Cartas geográficas de navegadores de
várias nacionalidades, escritas desde o início do século XVI, mencionam
pontos que correspondem ao litoral catarinense. O mapa de Juan de la
Cosa, piloto da expedição de Alonso de Ojeda assinala "Sant´Ana", uma
parte que corresponde ao nosso litoral.
Pela sua importância, registra-se a expedição de
João Dias Solis, em 1515, quando um único ponto da costa mereceu ser
assinalado: a baía dos "perdidos", que se refere às águas interiores
entre a Ilha de Santa Catarina e o continente fronteiro (designação dada
em virtude do naufrágio de uma embarcação da mesma esquadra).
A expedição de Sebastião Caboto, italiano a
serviço da Espanha, chega ao litoral catarinense por volta de 1526 e, ao
publicar seus mapas referentes àquela expedição, denominava a Ilha de
Santa Catarina de "porto dos Patos". Mas o nome de Santa Catarina - dado
à ilha - aparece, pela primeira vez, no mapa-mundi de Diego Ribeiro, de
1529.
Há
divergências quanto ao responsável pela denominação de Santa Catarina:
alguns autores atribuem a Sebastião Caboto, que fizera a denominação em
homenagem à esposa Catarina Medrano; outros querem que tenha sido em
homenagem a Santa Catarina de Alexandria, festejada pela igreja em 25 de
novembro. É, portanto, assunto que merece novas reflexões.
Em 1541,
aporta, ao continente fronteiro à ilha, a expedição de D. Alvar Nunes
Cabeza de Vaca, comandante que intitula-se "Governador de Santa
Catarina", dada a sua nomeação, pelo rei da Espanha, para tomar posse
das terras da Coroa.
Entretanto, a
Ilha de Santa Catarina não foi o único ponto do litoral mencionado pelos
primeiros navegadores que aqui aportaram. Em 1527, no planisfério
anônimo de Weimar, apareceu a designação de Rio de São Francisco,
correspondente à baía de Babitonga, que banha a península da atual São
Francisco do Sul.
Os primeiro povoadores: desterrados,
náufragos e sacerdotes
O povoamento do território catarinense está intimamente ligado, nos seus
primórdios, aos interesses de navegações portuguesas e espanholas, que
tiveram o litoral de Santa Catarina como ponto de apoio para atingir,
principalmente, a região do Rio do Prata (sem mencionar as expedições de
outras nacionalidades).
Pelo fato de o litoral
catarinense servir como ponto de apoio, constatou-se que os primeiros
povoadores foram náufragos, como, por exemplo, os sobreviventes de uma
embarcação da expedição de João Dias Solis, os quais integraram-se à
comunidade indígena.
Outros aparecem, como
os desertores, elementos que abandonaram a embarcação "San Gabriel"
comandada por D. Rodrigo de Acuña, a qual fazia parte de uma expedição
espanhola. Da mesma forma, da expedição de Caboto, em 1526, também
apareceram desertores.
O POVOAMENTO VICENTISTA
Portugal utilizou-se, largamente, do
princípio jurídico do "uti possidetis", o direito do primeiro possuidor,
tendo em vista a política de ampliação de seu território e a constância
das expedições espanholas no litoral catarinense e sul do Brasil no
século XVI.
Após a "União
Ibérica", isto é, o fim dos laços que uniam Portugal e Espanha
(1580-1640), os bandeirantes, cada vez mais, alargaram as fronteiras das
terras portuguesas. São as bandeiras vicentistas (provenientes da
Capitania de São Vicente), de caça ao índio, que atingem o Brasil
meridional.
Desta forma, o litoral
catarinense passou a ser percorrido e conhecido, crescendo o interesse
pela posse, com conseqüente ocupação.
As fundações vicentistas
São Francisco
O povoamento efetivo
do litoral catarinense tem início com a fundação de São Francisco, sob a
responsabilidade de Manoel Lourenço de Andrade, que recebeu, de um
herdeiro de Pero Lopes de Souza, procuração para estabelecer, mais ao
sul, uma povoação que denominou de Nossa Senhora da Graça do Rio de São
Francisco, em 1658, cuja data tem sido alvo de discussão.
Desterro
Na marcha da
ocupação do Sul, segue-se a fundação da povoa de Nossa Senhora do
Desterro pelo bandeirante Francisco Dias Velho, que partiu de São Paulo,
em 1672, acompanhado de familiares e índios domesticados, com interesses
agropastoris. Com a morte de Dias Velho e a conseqüente retirada de seus
filhos, a povoa do Desterro quase desapareceu.
A partir de
1715, com a concessão de sesmarias a portugueses, como Manoel Manso de
Avelar, passa-se a sentir a necessidade de povoamento da Ilha, como
forma de se defender do assédio constante por parte de navios
estrangeiros; isso é demonstrado pelos próprios moradores, através de
uma petição ao governo português.
Laguna
A fundação da
vila de Santo Antônio dos Anjos de Laguna, como o povoamento do litoral
do Rio Grande do Sul, ocorrem em virtude da necessidade de apoio à
Colônia do Sacramento e de estabelecer ligação entre a costa e as
estâncias do interior.
Deve-se a
Domingos de Britto Peixoto a fundação de Laguna, por volta de 1684, após
a pacificação de indígenas ali existentes. É a partir desta povoação que
os portugueses se lançam à conquista dos territórios mais ao sul, como é
o caso dos Campos de Viamão
A
CAPITANIA DE SANTA CATARINA
A
Capital de Santa Catarina foi criada quando a Coroa Portuguesa através
da Provisão Régia de 11 de agosto de 1738, desincorporou os territórios
da Ilha de Santa Catarina e o Continente do Rio Grande de São Pedro da
jurisdição de São Paulo, passando-os para o Rio de Janeiro.
Desta forma, Santa Catarina
ficou subordinada diretamente aos Vice-Reis do Brasil. Eram esses que
concentravam em suas mãos a grande autoridade administrativa e
judiciária aos quais se subordinavam os capitães-generais. Santa
Catarina constituiu-se no posto avançado da soberania portuguesa na
América do Sul.
As razões são principalmente de
ordem política. Tendo-se em vista a recente fundação da Colônia de
Sacramento e a conseqüente necessidade de dar-lhe cobertura
estratégico-militar, foi implantado um sistema defensivo para o litoral,
onde se incluía a Ilha de Santa Catarina e a barra do Rio Grande.
Povoamento Açoriano
A fundação das povoações "vicentistas" no litoral
catarinense não fortaleceu o surto demográfico em toda sua extensão, mas
tão somente criou três núcleos isolados, vivendo de sua subsistência
como foi o caso de São Francisco, Desterro e Laguna. Posteriormente,
ocorreu o quase total abandono da povoa de Nossa Senhora do Desterro,
com a morte brutal de seu fundador e a fuga dos seus parentes e
acompanhantes.
As ilhas
do Arquipélago dos Açores, sofrendo abalos sísmicos terrestres ou
submarinos, estimularam a saída de parte de sua população. Aliado a este
fator estaria o precário desenvolvimento econômico da região, o desejo
de lançar-se ao mar, mas principalmente o excesso populacional que em
decorrência, provocava a escassez de alimentos em determinadas ocasiões.
O açoriano, embora desenvolva
outras atividades de subsistência, mantém a continuidade da tradição
pesqueira. Sua chegada coincide com a implantação e o desenvolvimento
das "armações" de baleia. Assim, passa a desempenhar aquela atividade em
alto-mar e, por conseqüência, surge a construção naval.
Como resultantes culturais, o
elenco de manifestações da cultural popular inclui a tecelagem manual,
técnicas de pesca, o folguedo "boi-na-vara", os "pão-por-Deus", danças
(geralmente denominadas como fandangos), as festividades do ciclo do
Divino Espírito Santo, além do substrato lingüístico.
O CAMINHO DO SUL
A conquista do sul pelos paulistas foi efetuada
inicialmente pelo litoral, através da ocupação desde São Vicente até
Laguna, no século XVII.
Em 1720, Bartolomeu Paes de
Abreu, sertanista, sugeriu ao Rei de Portugal, a abertura de um caminho
que ligasse São Paulo ao atual Rio Grande do Sul. Referia-se às regiões
de campos favoráveis à criação de gado, do qual o índio das missões foi
o primeiro vaqueiro.
Na ocasião, muitos habitantes
da região de Laguna, por determinação do Governador de São Paulo e
atraídos pela criação de gado, dirigiram-se para as terras
rio-grandenses, passando assim a povoar os "pampas".
A necessidade de um caminho
terrestre que interligasse o extremo sul até São Paulo ou Rio de Janeiro
prendia-se ao interesse econômico de abastecer as regiões de mineração
com alimento e animal de transporte e também como meio de defesa da
Colônia do Sacramento, aquele reduto português na região platina.
A iniciativa da construção de
uma via de comunicação pelo interior provocou desagrado aos comerciantes
tanto de Laguna como da Ilha de Santa Catarina pelo prejuízo que tal
caminho poderia causar-lhes já que a atividade comercial era exercida
exclusivamente através dos portos.
A fundação de Lages
Entre os tropeiros que,
constantemente, através do "caminho do sul", demandavam aos campos de
Viamão, em terras rio-grandenses, encontrava-se Antônio Correa Pinto,
encarregado em 1766 de fundar uma povoação no sertão de Curitiba, num
local que servia de paragem, chamada Lages. A determinação era de que a
futura Vila deveria chamar-se Vila Nova dos Prazeres. Como argumento,
dizia que havia a necessidade de proteção dos habitantes da região, mas
também previa o desenvolvimento da agricultura e pecuária local e também
como elemento estratégico, contra as investidas dos espanhóis.
Logo após a fundação de Lages, a Câmara da Vila de
Laguna determinou a abertura de uma estrada ligando-a ao planalto,
acompanhando o curso do rio Tubarão. Esta estrada, com melhorias no seus
traçado é a que, hoje, se denomina "estrada do rio do Rastro".
Invasão Espanhola de
1777
Em meados do século XVIII, após a anulação do
Tratado de Madri, agravaram-se os conflitos entre as duas nações
ibéricas, Portugal e Espanha, com a Guerra dos Sete Anos, na qual
combateram Inglaterra e Portugal contra França e Espanha.
Os reflexos dessa guerra
fizeram-se sentir na América, imediatamente. Tropas espanholas sob o
comando de Cevallos, Governador de Bueno Aires, em 1762, invadiram a
Colônia de Sacramento e regiões do atual Rio Grande do Sul.
Quando foi
assinado o acordo de paz (Tratado de Paris) entra Portugal e Espanha foi
devolvida a Colônia do Sacramento mas os espanhóis permaneceram no Rio
Grande.
Diante dessa
situação, o governo português, na pessoa do Marquês de Pombal, ministro
do rei de D. José I, organizou um plano de expulsão dos espanhóis do Rio
Grande, tendo como ponto de apoio a Ilha de Santa Catarina.
Com base
nisso, inicia-se em 1774, o preparo da Capitania de Santa Catarina para
as eventualidades de uma guerra no sul.
Para
enfrentar as forças luso-brasileiras a Espanha organizou uma grande
expedição cuja esquadra transportava um expressivo contingente (cerca de
9.000 soldados, além de mais de 6.000 elementos da marinha).
O governo
português, além das fortificações já existentes na Ilha de Santa
Catarina, preocupou-se em completar o sistema de defesa, através de
instruções, recursos humanos, material bélico e embarcações. O forte da
Ilha constituía uma força composta de 143 canhões.
2. A
ocupação da Ilha de Santa Catarina
Em
fevereiro de 1777 a força naval espanhola chega à enseada de
Canasvieiras e dali invade com sucesso a ilha, provocando a retirada das
autoridades e parte das tropas para o lado do continente.
Diante disso, alguns
dias depois, é assinado o termo de capitulação e a entrega da Ilha de
Santa Catarina a D. Pedro Cevalles, comandante da expedição.
A capitulação das
tropas portuguesas fez-se de forma humilhante, com a fuga de uns e o
embarque de outros em direção ao Rio de Janeiro.
O objetivo de
dominar a Ilha evidenciou-se com a presença de inúmeros sacerdotes que,
acompanhando a expedição, distribuíram-se pelas freguesias da Ilha.
3. O Tratado de
Santo Ildefonso
As negociações de um tratado
tiveram início após a morte de D. José I e a ascenção de D, Maria I.
Pelas cláusulas do contrato, assinado ainda em 1777, Portugal recebeu de
volta a Ilha de Santa Catarina e ficou com quase todo o atual Estado do
Rio Grande do Sul. Com respeito à Ilha o Governo português se
comprometia a não utilizá-la como base naval nem por embarcações de
guerra ou de comércio estrangeiros.
Alemães, Italianos e Eslavos
A Colonização Alemã
A primeira colônia européia em
Santa Catarina foi instalada, por iniciativa do governo, em São Pedro de
Alcântara, em 1829. Eram 523 colonos católicos vindos de Bremem
(Alemanha).
Em 1829, a Sociedade Colonizadora de Hamburgo adquiriu 8 léguas
quadradas de terra, correspondentes ao dote da princesa Dona Francisca,
que casa com o príncipe, fundando a colônia Dona Francisca. Apesar das
dificuldades do clima, do solo e do relevo, a colônia prosperou,
expandindo-se pelos vales e planaltos e dando origem, em 1870, à colônia
de São Bento do Sul. O núcleo dessa colônia deu origem à cidade de
Joinville.
-
A colônia de Blumenau (atual Blumenau), no vale do rio Itajaí-Açú,
fundada, em 1850, por um particular, Dr. Hermann Blumenau, foi vendida,
dez anos após, ao Governo Imperial.
Em 1893, a Sociedade Colonizadora Hanseática fundava o vale do Itajaí do
Norte, a colônia de Hamônia (hoje Ibirama).
No vale do Itajaí-Mirim, a partir de 1860, começaram a chegar as
primeiras levas de imigrantes, principalmente alemães e italianos, que
dinamizaram a colônia de Itajaí, posteriormente denominada Brusque.
Na parte sul da bacia do rio Tijucas, apesar dos insucessos da colônia
pioneira de São Pedro de Alcântara, novos intentos colonizadores foram
alcançados por alemães, com a criação das colônias de Santa Tereza e
Angelina.
A colonização italiana
O elemento de cultura italiana insere-se no contexto populacional
catarinense em seis momentos:
1. Fundação da colônia Nova Itália (atual São João Batista) em 1836, no
vale do rio Tijucas, com imigrantes da Ilha da Sardenha.
2. Em decorrência do contrato firmado, em 1874, entre o governo imperial
brasileiro e Joaquim Caetano Pinto Júnior, foram fundadas, a partir de
1875, Rio dos Cedros, Rodeio, Ascurra e Apoiúna, em torno da colônia
Blumenau; Porto Franco (atual Botuverá) e Nova Trento, em torno da
colônia Brusque. Em 1877, funda-se a colônia Luís Alves no vale do rio
Itajaí-Açú e implantou-se, no vale do rio Tubarão, os núcleos de
Azambuja, Pedras Grandes e Treze de Maio: no vale do Urussanga, os
núcleos de Urussanga, Acioli de Vasconcelos (atual Cocal) e Criciúma.
3. Fundação da colônia Grão Pará (atuais municípios de Orleans, Grão
Pará, São Ludgero e Braço do Norte), por Conde D'Eu e Joaquim Caetano
Pinto Júnior.
4. Efetivação do contrato da Companhia Fiorita com o governo brasileiro
em 1891; fundação, em 1893, da colônia Nova Veneza (atuais Nova Veneza e
Siderópolis), estendendo-se do vale do rio Mãe Luzia até o vale do rio
Araranguá.
5. Expansão das antigas colônias do médio vale do Itajaí-Mirim em
direção ao interior, no encontro de novas terras no alto vale do Itajaí
(Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste, assim como as do perímetro do Rio
Tubarão).
6. Ocupação - a partir de 1910, com a vinda dos ítalo-brasileiros do Rio
Grande do Sul - das áreas marginais dos vales dos rios do Peixe e do
Uruguai e, paulatinamente, do Médio e do Extremo Oeste catarinense.
A colonização eslava
A partir de 1871, chegou a Brusque o primeiro grupo de poloneses, que
mais tarde se transferiu para o Paraná. Em função do contrato com o
governo imperial, já ocorria o ingresso de poloneses na então província
de Santa Catarina, em 1882.
A partir de 1889, novas levas de imigrantes poloneses e russos chegavam
ao Sul de Santa Catarina - nos vales dos rios Urussanga, Tubarão, Mãe
Luzia e Araranguá - e outras levas se localizaram nos vales dos rios
Itajaí e Itapocu e em São Bento do Sul e adjacências.
Nessa mesma época, os imigrantes que chegavam ao porto de Paranaguá0
foram encaminhados pelo Governo do Paraná para a vila de Rio Negro e daí
para a colônia Lucena (atual Itaiópolis).
Em 1900, vão ingressar nas localidades de Linha Antunes Braga, em São
Camilo e Braço do Norte, nas terras da antiga colônia Grão Pará, e nas
localidades de Estrada das Areias, Ribeirão das Pedras, Pedras Warnow
Alto e Vargem Grande, nas terras do então município de Blumenau.
Após a Primeira Guerra Mundial, tem-se novos ingressos na região do vale
do rio do Peixe, Médio-Oeste Catarinense, em rio das Antas e Ipoméia
(1926); no vale do rio Uruguai, nos tributários do Uruguai, em Descanso
(1934); no vale do Itajaí do Oeste (1937); em Faxinal dos Guedes (1938)
e alto vale do Itajaí do Norte (1939) entre alguns outros poucos
lugares.
Com a Segunda Guerra Mundial, imigrantes poloneses dirigiram-se, em
1940, através do vale do rio Uruguai para Mondaí e, em 1948, do alto
vale do Itajaí para Pouso Redondo.
O Período Republicano
A partir
de 1870, o império passou a enfrentar dificuldades crescentes, motivadas
pelas mudanças de ordem econômica, tais como: a expansão cafeeira, a
substituição da mão-de-obra escrava pela assalariada, a expansão das
atividades industriais, comerciais e dos transportes; alterações sociais
como o crescimento da população urbana, aumento da classe média urbana,
maior escolarização etc.
Além disso, a
crescente oposição dos que defendiam a república, organizou um novo
partido - o republicano. A campanha em defesa do regime republicano
correspondia às aspirações políticas dos novos grupos sociais e dos seus
interesses econômicos.
Os vários segmentos
da sociedade - como os produtores de café, os militares, os funcionários
públicos e os profissionais liberais - reagiram contra a monarquia,
cujas críticas concentraram-se no Manifesto Republicano divulgado em
1870, um pouco antes da criação do partido republicano. Essas críticas
referiam-se, dentre outros motivos: à estagnação da vida política
causada pelos partidos existentes (liberal e conservador); à excessiva
centralização política e administrativa, que impedia a autonomia das
províncias; à manutenção do trabalho escravo.
Participação de
Santa Catarina no movimento republicano
O Partido
Republicano consolidou-se inicialmente em algumas províncias, como São
Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Assim como o
restante do país, Santa Catarina não participou do Manifesto de 1870 e
da fundação do Partido Republicano, porém, não ficou à margem dos dois
grandes temas da época, abolição da escravatura e idéias republicanas,
manifestando-se em âmbito regional, com propagandas e movimentos sendo
feitos através de clubes e jornais.
Foram fundados o
Clube de Camboriú, em 1887, sob a presidência de Manoel Antônio Pereira,
o "Clube Republicano Federalista" de Joinville e o "Clube Republicano
Esteves Jr.", no Desterro, sob a presidência do farmacêutico Raulino
Júlio Adolfo Oto Horn, no mesmo ano, e tendo como vice-presidente
Gustavo Richard.
Dentre os jornais
que divulgaram as idéias republicanas, surgiu, no Desterro, a "Voz do
Povo" que, inclusive, se considerava "órgão do partido Republicano". Em
1886 surge outro, "O Independente", em Tijucas e também "A Folha Livre",
que foi o jornal republicano de Joinville. Ainda apareceram "A Evolução"
na capital e o "Blumenauer-Zeitung", em Blumenau.
A proclamação e a
adesão à República
No dia 15 de
novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, à frente de um grupo
militar apoiado por outros grupos republicanos, proclamou a República no
Rio de Janeiro. No mesmo dia, foi organizado o governo provisório,
chefiado pelo próprio Marechal.
Logo após o
recebimento da notícia da proclamação, os associados do Clube
Republicano do Desterro e os oficiais da Guarnição Militar aclamam um
triunvirato destinado a assumir o governo catarinense. Essa Junta
Governativa foi composta por Raulino Horn, pelo Coronel João Batista do
Rego Barros (comandante da guarnição militar) e pelo Dr. Alexandre
Marcelino Bayma, médico da referida guarnição.
A substituição do
Presidente da Província, Dr. Luís Alves Leite de Oliveira Bello, pelo
novo governo, foi feita de forma pacífica, com a adesão dos deputados
monarquistas presentes. Ao proclamar-se a República, já existia, em
território catarinense, uma Câmara Municipal totalmente republicana: a
de São Bento do Sul.
Um a um, os demais
municípios catarinenses vão aderir ao novo regime, que fortalece as
lideranças regionais e Santa Catarina passará a ser governada por seus
filhos, com a condução dos negócios públicos de acordo com os anseios da
comunidade catarinense.
O primeiro
governo republicano
Para o governo de
Santa Catarina, foi escolhido o Tenente Lauro Severiano Müller, que
chegou ao Desterro em 1889.
Suas primeiras
atitudes foram no sentido de fazer o congraçamento da população
catarinense através de visitas aos vários municípios. Após a dissolução
das Câmaras Municipais, criou as Intendências Municipais.
O novo governo
federal convocou, de imediato, uma Assembléia Constituinte e, em 1890,
foram realizadas as eleições. Desta maneira, com a saída de Lauro
Müller, o governo do Estado ficou sob a responsabilidade de Gustavo
Richard, que era o 2o vice-governador.
Em 24 de fevereiro
de 1891, foi promulgada a Constituição Federal que estabeleceu, no
Brasil, a República Federativa, correspondente à união dos estados
autônomos.
Alterou bastante a
organização do Estado, como por exemplo, o Presidente da República seria
eleito pelo povo: senadores e deputados também seriam eleitos pelo povo,
cujo direito de voto caberia aos cidadãos homens, maiores de 21 anos e
alfabetizados; as províncias passariam a ser Estados, com maior
autonomia política e administrativa etc.
Em seguida,
estabeleceram-se as eleições para a Assembléia Constituinte Estadual. A
Constituinte de Santa Catarina foi instalada a 28 de abril de 1891 e, no
mês seguinte, elegia para governador o mesmo Lauro Müller e, para
primeiro e segundo vices, Raulino Horn e Gustavo Richard,
respectivamente. Em junho, os constituintes davam, ao Estado, a sua
primeira Constituição.
A partir daí, foi
efetiva a participação política de Lauro Müller, galgando os mais altos
postos, como: governador do Estado, senador, ministro da viação e obras
públicas e ministro das relações exteriores.
Ideais Liberais e Revolução Farroupilha
O período regencial caracterizou-se por uma série
de agitações de ordem social e política. Ocorrência de revoltas em
vários pontos do país, muitas das quais colocaram em perigo a unidade
nacional, motivadas pelas dificuldades econômicas e pelo
descontentamento político.
A república foi
proclamada em 1836, na Câmara Municipal de Piratini e a pretensão de
estendê-la a outras províncias fez com que chegasse até Santa Catarina.
As idéias liberais em Santa
Catarina
O desenvolvimento das idéias
liberais em Santa Catarina pôde ser visto através das publicações de
Jerônimo Francisco Coelho e das atividades da "Sociedade Patriótica". Ao
romper a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, desenvolveu-se
ainda mais o espírito liberal nas terras catarinenses.
A eclosão daquele movimento encontrou na Presidência da Província de
Santa Catarina, Feliciano Nunes Pires. Logo, em seguida, foi substituído
pelo Presidente José Mariano de Albuquerque Cavalcanti. Ao tomar
conhecimento das manifestações surgidas na laguna em favor dos
farroupilhas, tentou abafá-las.
Em Lages, encontrou-se outro grande defensor da causa farroupilha, na
pessoa do seu pároco, o Padre João Vicente Fernandes. É interessante
destacar a intensa pregação liberal praticada pelo clero naquele
período.
As tendências liberais propagadas pela província catarinense provocaram
a constante substituição dos seus presidentes.
Tendo assumido a presidência, o Coronel José Joaquim Machado de Oliveira
realizou uma política de conciliação, pois, não lhe era estranha à
adesão dos catarinenses aos ideais farroupilhas. Isto provocou sua
substituição em outubro de 1837, pelo português Brigadeiro João Carlos
Pardal.
O Brigadeiro Pardal exerceu suas funções com despotismo e muita
arbitrariedade, o que provocou ainda o descontentamento dos
catarinenses. Quando de sua administração deu-se à tomada de Laguna
pelos farroupilhas aumentando o foco liberal no litoral da Santa
Catarina. Entre os principais defensores das idéias liberais pode-se
destacar, na Capital da Província, João Antônio Rodrigues Pereira,
Francisco Duarte Silva, João Francisco de Souza Coutinho, Joaquim
Cardoso e João José de Castro.
República Catarinense e
Anita Garibaldi
Além da receptividade quanto
aos ideais liberais, a investida dos farroupilhas à Laguna, levou em
consideração o seu valor como centro abastecedor das tropas e por ser um
porto de mar à disposição, no momento em que estavam sem saída para o
mar, no Rio Grande do Sul. Daí o interesse de incorporá-la à República
de Piratini.
A tomada de Laguna foi feita pela ação conjugada das forças
farroupilhas, as de mar sob comando de Giuseppe Garibaldi e as de terra
tendo à frente Davi Canabarro.
Assim, a 22 de julho de 1839, estava Laguna em poder dos farroupilhas.
Deram-lhe o nome de "Cidade Juliana de Laguna" e instalaram o Governo
Provisório da "República Catarinense", sob a presidência de Davi
Canabarro. Propôs o mesmo, que se organizasse de forma democrática, a
nova república e, para tal, ordenou que a Câmara Municipal procedesse à
eleição provisória do Presidente da "República Catarinense".
A extensão das forças liberais no litoral catarinense exigiu, por sua
vez, que o Governo Central colocasse na Presidência da Província um
elemento com larga experiência; tratava-se do Marechal Francisco José de
Souza Soares Andréa, militar de relevantes serviços à causa legalista.
Imediatamente foi organizada a repressão, ocasionando a derrota
farroupilha.
A derrota naval dos farroupilhas ocorreu no final de 1839 e a eles, só
restou, como alternativa, marchar por terra em direção ao planalto sob o
comando do Coronel Joaquim Teixeira Nunes e de Garibaldi.
É nesse trajeto que muitos deles são aprisionados, entre eles Ana de
Jesus Ribeiro (Anita Garibaldi) que consegue fugir e reunir-se a
Garibaldi em Lages, para seguirem logo após para o Rio Grande do Sul.
Em março de 1840 desaparece a efêmera república em Santa Catarina.
Entretanto, apenas em 1845 finaliza a Revolução Farroupilha quando o
Governo Imperial aceita muitas das reinvindicações dos gaúchos.
Anita Garibaldi
A catarinense Ana Maria de Jesus Ribeiro tornou-se
legendária nas lutas liberais dos dois lados do Oceano Atlântico -- quer
nas terras brasileiras, quer nas da península italiana -- e, por isso,
foi denominada de "Heroína dos Dois Mundos", com o nome de Anita
Garibaldi.
A presença de Garibaldi na Laguna fez com que
Anita se envolvesse com a causa farroupilha participando da reação
contra as forças imperiais e acompanhando os revolucionários na retirada
da Laguna em direção ao planalto.
Em janeiro de 1840, Anita foi feita prisioneira
quando os farroupilhas são atacados de surpresa, em local próximo ao rio
Marombas. Entretanto, consegue fugir e, embora grávida, vai reunir-se a
Garibaldi em Lages e dai seguem para o Rio Grande do Sul. A partir daí,
sofreu todos os contratempos que uma revolução possa trazer, sempre
acompanhando o seu Garibaldi.
Em 1841
partem para o Uruguai onde lutam em favor da preservação da república
uruguaia, com a "Legião Italiana de Montevideo", onde Anita continua
como enfermeira dedicada aos companheiros do marido.
Acompanha
Garibaldi, em 1848, quando este retorna à terra natal para prosseguir na
luta pela unificação da Itália. Neste mesmo ano Anita veio a falecer em
território italiano.
Guerra e Questão do
Contestado
A disputa travada entre as
províncias do Paraná e Santa Catarina, pela área localizada no planalto
meridional entre os rios do Peixe e Peperiguaçu, estendendo-se aos
territórios de Curitibanos e Campos Novos era antiga, originada antes
mesmo da criação da província do Paraná, em 1853, permanecendo em
litígio até o período republicano.
Em 1855, o governo da província do Paraná desenvolvia tese de que a sua
jurisdição se estendia por todo o planalto meridional. Daí em diante,
uma luta incessante vai ter lugar no Parlamento do Império, onde os
representantes de ambas as províncias propunham soluções, sem chegar a
fórmulas conciliatórias.
Depois de vários acontecimentos que protelaram as decisões - como a
abertura da "Estrada da Serra" e também a disputa entre Brasil e
Argentina pelos "Campos de Palmas" ou "Misiones" - o Estado de Santa
Catarina, em 1904, teve ganho de causa, embora o Paraná se recusasse a
cumprir a sentença.
Houve novo recurso e, em 1909, nova decisão favorável a Santa Catarina,
quando, mais uma vez, o Paraná contesta. Em 1910, o Supremo Tribunal dá
ganho de causa a Santa Catarina.
A Guerra do Contestado e as operações militares
A região contestada era povoada por "posseiros" que, sem oportunidade de
ascensão social ou econômica, como peões ou agregados das grandes
fazendas, tomavam, como alternativa, a procura de paragens para tentar
nova vida.
Ao lado desses elementos sem maior cultura - mas fundamentalmente
religiosos, subordinados a um cristianismo ortodoxo - vão se congregar
outros elementos como os operários da construção da Estrada de Ferro São
Paulo-Rio Grande, ao longo do vale do rio do Peixe.
Junto a esta população marginalizada, destaca-se a atuação dos chamados
"monges", dentre os quais o primeiro identificado chamava-se João Maria
de Agostoni, de nacionalidade italiana, que transitou pelas regiões do
Rio Negro e Lages, desaparecendo após a Proclamação da República.
Após 1893, consta o aparecimento de um segundo João Maria, entre os rios
Iguaçu e Uruguai. Em 1987, surge outro monge, no município de Lages. Em
1912, em Campos Novos, surge o monge José Maria, ex-soldado do Exército,
Miguel Lucena de Boaventura, que não aceitava os problemas sociais que
atingiam a população sertaneja do planalto.
O agrupamento que começou a se formar em torno do monge, composto
principalmente de caboclos saídos de Curitibanos, se instala nos Campos
do Irani. Esta área, sob o controle do Paraná, teme os "invasores
catarinenses" e mobiliza o seu Regimento de Segurança, pois esta invasão
ocorre, justamente, naquele momento de litígio entre os dois Estados.
Em novembro de 1912, o acampamento de Irani é atacado pela força
policial paranaense e trava-se sangrento combate, com a perda de muitos
homens e de grande quantidade de material bélico do Paraná, o que fez
desencadear novos confrontos, além do agravamento das relações entre
Paraná e Santa Catarina.
Os caboclos vão formar, pela segunda vez, em dezembro de 1913, uma
concentração em Taquaruçu, que se tornou a "Cidade Santa", com grande
religiosidade e, na qual, os caboclos tratavam-se como "irmãos". Neste
mesmo ano, tropas do Exército e da Força Policial de Santa Catarina
atacam Taquaruçu, mas são expulsas, deixando, ali, grande parte do
armamento.
Após a morte de outro líder, Praxedes Gomes Damasceno, antigo seguidor
do monge José Maria, os caboclos se encontram enfraquecidos. No segundo
ataque, Taquaruçu era um reduto com grande predomínio de mulheres e
crianças, sendo a povoação arrasada.
Outros povoados, ainda, como Perdizes Grandes, seriam formados e
diversos outros combates, principalmente sob a forma de guerrilhas, se
travariam até que o conflito na região realmente terminasse.
A Evolução dos
municípios ate 1967
O primeiro município
a ser criado na Capitania de Santa Catarina foi o de Nossa Senhora da
Graça do Rio São Francisco do Sul, hoje São Francisco do Sul, no ano de
1660; em 1714, era criado o segundo município, Santo Antônio dos Anjos
da Laguna, atual Laguna.
Em 1726, desmembrava-se de
Laguna o município de Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis.
Pelos caminhos de Lages
foram se fixando povoações em direção ao Rio Grande do Sul e, em 1770,
Lages emancipava-se da Capitania de São Paulo, anexando-se à Capitania
de Santa Catarina.
Por volta de
1832, emancipavam-se de Florianópolis: Porto Belo, São Miguel (hoje
Biguaçú) e São José. Após 27 anos, Porto Belo perdia sua autonomia,
retornando-a em 1925. Em 1859 foi a vez da emancipação de São Sebastião
da Foz do Rio Tijucas, atual Tijucas.
Em 1839, o
Governo da República Farroupilha decretava a cidade de Laguna como a
capital de Santa Catarina, com o nome de Juliana, época movimentada que
terminou em março de 1845.
A vinda de imigrantes
europeus para colonizar terras de Santa Catarina contribui para a
expansão dos povoados e consequente aumento da população.
O mapa de 1907 mostra os
contornos imprecisos do Estado, devido a questões de limites com os
Estados do Rio Grande do Sul e Paraná. Em 1917, foi estabelecido o
"Acordo de Limites" entre Paraná e Santa Catarina, passando o limite
desses Estados pelo divisor de águas entre as bacias hidrográficas dos
rios Iguaçu e Uruguai, incorporando-se definitivamente a Santa Catarina
todo o oeste e os municípios de Mafra e Porto União, ao norte.
No ano de 1930, ficou
resolvido o problema divisório entre Santa Catarina e o Rio Grande do
Sul, anexando-se ao território catarinense o trecho da nascente do rio
Mampituba, entre o arroio Josafá e a encosta da Serra Geral. Nessa época
Santa Catarina, contava com 34 municípios.
Em 1934, desmembrava-se de
Blumenau: Timbó, Indaial, Ibirama e Gaspar; de Joaçaba: Concórdia; de
Campos Novos e Joaçaba: Caçador; e de Joinville: Jaraguá do Sul.
Em 1934, o Estado de Santa
catarina sofreu uma redução com a criação do Território de Iguaçú, porém
por pouco tempo, pois em 1946 Santa Catarina retomava este território.
No ano de 1953, 8
municípios conseguiam sua autonomia: Dionísio Cerqueira, Itapiranga,
Mondaí, Palmitos, São Carlos, São Miguel d'Oeste, Xanxerê e Xaxim,
fragmentando, pela primeira vez, o município de Chapecó.
Em 1958, mais de 30
municípios foram criados; e de 1961 a 1967 foram criados mais 91. Após um intervalo de 15
anos, em 1982, emanciparam-se de Lages, os municípios de Otacílio Costa
e de Correia Pinto.
O maior
número de desmembramento ocorreu nas zonas coloniais de maior densidade
populacional, como nos vales dos rios Itajaí, do Peixe, Tubarão e
Chapecó.
Foi o primeiro governador republicano de Santa
Catarina, nomeado em 02 de dezembro de 1889 pelo
Marechal Deodoro da Fonseca, para o período de 1889
a 1890. Foi eleito, ainda, pela Assembléia, para um
segundo período, governado até 1891.
Em 07 de janeiro de 1890, Müller dissolve as câmaras
municipais e cria conselhos, constituídos por
intendentes municipais. Em 24 de agosto do mesmo
ano, deixa o governo e toma posse na Câmara Federal.
No dia 16 de setembro de 1890, são realizadas as
primeiras eleições indiretas para governador e
vices. São eleitos os republicanos Lauro Müller como
governador, Raulino Horn como primeiro-vice e
Gustavo Richard como segundo-vice.
Em 29 de setembro, um mês após ter tomado posse na
Câmara Federal, Lauro Müller reassume o governo do
Estado, pois Deodoro da Fonseca havia dissolvido o
Congresso.
Müller fica no poder até o dia 05 de outubro, quando
passa o cargo ao seu primeiro vice, Raulino Horn, e
retorna ao Rio de Janeiro para assumir como
deputado, já que a Câmara havia sido reconvocada por
Floriano Peixoto, que substituiu Deodoro. Raulino
governa por apenas cinco dias, passa o governo ao
segundo-vice Gustavo Richard e segue para o Rio de
Janeiro, onde assume como senador.
Em novembro de 1891, Lauro retorna e reassume o
governo. Em 28 de dezembro, renuncia ao cargo e
volta para a Câmara. Como representante do Estado a
nível nacional, faz o plano viário para Santa
Catarina. Em 1890, é inaugurada, ainda, a estrada
entre Nova Trento e Tijucas e também de Tijucas a
Porto Belo.
Em 29 de dezembro de 1891, Lauro Müller renuncia ao
governo, por pressão dos federalistas catarinenses,
que haviam enviado um grupo para agredir fisicamente
Müller, intimidando-o a deixar o governo. Ainda
assim, o governador resiste para evitar derramamento
de sangue. Assim, Müller volta para o Rio de
Janeiro, assume seu cargo de deputado federal e
continua defendendo a queda do federalismo.
Manoel Joaquim Machado – 1892 a 1894
Vice Eliseu Guilherme da Silva
Foi nomeado interventor de Santa Catarina, por
decreto de Floriano Peixoto. Assumiu o governo em 1º
de março de 1892. Em 15 de setembro do mesmo ano,
foi eleito, pelo Congresso Representativo do Estado,
para o cargo de governador, administrando até 08 de
setembro de 1893. Em 1893, criou a Junta Comercial
do Estado.
Denunciado e processado, pela prisão de um
funcionário federal, Manoel Joaquim Machado teve que
se afastar em junho de 1893, assumindo o poder
Eliseu Guilherme, o vice.
Com o estabelecimento do Governo Provisório e
Revolucionário da República, em Desterro, voltou a
governar no período de 24 de fevereiro a 15 de abril
de 1894, quando foi deposto pelas tropas legalistas
chefiadas pelo coronel Antônio Moreira César.
Durante a administração de Joaquim Machado, foi
criada a Escola Normal, que deu origem ao Instituto
Estadual de Educação.
Hercílio Pedro da Luz – 1894 a 1898
Vice Polidoro Olavo Santiago
Primeiro governador republicano eleito pelo povo de
Santa Catarina, assumiu em 28 de setembro de 1894.
Três dias depois de sua posse, sancionou o projeto
de lei do legislativo que propôs a alteração do nome
de Desterro para Florianópolis.
Tentou criar o primeiro sistema de iluminação
pública de Florianópolis e, para tanto, foi criada
uma sociedade - entre Joaquim Manuel da Silva,
Francisco José Ramos e Paul Darché - que recebeu a
concessão municipal de luz elétrica em 8 de setembro
de 1897. Mas a sociedade não conseguiu levar a bom
termo o projeto inicial e, desta forma, a luz foi
inaugurada somente em 25 de setembro de 1910, tanto
na capital como em Blumenau e Joinville.
Sob seu governo, em 1986, é instalada e inaugurada,
na região do Contestado, a linha telegráfica entre
Joinville e São Bento. Fez várias intervenções no
sistema viário estadual e adotou medidas para
melhorar o transporte marítimo e fluvial. Elegeu-se
vereador em 13 de dezembro de 1898.
Felipe Schmidt – 1898 a 1902
Vice Coronel Firmino Lopes do Rego
Assumiu em 28 de setembro de 1898 e permaneceu no
cargo até 28 de setembro de 1902.
Esta primeira administração de Felipe Schmidt foi
marcada pela preocupação com o ensino médio e pela
dedicação ao ensino agrícola. Em seus dois governos,
a questão predominante era o Acordo de Limites entre
os estados de Santa Catarina e Paraná.
Durante esse seu primeiro governo, houve uma forte
cisão no PRC (Partido Republicano Catarinense) que
prejudicou o desenvolvimento do Estado, já castigado
anteriormente pela guerra civil. Esta foi a maior
crise em seu governo, que ocorreu em 1900. Todo o
desacordo dentro do partido aconteceu em virtude da
lista de deputados estaduais elaborada por Felipe
Schmidt, com 22 nomes. Os membros da Comissão
Diretora acusaram o então governador de favorecer,
em sua chapa, empregados públicos e pessoas sem
nenhuma expressão eleitoral. Felipe Schmidt foi
pressionado, de um lado pelo governo de seu primo
Lauro Müller e, de outro pela maior parte de seu
partido.
Lauro Severiano Müller – 1902 a 1906
Vice Vidal Ramos
Assumiu em 28 de setembro de 1902, porém permaneceu
no cargo apenas 44 dias por preferir o cargo de
Ministro de Viação e Obras Públicas de Rodrigues
Alves. Assumiu o Vice, que permaneceu até 28 de
setembro de 1906.
Vidal Ramos, assumindo o governo, tinha como meta
reformar o ensino e, em 1904, o Estado de Santa
Catarina almejava seguir o exemplo paulista, o que
veio a acontecer em 1911, durante seu segundo
governo.
Gustavo Richard – 1906 a 1910
Vice Abdon Batista
O vice doutor Batista assume, em 28 de setembro de
1906, por impedimento ocasional do governador
Richard. Em 21 de dezembro do mesmo ano, Gustavo
Richard assume o cargo.
Durante sua administração, foram implantados, na
Capital, o sistema telefônico, o serviço de
abastecimento público de água e o de iluminação
elétrica. Foram, ainda, construídas pontes metálicas
sobre alguns rios importantes do Estado. Foi
inaugurada a primeira sede da Assembléia
Legislativa, incendiada em 1956.
Outros benefícios vieram, como a construção do
Palácio do Congresso, a Biblioteca Pública, a
Diretoria de Higiene, o Liceu de Artes e Ofícios, o
calçamento da Praça XV de Novembro e a reforma do
Jardim Oliveira Belo.
Sua administração teve forte oposição de Hercílio
Luz e, em 27 de fevereiro de 1908, os dois políticos
romperam as relações.
Vidal José de Oliveira Ramos – 1910 a 1914
Vice Eugênio Luis Müller
Tomou posse em 29 de setembro de 1910, permanecendo
até 28 de setembro de 1914. Foi responsável pela
primeira reforma do ensino catarinense. Para o
governador, a mudança proposta deveria
caracterizar-se por: “ fundar um novo tipo de
escola, dar à mocidade um professorado cheio de
emulação e estabelecer uma fiscalização técnica e
administrativa real e constante”.
A reorganização do ensino deflagrada em seu governo
– e considerada uma das mais decisivas do setor em
Santa Catarina – seguiu as linhas básicas da escola
pública do Estado de São Paulo e desenvolveu-se sob
a orientação do professor paulista Orestes
Guimarães, especialmente contratado para este fim.
A Escola Normal foi a primeira unidade de ensino
atingida pela ação desse educador. O programa de
admissão foi reorganizado e ela recebeu novo
regulamento. Sofreu reforma física, ampliação,
passou a ter mais horas de atividade escolar, a
ensinar Pedagogia e Psicologia e um terço de suas
aulas deviam ter caráter prático.
Durante o governo de Vidal Ramos, ocorreu, ainda, a
Guerra do Contestado, que iniciou em 1912 e
desenvolveu-se até 1915 por motivo da abertura da
estrada de ferro São Paulo-Rio Grande. A guerra teve
como espaço o meio-oeste cararinense e como centro o
Rio do Peixe, que era uma região constestada pelos
estados do Paraná e Santa Catarina.
Felipe Schmidt – 1914 a 1918
Vice Lauro Müller
Assumiu em 28 de outubro e permaneceu até 28 de
outubro de 1918.
Em 20 de outubro de 1916, Felipe Schmidt e Affonso
Alves de Camargo (governador do Paraná) assinaram
Acordo de Limites entre os dois estados, por
imposição do presidente da república, Brás Pereira
Gomes.
Dedicou-se, neste seu segundo governo, a questões
como a ligação viária entre diferentes regiões do
Estado e às despesas públicas, na tentativa de
levantar a situação financeira do Estado.
Preocupou-se com o sanemento básico, instalando a
rede de esgoto.
Hercílio Pedro da Luz – 1918 a 1922
O governador eleito foi Lauro Müller e o vice,
Hercílio Luz (em 04-08-1918), mas quem tomou posse
foi Hercílio Luz (em 28-09-1918). Fez-se constar em
Ata que o Lauro Müller não assumiu porque deixou de
prestar juramento ao cargo de governador, por não
haver comparecido.
Durante seu primeiro governo, já havia uma
preocupação com o problema do saneamento básico e,
neste seu segundo governo, imprimiu nova
conceituação ao plano de saneamento no arroio da
Bulha. Com esta empreendimento, criou uma avenida,
que mais tarde se chamaria Avenida Hercílio Luz.
Esta se estendia até a Baía Norte, onde fica hoje a
Heitor Luz. Posteriormente, a parte norte lhe foi
retirada. Combinada então à nova formulação da rua
José Veiga, resultou na Avenida Mauro Ramos.
Hercílio Pedro da Luz – 1922 a 1926
Vice Antônio Pereira Oliveira
Assumiu em 28 de setembro, faleceu após dois anos de
administração, em 20 de outubro de 1924.
Não chega a exercer o poder integralmente nesse
período, sendo substituído durante longos meses pelo
vice Antônio Pereira Oliveira.
Assumiu o governo o vice, que governou até 23 de
março de 1926, quando assumiu o governo Antônio
Vicente Bulcão Vianna, Presidente do Congresso
Estadual, que permaneceu até 28 de setembro de 1926.
Adolpho Konder – 1926 a 1930
Vice Valmor Argemiro Ribeiro Branco
Assumiu o governo em 28 de setembro. Governou até 19
de fevereiro de 1929, quando candidatou-se ao
Congresso Nacional e passou o governo para o
Presidente do Congresso Estadual, Antônio Vicente
Bulcão Vianna.
Ao abrir a sessão legislativa de 1927, o governador
Adolpho Konder já tinha, em 22 de julho do mesmo
ano, vontade de reformar a Constituição Estadual.
Ele propunha que a Carta fosse realizada como
“medida justa e imprescindível”. Em 1928, quando
abriu a sessão legislativa, o assunto era a reforma
constitucional.
Em 02 de julho de 1929 foi nomeada a Comissão
encarregada de dar parecer sobre a Reforma
Constitucional, composta pelo deputados Artur
Ferreira da Costa, Carlos Gomes de Oliveira, Álvaro
Catão, Manoel da Nóbrega, Dorval Malchiades de
Sousam Luiz Gallotti e Marcos Konder (irmão de
Adolpho). Esta Constituição foi promulgada em 27 de
julho de 1929.
Konder, em 1929, realizou viagem histórica ao ponto
final do território catarinense, encontrando-se com
Getúlio Vargas, então governador do Rio Grande do
Sul. Viajou em lombo de cavalo e foi o primeiro
governador a chegar ao Oeste catarinense. Ao chegar
a Dionísio Cerqueira, fundou um escola, sediou um
destacamento da Polícia Militar e nomeou um exator
para a arrecadação de tributos.
Suas obras foram muitas e, dentre elas, destacam-se
a campanha em prol do cultivo de trigo, a
transformação e adaptação do edifício do jornal
oficial A República em sede do Poder Judiciário, a
construção da Penitenciária do Estado, na capital, e
o apoio às obras da maternidade local, depois
denominada Carlos Corrêa.
Fulvio Aducci – 1930
Último governador da República Velha, assumiu em 29
de setembro.
Foi o governador que por menos tempo ocupou o
governo do Estado. Em 25 de outubro de 1930, em
virtude da Revolução de 30, viu-se obrigado a
renunciar, entregando o cargo a uma junta de
militares que, no dia seguinte, passou ao
interventor revolucionário gaúcho General Ptolomeu
de Assis Brasil.
A Revolução de 1930 teve muitos reflexos, dividindo
a classe política catarinense. De um lado, ficou o
PRC (Partido Republicano Catarinense), liderado
pelos herdeiros políticos do “laurismo” – Lauro
Müller – e do “hercilismo” – Hercílio Luz –
representado pelos irmãos Konder (Adolpho, Vitor e
Marcos) e por Fúlvio Aducci (último governador da
Primeira República). De outro, a AL (Aliança
Liberal) de Nereu Ramos, Francisco Barreiros Filho
Oswaldo Melo e Gustavo Neves, que apoiava a
Revolução.
Com a Revolução de 1930 e a conseqüente saída de
Aducci do poder, iniciou-se um novo período na vida
política brasileira e catarinense: a Segunda
República, que se estende de 1930 até 1945.
INTERVENTORES DE 1930
A Intervenção de 1930 a 1947
Junta Governativa
No dia 25 de outubro de 1930, em decorrência da
Revolução de 30, o governador republicano Aducci se
viu obrigado a renunciar ao seu cargo, assumindo o
governo uma Junta Governativa.
Ptolomeu de Assis Brasil – 1930 a 1932
No dia seguinte, 26 de outubro de 1930, quando as
tropas militares cruzaram a ponte Hercílio Luz,
comandadas pelo gaúcho Ptolomeu de Assis Brasil, a
Junta passou-lhe o governo do Estado, tendo o
general sido nomeado interventor militar em Santa
Catarina.
Dias depois ter sido nomeado interventor, Ptolomeu
foi efetivado no governo e instalou o Governo
Provisório de Santa Catarina. Em 1932, renunciou ao
governo, alegando problemas de saúde, motivos
particulares e de foro íntimo.
Rui Zobaran – 1932 a 1933
O interventor que sucedeu Assis Brasil foi o também
gaúcho Major Rui Zobaran (posse em 26 de outubro de
1932). Os catarinenses sentiram-se marginalizados
diante da escolha de mais um gaúcho.
Aristiliano Laureno Ramos
Em 19 de outubro de 1933, Aristiliano Ramos
(catarinense) foi nomeado interventor federal de
Santa Catarina, em substituição ao gaúcho Rui
Zobaran. Recebeu o governo de Marechal Pedro da
Silveira, interventor interino e administrador do
Estado.
Durante este período assumiram interinamente
secretários de Estado, como: Cândido Ramos, Manoel
Pedro da Silveira, Luís Carlos de Morais, Plácido
Olímpio de Oliveira.
Aristiliano foi candidato na eleição ao governo do
Estado (março de 1934) e derrotado por seu primo
Nereu Ramos. Para não entregar o governo ao primo e
inimigo político, renunciou à interventoria,
passando a Fontoura Borges do Amaral Mello.
Nereu Ramos – 1935 a 1945
Assumiu em 1º de maio de 1935, eleito por voto
indireto, e, durante seu governo, o Estado foi
dotado de uma das melhores redes de estradas do
país, tanto pela extensão quanto pela conservação.
Distribui dezenas de postos de saúde, creches,
maternidades e escolas por todo o território
catarinense. A medida política que mais notabilizou
sua administração foi a nacionalização do ensino. A
atitude provocou profundos conflitos com as
populações de origens estrangeiras, principalmente
alemãs e italianas, simpatizantes, na época, do
nazismo, integralismo e fascismo. As escolas que
ensinavam língua estrangeira foram fechadas mas
acabaram não sendo substiruídas, provocando a
redução da escolaridade em Santa Catarina após a
guerra.
Além disso, instituiu a obrigatoriedade da educação
primária para crianças de oito a quatorze anos e
proibiu a adoção de nomes estrangeiros por núcleos
populacionais e escolas.
Em 1937, foi nomeado interventor federal do Estado
pelo Presidente Getúlio Vargas. Exerceu esta função
até 1945, quando foi deposto em 29 de outubro de
1945.
Luiz Gallotti – 1945 a 1946
Foi nomeado para o cargo, assumindo em 08 de
novembro de 1945. Deixou o cargo em 05 de fevereiro
de 1946.
Udo Deeke – 1946 a 1947
Foi nomeado para o cargo, assumindo em 05 de
fevereiro de 1946. Permaneceu até 26 de março de
1947.
GOVERNOS DO ESTADO DE SANTA CATARINA A PARTIR DE
1947 E TRANSMISSÃO DE CARGOS
Aderbal Ramos da Silva – 1947 a 1951
Assumiu em 23 de março de 1947 e permaneceu no cargo
até 31 de janeiro de 1951. Nos períodos de
afastamento por saúde, foi substituído por José
Boabaid, presidente da Assembléia Legislativa.
Durante seu governo, houve grande preocupação com o
desenvolvimento da produção rural. Nesse período,
foi criado o Serviço Florestal do Estado, bem como
construída a adutora de Pilões e as torres que
passaram a transmitir a energia gerada pela Usina
Hiderelétrica de Capivari e Florianópolis. As duas
últimas obras objetivavam resolver um problema que
afligia a vida dos florianopolitanos na década de
40: a falta de água e de luz.
Irineu Bornhausen - 1951 a 1956
Assumiu em 31 de janeiro de 1951 e governou até 31
de janeiro de 1956. No governo Irineu Bornhausen,
criou-se a Secretaria de Estado da Agricultura e o
Tribunal de Contas do Estado.
Algumas das mais importantes ações do seu governo
foram: o pagamento de todas as dívidas do governo
anterior, remodelamento de duas importantes
rodovias, construção de estradas, início da obra de
abertura da rodovia da Serra do Rio do Rastro.
Bornhausen tinha, também, grande preocupação com a
agricultura e a pecuária do Estado.
No governo Irineu Bornhausen,assim como no governo
de Aderbal Ramos da Silva, não houve vce-governador.
De acordo com a Constituição de 1947, não havia o
cargo de vice. Posteriormente, em 1955, foi criado o
cargo através da Emenda Constitucional 3. Caso fosse
necessário substituição, assumiria o Presidente da
Assembléia, que, no governo Irineu Bornhausen, foram
os seguintes parlamentares:
Em 31 de janeiro de 1956, Irineu Bornhausen assume o
cargo de governador do Estado e falece, em acidente
aéreo com Nereu Ramos, em 16 de junho de 1958.
Seu governo, embora breve, foi marcado por duas
grandes obras fundamentais: a primeira rodovia
asfaltada feita com recursos estaduais, ligando
Itajaí a Blumenau e a constituição da Sociedade
Termo-Elétrica de Capivari, mais tarde incorporada à
ELETROSUL.
Heriberto Hülse – 1958 a 1961
Hülse assume o cargo no dia 16 de junho de 1958, em
substituição a Jorge Lacerda, que faleceu no mesmo
dia, em acidente aéreo.
Em 21 de janeiro de 1959, Heriberto Hülse viaja para
a capital da República, assumindo o presidente da
Assembléia Legislativa, Dr. José de Miranda Ramos,
até o dia 30 de janeiro de 1959.
Em 31 de dezembro de 1960, Heriberto Hülse
interrompe, por alguns dias, o exercício de suas
funções, assumindo, até o dia 10 de janeiro de 1961,
o deputado Rury Hülse, presidente da Assembléia
Legislativa.
Em sua administração, o Estado deu a grande
arrancada desenvolvimentista que Celso Ramos, a
partir de 1961, se encarregou de consolidar. Um dos
fundadores da UDN (União Democrática Nacional) em
Santa Catarina, Hülse instalou o partido em
Criciúma, onde, desde muito cedo, começou a aparecer
como importante liderança política regional.
Dentre suas obras, está a construção do hospital de
Lages e dos fóruns de Criciúma e Tubarão.
Celso Ramos – 1961 a 1966
Vice: Francisco Xavier Fontana
Assume em 31 de janeiro de 1961. Em 30 de junho de
1963, Celso Ramos viaja para fora do país,
assumindo, até o dia 01 de agosto de 1963, Ivo
Silveira, presidente da Assembléia Legislativa.
O fato de o PSD contar com maioria de votos (metade
mais um), na Assembléia Legislativa, permitiu que
seu governo realizasse todas as obras planejadas.
Sendo assim, inaugurou toda a estrutura que faltava
ao desenvolvimento catarinense: um banco estatal
(BESC), uma universidade (UDESC), uma concessionária
de energia (CELESC) e um fundo de desenvolvimento (o
FUNDEC). Elaborou, ainda, o primeiro orçamento
plurianual de um estado brasileiro; foram
construídas milhares de escolas e dezenas de
ginásios; e foram criadas a ERUSC (Empresa de
Eletrificação Rural de Santa Catarina) e a
Secretaria dos Negócios do Oeste.
Santa Catarina, durante seu governo, foi escolhida
como sede do encontro regional dos três estados do
Sul, com os governadores Leonel Brizola (Rio Grande
do Sul) e Ney Braga (Paraná) e a reunião aconteceu
no Palácio Rosado, hoje Palácio Cruz e Sousa.
Ivo Silveira – 1966 a 1971
Vice: Francisco Dall´Igna/ Jorge Konder Bornhausen
Em 31 de janeiro de 1966, Ivo Silveira, presidente
da Assembléia Legislativa, assume o cargo de
governador do Estado.
Em 10 de março de 1967, o vice Francisco Dall´Igna
teve seu cargo cassado por ser do PTB, partido do
presidente da república João Goulart, que havia sido
deposto em 31 de março de 1964. Assim, Jorge Konder
Bornhausen assume a vice-governança, permanecendo no
cargo até 15 de março de 1971.
Em seu governo, Silveira implantou uma ação, que
serviu de exemplo para o país, para resolver o
problema de perda de dinheiro dos produtores, que
não tinham armazéns para estocar sua produção,
vendendo-a na oportunidade certa. Ivo Silveira
determinou à Secretaria do PLAMEG que abrisse uma
linha de crédito especial, com juros baixos e prazos
longos, para financiar cooperativas agropecuárias
que quisessem construir seus armazéns. A atitude
motivou o governo federal a modificar as normas de
crédito bancário.
O governo de Ivo Silveira serviu mais uma vez de
exemplo ao país na reforma na rede de distribuição
de energia elétrica, que passou de 134 localidades
em 1966 para 715 em 1968.
GOVERNADORES DO ESTADO DE SANTA CATARINA ELEITOS POR
VOTO INDIRETO
Colombo Machado Salles – 1971 a 1975
Atílio Francisco Xavier Fontana
Em 15 de março de 1971, o engenheiro Colombo Machado
Salles assume o cargo de governador do Estado.
Seu governo fundamentou-se no Projeto Catarinense de
Desenvolvimento, depois transformado em Ação
Catarinense de Desenvolvimento. A estratégia do
projeto era a dinamização dos centros urbanos já
relativamente desenvolvidos, que concentrassem
parcelas de renda e estas permitissem um
reimpulsionamento econômico com repercussões
sociais.
Em seu governo, a mais cara de suas obras foi a
implantação de 85 mil telefones. Além disso, foi
construída a Ponte Colombo Salles.
Antônio Carlos Konder Reis – 1975 a 1979
Vice: Marcos Henrique Büechler
Em 15 de março de 1975, Antônio Carlos Konder Reis
assume o cargo de governador do Estado.
Na administração de Konder Reis, algumas obras e
serviços como a construção de rodovias federais
tiveram o apoio do governo federal, através do
presidente Geisel.
O lema do governo de Konder Reis era “Governar é
encurtar distâncias”. O lema se referia a encurtar
distâncias sociais e econômicas e a prioridade no
plano de governo era a construção de estradas.
Outras ações importantes: criação do BADESC (Banco
de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina);
eletrificação rural, através da ERUSC (Eletrificação
Rural de Santa Catarina); construção de novos
hospitais; instalação do CNPSA (Centro Nacional de
Pesquisa de Suínos e Aves), na área agrícola;
construção de vários campus universitários etc.
Jorge Konder Bornhausen – 1979 a 1982
Vice Henrique Córdova
Em 15 de março de 1979, Jorge Konder Bornhausen
assume o cargo de governador do Estado.
Em 05 de maio de 1980, Jorge Bornhausen viaja para o
exterior, assumindo, até o dia 12 de maio de 1980, o
governo o Presidente da Assembléia Legislativa
Deputado Moacir Bértoli.
Na administração de Bornhausen, pavimentou mil
quilômetros de rodovia em três anos; foi construído
o Terminal Rita Maria; instalou 15 quilômetros de
linhas de eletrificação rural; construiu o CIC
(Centro Integrado de Cultura) e a FCEE (Fundação
Catarinense de Educação Especial).
Bornhausen não terminou seu mandato em virtude de
ter se candidatado e eleito senador.
Henrique Helion Velho de Córdova – 1982 a 1983
Em 14 de maio de 1982, Jorge Bornhausen transmite o
cargo de governador ao Vice Henrique Córdova, em
virtude da renúncia advinda da eleição para seu novo
cargo.
Em 05 de janeiro de 1983, Henrique Córdova viaja
para o exterior em caráter particular, assumindo,
até o dia 10 de janeiro de 1983, o Desembargador
Francisco May Filho, Presidente do Tribunal de
Justiça.
Em 10 de janeiro de 1983, é transmitido o cargo de
governador, de Francisco May Filho, Presidente do
Tribunal de Justiça, ao Presidente da Assembléia
Legislativa Deputado Epitácio Bittencourt, até 27 de
janeiro de 1983.
As metas de seu governo eram o salário e as obras
municipais, sendo o primeiro governador a dar uma
reposição salarial fora dos padrões que existiam na
época. Por isso, foi a Brasília explicar porque
havia dado aumento acima dos limites: é que Santa
Catarina tinha condições para fazer isso, mas os
outros estados não.
GOVERNADORES DO ESTADO DE SANTA CATARINA A PARTIR DE
1983,
ELEITOS POR VOTO DIRETO
Esperidião Amin Helou Filho – 1983 a 1987
Vice Victor Fontana
Em 15 de março de 1983, Esperidião Amin Helou Filho
assume o cargo de governador do Estado.
Em 24 de junho de 1986, viaja para o exterior e o
Desembargador Geraldo Gama Salles, Presidente do
Tribunal de Justiça, assume o governo até o dia 01
de julho de 1986.
Amin criou, em sua administração, a Secretaria da
Reconstrução, extinta após o fim de seu governo, que
objetivava restaurar as perdas decorrentes das
enchentes de 1983 e 1984 e da seca de 1985.
O destaque de seu governo foi para os transportes:
foram construídos mais de mil quilômetros de
rodovias pavimentadas.
O apoio aos pequenos empresários rurais e urbanos
também foi algo positivo em seu governo: chegou a
criar uma linha de crédito no BESC, denominada
Pequenos Negócios.
Pedro Ivo Figueiredo de Campos – 1987 a 1990
Vice Casildo João Maldaner
Em 15 de março de 1987, Pedro Ivo Campos assume o
governo do Estado.
Em 27 de fevereiro de 1990, morre, de câncer, o
governador do Estado, Pedro Ivo Campos.
Houve um esforço do governo para a recuperação
financeira do Estado; além do BADESC, a principal
instituição financeira, o BESC era o grande desafio.
Para sanear o banco, a administração tomou várias
decisões como: redução no número de diretorias, de
infra-estrutura e de empregados, entre outras.
Destaca-se, neste governo, a reforma ou ampliação de
uma unidade de saúde por semana; a quadruplicação da
capacidade de processamento do CIASC.
Casildo Maldaner – 1990 a 1991
Em 28 de fevereiro de 1990, em decorrência da morte
de Pedro Ivo Campos, Casildo Maldaner assume o
governo do Estado.
Em 02 de janeiro de 1991, Casildo Maldaner viaja
para o exterior, assumindo o governo, até o dia 10
de janeiro de 1991, o Presidente da Assembléia
Legislativa, Deputado Heitor Sché.
Dentre as preocupações administrativas, destacou-se
a proteção com o meio ambiente, com a criação da
Companhia de Polícia de Proteção Ambiental.
Tornou-se popular pelo uso de frases e trocadilhos.
Vilson Pedro Kleinübing – 1991 a 1995
Vice Antônio Carlos Konder Reis
Em 15 de março de 1991, Vilson Pedro Kleinübing
assume o governo do Estado.
Em 25 de maio de 1992, Vilson Kleinübing viaja para
o exterior (Washington), assumindo o governo, até 01
de junho de 1992, o Deputado Otávio Gilson dos
Santos, Presidente da Assembléia Legislativa. Obs: O
Vice-governador Antônio Carlos Konder Reis viajou
nesta mesma época para a Antártida.
Em 02 de abril de 1994, Konder Reis assume o
governo, em virtude da renúncia do Senhor Vilson
Kleinübing, pelo imperativo da Legislação Eleitoral.
O SIM (Saúde, Instrução e Moradia) era o tripé no
qual apoiou o seu programa de governo. Porém, os
investimentos feitos atingem muitas outras áreas,
como as de tecnologia, transportes, turismo e
agricultura. A recuperação do patrimônio público, em
escolas e redes hospitalares, também foi um passo
importante para o Estado.
Paulo Afonso Evangelista Vieira – 1995 a 1999
Vice José Augusto Hülse
Em 01 de janeiro de 1995, Paulo Afonso Evangelista
Vieira assume o cargo de governador do Estado,
elegendo como diretrizes a “construção de um Estado
de Qualidade”, com diversos projetos em áreas
prioritárias.
Em 29 de janeiro de 1997, Paulo Afonso transmite o
cargo de governador ao Presidente da Assembléia
Legislativa Deputado Pedro Bittencourt Neto, que
permanece até 06 de fevereiro de 1997. Paulo Afonso
realizou viagem a Suíça, para participar da Reunião
Anual do World Economie Fórum, bem como outros
países europeus para contatos com empresários
estrangeiros e encontros com representantes de
instituições internacionais.
Em 22 de maio de 1998, Paulo Afonso transmite o
exercício do cargo de governador ao Exmo. Sr.
Desembargador João Martins, Presidente do Tribunal
de Justiça, que permanece até o dia 01 de junho de
1998.
Em 30 de julho de 1998, Paulo Afonso viaja ao
exterior, transmitindo o cargo de governador do
Estado ao Exmo. Sr. Desembargador João Martins,
Presidente da Assembléia Legislativa, que permanece
até 31 de julho de 1998.
Governo Esperidião Amin Helou Filho - 1999 a 2003
Vice Paulo Roberto Bauer
Em 01 de janeiro de 1999, o Exmo. Sr. Esperidião
Amin Helou Filho assume o governo do Estado.
Nessa sua segunda gestão, fixou cinco postulados
para seu planejamento governamental, a saber:
“Incluir, Crescer, Preservar, Parceria e Bom
Exemplo”.
Em 10 de janeiro de 2001, Esperidião Amin Helou
Filho viaja aos Estados Unidos da América, passando
o cargo de governador do Estado ao Deputado Gilmar
Knaesel, tendo em vista que o vice-governador está
em período de licença. O deputado permanece no cargo
até 14 de janeiro de 2001.
Em 10 de maio de 2002, Esperidião Amin Helou Filho
viaja ao exterior, passando o cargo de governador ao
Desembargador Antônio Fernando do Amaral e Silva,
Presidente do Tribunal de Justiça, que permanece até
o dia 21 de maio de 2002.
Em 13 de agosto de 2002, Esperidião Amin Helou Filho
viaja ao exterior, passando o cargo de governador ao
Desembargador Antônio Fernando do Amaral e Silva,
Presidente do Tribunal de Justiça, que permanece até
o dia 16-08-2002.
Governo Luiz Henrique da Silveira – 2003 a 2007
Vice Eduardo Pinho Moreira
Em 01 de janeiro de 2003, o Exmo. Sr. Luiz Henrique da Silveira
assume o governo do Estado.
O ponto chave de seu governo é a descentralização, para que o
governo esteja efetivamente presente em todo o território
catarinense. Para tanto, está sendo realizada uma reengenharia
da estrutura governamental, que promove a redistribuição de
funções, substituindo funções centralizadas por regionalizadas.
Essa regionalização fundamenta-se nas secretarias e nos
conselhos de desenvolvimento regional.
Além desta característica da gestão, estão presentes a
municipalização, a prioridade social e a modernização
tecnológica.
Bibliografia sobre história
de SC:
Agradecimentos ao Arquivo
Público de Santa Catarina e ao Instituto Geográfico e Histórico de Santa
Catarina.
Fontes consultadas:
Piazza, Walter Fernando. Santa Catarina: história da gente. Ed.
Lunardelli, 1989.
Atlas Geográfico de Santa Catarina. Governo do Estado de Santa Catarina.
1986.
Bibliografia sobre
governadores
Livro de atas do governo
Diário Catarinense - Caderno
Governadores de Santa Catarina, 25 de novembro de 1993
Cabral, Oswaldo Rodrigues -
História de Santa Catarina 3. ed.