Imagine que, um dia, o nosso mundo seja surpreendido
pela visita de seres extraterrenos do planeta Kronk. Esses Kronkianos são
fisicamente igualzinhos a nós, humanos, mas são superavançados em tecnologia
militar.
Os
Kronkianos saltan da nave e lançam um olhar de desprezo pra gente. Bocejam e
depois avisam que acabaram de descobrir um “novo planeta”; o nosso! Ou seja, a
partir de agora, eles se consideram no direito de mandar aqui.
São
desagradáveis. Caçoam da gente e nos tomam por primitivos, próximos dos
macacos. Cobiçam nossas mães e irmãs e ordenam que eles fiquem nuas. Amarram os
homens e os escravizam. Todos nós, sejamos brasileiros, ugandenses, indianos ou
búlgaros, vamos ser obrigados a falar o idioma kronkiano e a venerar os seus
deuses. Nossas cidades são arrasadas, para que eles instalem o que chamam de
“Benfeitorias”. O Oceano Atlântico é transformado num pântano, porque suas
águas foram enviadas para os aquários do imperador Kronk X.
É
um quadro terrível. Acho que todos concordam que deveríamos resistir aos
invasores.
Continuemos
o pesadelo. Passam-se os séculos. Quase todos os humanos foram mortos pelos
ocupantes. Os que sobraram tentam sobreviver na única área permitida a eles: o
deserto do Amazonas.
Nas
escolas Kronkianas, os estudantes aprendem que, um dia, no ano de 1208 d.k
(depois dos Kronkianos) os bravos pioneiros descobriram o planeta azul nº 3.
Foram grandes heróis ao submeter os selvagens humanos. Trouxeram a civilização.
A
TV mostra uma grande descoberta dos cientistas: está totalmente comprovado que
as famílias humanas sempre tiveram o hábito de assar alguns filhos para serem
devorados pelos próprios pais no ritual dos seis deuses. Os Kronkianos ficam
horrorizados, e quando algum kronkiano suja a rua ou rasga as poltronas do
cinema, comentam: “Isso é coisa de Humano!”. Adoram fazer gracinhas do tipo
“quando humano não faz na entrada, faz na saída” ou, então, “humano é
macaquinho”.
Até que descobrem ricas jazidas de
minerais no deserto amazônico. Áreas de reserva humana. Não importa. As grandes
empresas kronkianas se deslocam para lá e não hesitam em agredir os últimos
humanos. Os jornais, contudo, falam que “o progresso chegou á região”.
Amigo
leitor: você é esperto e, portanto, já percebeu que essa historinha, na
verdade, está falando do drama dos povos indígenas.
Os
livros didáticos costumam falar que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil em
1500. (Tal como os Kronkianos...) Teria sido mesmo uma “descoberta”? Ou será
que foi uma invasão?.
Prof. Marcelo
História