut, Isis, Neith e outras, ela era a "Grande Mãe" que deu origem a tudo o que existe. Ela era representada como uma leoa. A leoa como a gata, simbolizava a maternidade. Mut porta a dupla coroa do Egito, indicando que ela absorveu todas as demais "Grandes Mães" do Egito. Foi para Mut que Amenhotep III, o pai de Akenaton erigiu o magnífico templo de Karnak, com suas grandes avenidas de esfinges com cabeça de carneiro.

O deus-lua Khonsu era considerado em Tebas como o filho de Amon e Mut, e em Hermópolis e Edfu ele era associado com Thot. No Hino de Unas, Khonsu foi enviado por Orion para matar a alma de deuses e homens, mito que explica porque as estrelas desaparecem perante a lua. Seu nome significa "O Viajante".

Anúbis

A representação de Anúbis em forma de homem com cabeça de chacal - embora às vezes aparecesse só como chacal e cão - é uma das mais perturbadoras da arte egípcia.
Enquanto fosse originalmente uma divindade local, Anúbis se converteu mais tarde no deus do além-túmulo da religião egípcia. Era o encarregado dos ritos funerários - tais como o embalsamamento dos cadáveres - e de conduzir as almas à presença de Osíris. Este, no fim do Império Antigo, substituiu Anúbis como deus dos mortos. Segundo a mitologia, Anúbis era fruto da união ilegítima de Néftis, mulher de Seth, com Osíris, embora alguns autores afirmem que era irmão deste último. Sua missão de mostrar a trilha que levaria os mortos até o além lhe valeu o apelido de "guia dos mortos".
Mesmo tendo perdido para Osíris o lugar de deus do mundo do além-túmulo, Anúbis não desapareceu do panteão egípcio. Ao contrário, sua imagem perdurou através dos séculos. Depois da conquista do Egito por Alexandre o Grande, integrou-se à religião grega, nos mistérios e cultos herméticos, de marcado caráter oriental, que através do mundo greco-romano exerceriam duradoura influência no esoterismo europeu.

Anúkis

Anúkis (nome grego da deusa Anuket) é uma antiga deusa, segunda mulher de Khnum, com quem formou uma tríade divina. Deusa de origens provavelmente núbias, personificava as benéficas águas do Nilo.
É representada com forma humana usando coroa branca ladeada de dois chifres de gazela. Seu santuário principal localiza-se em Elefantina, uma ilha próxima à Assuão. A gazela é seu animal sagrado. Mais tarde tornou-se conhecida como "A Soberana da Namibia".

Bastet

A deusa gato egípcia, Bastet era estritamente uma divindade solar, simbolizando o calor benéfico do sol, até a chegada da influência grega na sociedade egípcia, quando se transformou em uma deusa lunar devido aos gregos que a associavam com Artemis.
Bastet foi adotada no mito de Osíris-Ísis como sua filha porque os gregos igualaram-na com Diana e Artemis e a Hórus com Apollo, (esta associação, entretanto, nunca foi feita precedente à chegada da influência helenistica no Egito). É considerada mãe do deus leão Mihos (que foi adorado também em Bubastis, junto com Thot).
Datada da 2º dinastia (aproximadamente 2890-2686 a.C.), Bastet representada originalmente como um gato selvagem do deserto ou como uma leoa, somente tornou-se associada com felinos domesticados por volta do ano 1000 a.C. Foi comparada geralmente com o Sekhmet, deusa leão de Mênfis, Wadjit e Háthor.
Bastet era a " filha de Rá ", uma designação que a colocava na mesma categoria de deusas como Maat e Tefenet. Inclusive, Bastet era considerada como um dos " olhos do Rá ", o título do deus da vingança que é enviado para devastar os inimigos do Egito e de seus deuses.
O culto de Bastet foi centrado em Bubastis (situado na região do delta) ao menos durante a 4º dinastia. Bubastis foi feita famosa pelo viajante Heródoto no século IV a.C., quando descreveu em seus anais um dos festivais periódicos que ocorriam em honra à Bastet, distinguidos pelas danças, o vinho e as orgias além das mumificações e sepultamentos com honras divinas dos gatos consagrados à deusa.

 

Bés

Divindade de origens inseguras. Governava o sono e as iniciações místicas. Sua figura apesar de ser horrorosa, adornava muitos leitos, objetos de uso feminino e amuletos.
Bés era um deus agressivo, mas ao mesmo tempo alegre, como demonstram algumas imagens em que o deus aparece representado enquanto toca um instrumento musical de sopro. Originalmente era o deus protetor da realeza do Egito, mas tornou-se gradualmente em deus popular nas casas em todo Egito, especialmente entre as massas dos povos comuns. É um deus de prazeres e da alegria, da música e da dança. Era o protetor das crianças e das mulheres no trabalho, e ajudava à deusa Taweret no parto. Ao contrário da maioria dos outros deuses egípcios, Bés era descrito de com rosto enorme, tipo máscara (freqüentemente nu, com genitália proeminente). Foi mostrado como um anão, com a língua se projetando, pés e orelhas curvados , muitas vezes com coroas de penas e juba e cauda de um leão ou de um gato.

Hathor

Hathor é uma das deusas mais veneradas do Egito, é a deusa das mulheres, dos céus e da necrópole de Tebas. Ela também era venerada pois trazia a felicidade e era chamada de "dama da embriaguez" e muito celebrada em festas.
É representada como uma mulher com chifres de vaca e um disco solar sobre sua cabeça, ela também pode ser representada com a forma de vaca ou simplesmente com a cara de uma vaca.

Hórus

Hórus era o deus do céu, representava as forças da ordem triunfando contra a desordem. Filho de Osíris e Ísis lutou contra Seth, o deus da desordem, e ao se levantar triunfante ganhou o direito de governar o trono egípcio.
Sua manifestação na Terra é na forma dos faraós, é daí que parte o estado divino em que os faraós se apoiavam para governar as terras do Egito Antigo.
Sua representação divina era de um homem com cabeça falcão, ou então apenas um falcão, sendo ele o deus mais importante do panteão egípcio

 

Imhotep

A Pirâmide de Degraus de Netjerykhet Djoser foi construída pouco depois de 2630 a.C. Foi a primeira pirâmide da história do Egito e a mais antiga estrutura de tais dimensões no mundo. O desenho da pirâmide de degraus foi tradicionalmente atribuído a Imuthes (Imhotep em egípcio), descrito por Manetho, uns 2400 anos mais tarde, como o " inventor da arte de construir em pedra talhada". Durante a escavação do complexo da entrada da Pirâmide de Degraus, em 1925-1926, o nome de Imhotep foi, de fato, encontrado inscrito no pedestal de uma estátua de Netjerykhet.
A época de Djoser foi vista mais tarde como uma idade de ouro do empreendimento e do saber. O nome de Imhotep, provável arquiteto da Pirâmide de Degraus - tinha o título de mestre escultor, entre outros - , veio a ser particularmente venerado e era, no período greco-romano, uma divindade popular, associada especialmente à cura de doenças. Talvez fosse um herói dos trabalhadores da sua própria época.
Perto da pirâmide sul, de Sesóstris I em el-Lisht, encontra-se o túmulo do sumo-sacerdote Imhotep.
Na mitologia egípcia, Imhotep era o patrono dos escribas, curador, sábio e mágico, e vizir principal (o alto executivo oficial) da 3º dinastia (2635-2570 a.C.). Ele também trabalhou com Thot em escriturários. Considerado como filho de Ptah e de uma mulher, Khreduankh. Os gregos identificaram-no com Asclepius.

Ísis

A deusa mais popular do Egito, Ísis representa a magia e os mistérios de todo Egito.
Foi mulher de Osíris, e quando ele foi destruído, ela partiu pelo Egito em busca dos pedaços de seu amado e o traz de volta a vida com a ajuda de Anúbis para poder gerar seu filho , Hórus. Ela também representa a mãe perfeita em sua dedicação.
É representada como uma mulher que costuma carregar inscrito sobre sua cabeça os hieróglifos referentes ao seu nome.

Khnum

Antigo deus criador cultuado em torno da primeira catarata como guardião das fontes do Nilo que faz com que seja apropriado para a agricultura.
Foi adorado na ilha de Elefantina junto com as divindades locais Anúkis e Satis com as quais formou uma tríade divina, com um culto que se prolongou até épocas tardias. Foi adorado também em Esna, (Latopolis antigo, sul de Luxor) com sua esposa, a deusa Menhit e seu filho Heka (deus da mágica).
Em Esna, um templo dedicado a Khnum pode ainda ser encontrado. Associado ao culto solar de Rá, teve honras sob a forma de Khnum-Rá. Para a lenda, Khnum criou o primeiro homem a partir da argila, moldando-o com uma roda de oleiro.
É representado como um carneiro ou como humano com cabeça de carneiro e cornos horizontais.

Khons

Deus lunar, filho de Ámon e de Mut com quem dá forma a uma tríade em Tebas. Como " o mestre do tempo " é por vezes identificado com o deus Thot. Segundo outros é filho de Hátor e do deus Sobek, com os quais formou uma tríade divina. As imagens o mostram mumificado, com suas mãos saindo das faixas para sustentar a pilastra Ded. Em outras iconografias tem o rosto de criança e a cabeça coroada pela crescente lunar. Deram-lhe os atributos de senhor da alegria e o qualificaram de navegante, fazendo referência a uma viajem mistica que o deus fez através do céu.

Min

Um antigo deus egípcio da fertilidade, e um dos deuses mais populares. É também um deus da criação, da vegetação, e protetor dos viajantes e das caravanas no deserto oriental.
Min era um deus da sexualidade masculina, e no Reino Novo (1567-1085 a.C.) foi honrado nos ritos de coroação dos faraós para assegurar seu vigor sexual e a produção de um herdeiro masculino. Além do seu papel em ritos do coroação, Min foi honrado nos festivais da colheita durante os quais oferecia-se alface e polias de trigo. A alface era um de seus atributos, conhecido como um tipo de afrodisíaco. Foi adorado originalmente em Koptos e em Akhmim, mais tarde seu culto espalhou-se por todo o reino. Min é representado usando gorro com duas plumas e fita, mumiforme e ictifálico, com braço direito levantado segurando um chicote. Originalmente venerado sob a forma de objeto não identificado. É dado às vezes como o filho ou o consorte de Ísis. Os gregos igualaram-no com seu deus Pã e nomearam sua cidade Akhmin de Panópolis

 

Néftis

É irmã de Ísis, e mulher de Seth. Néftis é uma deusa guardiã e ajudou Ísis a colher os pedaços de Osíris quando Seth o destruiu.
Também ajudou Ísis a trazer Osíris de volta a vida.
Da mesma forma que Ísis, ela é representada como uma mulher que traz em sua cabeça hieróglifos inscritos com o seu nome.

Neith

Neith é a deusa mais antiga citada pelos textos egípcios, o que pode significar que ela foi protetora do Baixo Egito antes da unificação do país.
Neith é a deusa da guerra e da caça, muitas vezes relacionada em companhia da divindade guardiã Sobek (representado com a forma de um homem e cabeça de crocodilo).
Neith é representada com a forma de uma mulher usando uma coroa vermelha (do Baixo Egito) e duas setas cruzadas e um escudo na cabeça (que também podem ser empunhados em suas mãos).

Osíris

No antigo Egito, o faraó, durante seu reinado, era identificado com o deus Hórus e, ao morrer, se convertia em Osíris.
Osíris, senhor dos mortos, é um dos deuses mais importantes do antigo politeísmo egípcio. Simbolizava o poder criativo da natureza, desde o renascer da vegetação até as cheias anuais do Nilo. Divindade originária de Busíris, localidade no delta do Nilo, Osíris talvez fosse um deus da fertilidade ou simplesmente um herói deificado. Por volta de 2400 a.C., o deus desempenhava um duplo papel : além de ligado aos ciclos da fertilidade, era também a personificação do rei morto. Essa segunda função constituía a base religiosa do poder do monarca.
Segundo a versão mais consagrada do mito, Osíris, casado com Ísis, gozava de grande prestígio. Isso despertou a inveja de Seth, encarnação do espírito do mal, que esquartejou o corpo de Osíris em 14 partes e as espalhou por vários lugares. Ísis conseguiu encontrar e enterrar todos os pedaços menos o falo e deu nova vida ao marido, que permaneceu no mundo subterrâneo como governante. Seth foi combatido e derrotado por Hórus, que ocupou o reino de seu pai e se tornou o antecessor dos faraós, o que explica o título Hórus Vivo usado pelos reis egípcios. Sua morte e ressurreição simbolizam a sucessão das estações e permitem aos homens esperar uma nova vida. É representado como uma múmia verde, sendo o verde o signo da fertilidade. Seus braços estão cruzados sobre o peito e tem os signos da soberania : o cetro do rei, o chicote de juiz e o bastão da vida eterna.
Abido, a Abedju do antigo Egito, foi o mais importante cemitério do país no princípio do período dinástico primitivo ( 2920-2575 a.C. ). O templo do deus da necrópole local, Khentamentiu ("o primeiro dos Ocidentais", ou seja soberano dos mortos), foi, durante as primeiras dinastias, um importante centro religioso. Nas 5ª. e 6ª. dinastias o deus passou a ser identificado com Osíris, originário do Baixo Egito, e durante o Império Médio Abido foi o principal centro religioso popular do centro do Egito. Os "mistérios de Osíris", durante os quais se fazia uma reconstituição ritual da morte e ressurreição do deus, atraíam peregrinos de todo o Egito. Muitas pessoas desejavam comungar das cerimônias no outro mundo, com símbolo da comunhão na ressurreição de Osíris, e construíam pequenos cenotáfios de tijolo, (templos funerários secundários dos seus construtores, servindo divindades regulares e o culto do falecido rei como Osíris), e colocavam estelas na zona entre o templo de Osíris e os cemitérios.

Ptah

Ptah é o deus-criador de Mênfis, cidade que serviu de capital na maioria da história do antigo Egito e que é conhecida durante essa historia, como Het-ka-Ptah ou "casa da alma de Ptah". Ptah é um entre diversos deuses egípcios atribuídos à um mito sobre a criação. Como o deus Ta-tenen (o monte primordial), cria na teologia Menfita o mundo, seus habitantes, e o ka (ou espíritos) dos outros deuses. É representado com forma mumificada, a cabeça coberta com um gorro ajustado, o queixo provido da barba do deuses, portando um cetro composto dos símbolos da vida (Ankh), poder (Era), e estabilidade (Djed).
Deus criador, patrono dos artífices é anterior ao sol, foi identificado na antiguidade clássica com Hefaísto e Vulcano. Cria mediante um ato de seu coração (espírito e vontade) e pelo poder de sua palavra, um concebendo e o outro decretando o que quer o primeiro. É o mestre do artesãos, o patrão da metalurgia, da construção e da escultura. Seguidamente é tido como um deus curandeiro, sob a forma de um anão com o crânio achatado, e a forma de um gênio protetor.
Um outro deus de Mênfis, Sokar deus da necrópole , era também um patrão dos artesãos, e parece ter dividido seu trabalho com Ptah: onde Ptah foi associado com o trabalho em pedra, Sokar foi associado com o trabalho em metal. No período tardio, Ptah e Sokar tornar-se-iam sincretizados com Osíris para dar forma à Ptah-Sokar-Osíris, um deus composto que invoca as propriedades exibidas por todos os três: criação, morte, e pós-morte. Em Heliópolis, esta tríade seria conhecida como Ptah-Sokar-Átum, mas aclamada como Osíris.
A esposa de Ptah é geralmente Sekhmet ou, menos geralmente, Bastet. Os deuses atribuídos como suas crianças são Nefertem, Imhotep (o deificado arquiteto do velho reino), e Maahes. Ápis, o touro de Mênfis, foi associado com Ptah como seu oráculo.

Da teologia Menfita:

"Assim é dito de Ptah: 'ele que fêz tudo e criou os deuses.' E é Ta-tenen, de que deram o nascimento aos deuses, e de quem cada coisa veio adiante, alimentos, provisões, oferta divina, todas as coisas boas. Assim reconhece-se e é compreendido que é o mais poderoso dos deuses. Assim Ptah foi satisfeito depois que tinha feito todas as coisas e todas as palavras divinas."

Máxima divindade egípcia, deus solar por excelência, expressão do triplo aspecto do sol. Emerge do oceano primordial e assume o nome de Rá convertendo-se no único deus criador dos deuses, sem o auxílío de outra entidade. Rá era o deus oficial dos faraós egípcios, que se consideravam a um só tempo seus filhos e a própria reencarnação do deus. Inicialmente era apenas uma entre as várias divindades solares do início do antigo império, mas por volta de 2400 a.C. já se convertera no deus dos faraós e representante da justiça. No médio império sua importância foi ofuscada pelo culto a Osíris. Os faraós tebanos da XVIII dinastia, que deram início ao novo império em 1570 a.C., impuseram a todo o Egito o culto a Ámon-Rá, venerado como o "único criador da vida", resultado do sincretismo entre Rá e o deus local Ámon. Assumindo um caráter cósmico de uma era astral pré-disnástica, que baseava sua doutrina sobre as estrelas, Rá se converteu no deus solar, símbolo da religião aristocrática do período mais antigo, em antítese com o culto de Osíris, mais democrático e popular. O deus reinou durante muitos anos sobre o Egito, mas desiludido de seu reino terrestre místico e desgostoso pela traíção daqueles a quem havia beneficiado com sua sabedoria, decidiu abandonar a terra e subir ao céus para castigar o gênero humano. Do céu o deus enviou a terra seu olho divino que, assumindo a aparência da deusa Hátor de aspecto leonino, exterminou grande parte da humanidade ganhando o epíteto de Sekhmet, "a Poderosa". Com a tripla forma de Khepri-Rá-Áton sintetizou os três aspectos do sol: Khepri ao alvorecer, Rá ao meio-dia, Áton ao poente, sínteses que criaram um culto especial em Heliópolis, onde se representa o deus antropomorfo com a cabeça de falcão coroada pelo disco solar, símbolo da luz solar, doadora da vida, e do ciclo de morte e ressurreição. Ao deus se atribuem algumas mulheres, entre elas figuram Rait, contrapartida feminina de seu nome e Uert-Hekeu (Iusas) durante o dia.

Sekhmet

Uma deusa egípcia impetuosa e destrutiva associada com a guerra e a vingança divina, representante do sol em seu aspecto maléfico. Seu nome significa " A poderosa ". O aspecto da deusa é antropomorfo com cabeça de leoa coberta com uma peruca e coroada pelo Disco Solar e Uraeus, na mão esquerda tem o Ankh, símbolo da vida eterna. Foi adorada em Luxor mas seu culto era centrado em Mênfis. Lá foi cultuada como um membro de uma tríade divina com seu marido Ptah e seu filho Nefertem.
De acordo com um conto conhecido como " a destruição da humanidade " Sekhmet era o " olho de Rá ", um aspecto vingativo da deusa Háthor, geralmente benevolente. O deus-sol Rá enviou Sekhmet para punir os mortais que estavam tramando contra ele. Sekhmet ficou tão entusiasmada com sua tarefa que exterminou quase toda a humanidade. Para impedir o massacre, Rá ordenou a preparação de grande quantidade de cerveja, que misturada com certo tipo de grãos vermelhos, se assemelhava a sangue humano. O líquido foi espalhado pelos campos onde a deusa pretendia prosseguir a matança. Sekhmet, convencida de que o líquido era realmente sangue, bebeu até se embriagar. Intoxicada a deusa teve que abandonar a matança e a humanidade foi conservada.
Como deusa da guerra freqüentemente Sekhmet acompanhava o faraó na batalha. O rei na guerra foi descrito como sendo Sekhmet em sua fúria, e a deusa ajudava-lhe disparando setas em seus inimigos. Era também a " senhora da Pestilência " que poderia emitir a praga e a doença. Era reverenciada também como uma curandeira destas doenças, um papel que parece paradoxal em uma deusa tão sangrenta.

Seth

Seth é um deus imprevisível e caótico, por isso representa os elementos do caos e do deserto. Luta com todas as suas forças contra os inimigos do sol e sempre apoia os faraós, mas em seus momentos caóticos nunca se pode Ter certeza de suas ações, com quando em um momentos de ciúmes e fúria ele ataca e destroi seu irmão, Osíris, e depois caça incansavelmente Hórus.
É representado com a cabeça de um animal até hoje não identificado, ou então como o animal em si.

 

Sobek

Deus crocodilo associado em um segundo momento ao culto solar de Rá e considerado como o filho de Neith. Em algumas localidades do Egito se associavam os crocodilos ao demônios e as forças devastadoras do deus Seth, que havia se transformado em crocodilo para escapar ao castigo divino por ter assassinado seu irmão Osíris. Seu culto era difundido, mas o centro de seu culto era o Faiyum (também Kom Ombo e Tebas). Sobek aparece nomeado como espírito benfeitor nos textos das pirâmides e no Livro dos Mortos. É representado com aspecto zoomórfico, mas também antropomórfico com cabeça de crocodilo coroado por um par dos plumas ou por uma combinação do disco solar e do uraeus.

Tefnut

Tefnut é a deusa personificada da umidade na mitologia egípcia. Junto com seu consorte Shu (ar) foi criada por Rá de seu próprio corpo pela masturbação. Mãe de Geb e de Nut. É representada como uma mulher, às vezes com cabeça de leoa, usando na cabeça o disco solar e a serpente Uraeus.

 

Thoth

O patrono dos escribas, deus da medicina e da sabedoria. Secretário do deuses, Thoth é o que possui e domina a palavra eficaz. É a lua cujo completo percurso pelo céu depende de uma ciência de números excepcionais. Thoth divide o tempo, estabelece o calendário, preside a escritura da história, autentica as decisões, legaliza o nome do faraó escrevendo na árvore da história no templo de Heliópolis, estuda os lugares destinados a construção dos templos e assegura sua execução segundo as regras, verifica o equilíbrio da balança no dia do julgamento dos mortos. Thoth é juiz. Escreva as leis, os cálculos, as histórias e o livro da vida. É mestre da língua e da palavra. Conhece os hieróglifos, as palavras que criam as coisas. É chamado "A língua de Ptah", língua que trás o universo para a existência e "O coração de Rá", o pensamento criador.
Thoth é o nome dado pelos gregos ao deus egípcio Djeheuty. É representado mais freqüentemente como um homem com a cabeça de um íbis, segurando uma pena de escrita e paleta, usando uma crescente lunar em sua cabeça. Poderia também ser mostrado completamente como um íbis ou um babuíno. Como com a maioria dos deuses egípcios havia muitas histórias diferentes a respeito da genealogia de Thoth. É considerado filho de Rá. Os mitos a respeito de Thoth mostram-no como uma divindade cujo conselho é sempre procurado. Seu papel mais significativo é durante as batalhas de Hórus e de Seth. Thoth é um torcedor leal de Hórus e de sua mãe Ísis, mantendo que a reivindicação de Hórus ao trono é justa e Seth não tem nenhum direito ao trono do Egito. Em outra parte Thoth é um mediador e um pacificador de confiança. Quando a deusa Tefenet teve uma disputa com seu pai Rá e vagou à Nubia, foi Thoth que o deus-sol enviou para trazê-la de volta à sua casa.Thoth estava também no julgamento dos mortos. Questionava os defuntos antes de gravar o resultado do peso do coração do defunto. Se o resultado fosse favorável Thoth declararia o defunto como um indivíduo justo e digno de um pós-vida feliz.
Algum egiptólogos pensam que os egípcios identificaram a lua crescente com o bico curvado do íbis. Sugere-se também que os egípcios observaram que o babuíno era um animal noturno (isto é lunar) que cumprimenta o sol com ruídos a cada manhã.
Enquanto era o mensageiro dos deuses Thoth foi identificado pelos gregos com seu próprio deus Hermes. O centro da adoração de Thoth é conhecido ainda hoje como Hermopolis.

Tuéris

Uma deusa-hipopótamo egípcia muito popular nos partos. É uma deusa doméstica retratada em camas e descansos. As mulheres grávidas usavam geralmente os amuletos que carregavam a imagem da deusa. Taweret ajuda a mulheres no trabalho e afastava os demônios (daí sua aparência assustadora). Foi encontrada freqüentemente na companhia do deus anão Bés, que teve uma função similar. Foi descrita como uma mulher com cabeça de hipopótamo, seios pendentes, e uma barriga inchada. Às vezes teve também os pés e os braços de um leão, e a cauda de um crocodilo. Essa divindade foi muito reverenciada em todos os períodos da história egípcia e em todos os níveis da sociedade. Supunha-se que as imagens dos deuses tinham poderes sobrenaturais e os egípcios usavam muitos amuletos para se protegerem. Também conhecida como Opet.

 

 

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