|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
História do Brasil
A Expansão Marítima
No fim da Idade Média e início da Idade Moderna houveram grandes problemas econômicos na Europa. A produção agrícola era pequena porque o sistema feudal utilizava técnicas rudimentares, consequentemente havia falta de alimentos nas cidades. Já a produção artesanal nas cidades era alta mas não haviam consumidores, pois os camponeses que viviam em um sistema servil, não tinham dinheiro. Com uma população empobrecida e impossibilitada de pagar impostos, os nobres e senhores também não conseguiam comprar os produtos de luxo vindos do oriente (especiarias, pedras preciosas, objetos raros). A solução para o problema seria encontrar novos mercados, capazes de fornecer alimentos e metais a baixo custo, e ao mesmo tempo encontrar nestes mercados consumidores para os produtos europeus. Os mercados da Índia, da China e Japão eram controlados pelos mercadores árabes e quando os produtos chegavam até a Europa, já haviam passado por vários atravessadores (intermediários), encarecendo o preço. Mas se fosse descoberta uma nova rota marítima que ligasse a Europa diretamente ao oriente, o preço dos produtos seria reduzido. Então, no século XV, a burguesia européia, novamente apoia financeiramente as monarquias nacionais e em conjunto, começaram a lançar suas embarcações nos oceanos ainda desconhecidos (Atlântico, Índico e Pacífico) em busca de novos caminhos para o Oriente. Nessa aventura marítima, descobriram um mundo até então desconhecido: a América. Em 1492, o navegador italiano Cristóvão Colombo ofereceu ao rei e a rainha da Espanha o projeto de alcançar as Índias navegando para o ocidente, mas em sua viagem, navegando sempre em direção ao ocidente, Colombo encontrou no meio do caminho, novas terras, que ele pensou serem as índias. Na realidade, havia descoberto um novo continente, que depois foi chamado de América. Em 1498, o navegador português Vasco da Gama contornou o continente africano e navegando através do oceano Índico, atingiu a Índia pelo Oriente. Em 1500, “segundo a história oficial” os navegadores portugueses comandados por Pedro Álvares Cabral atravessaram o atlântico e ancoraram suas caravelas em terras desconhecidas: o Brasil. Com a descoberta de novas rotas comerciais, a burguesia encontrou outros mercados fornecedores de alimentos, de metais preciosos e de especiarias a baixo custo. Então, podemos afirmar que a expansão comercial e marítima dos tempos modernos foi, portanto, uma conseqüência da crise de crescimento da economia européia.
A Descoberta das Novas Terras
O oceano Atlântico sempre atraiu a curiosidade dos navegadores europeus, mas as poucas expedições que se aventuraram mar a dentro nunca mais voltaram, estes problemas geraram muitas lendas de monstros marinhos, águas ferventes e pedras-íman, que puxavam os barcos para o fundo. No século XIV ainda não se conhecia o real formato da terra, acreditava-se que a terra era plana como uma mesa, terminando em abismos sem fim. Mas haviam aqueles que a imaginavam redonda, mas para provar esta teoria seria necessário aperfeiçoar as técnicas de navegação. Neste sentido os Portugueses criaram a caravela, as naus (grande caravela), adaptaram a bússola para uso náutico, aperfeiçoaram o quadrante, o astrolábio a balestilha, e a cartografia. Todo este investimento por parte do governo Português tinha um fundo econômico que era o de controlar o comércio africano de ouro em pó e marfim, e neste sentido eles foram construindo feitorias em pontos avançados da África. O tráfico de escravos da Guiné tornou-se fonte de lucro para Portugal. Os bons resultados da exploração da costa africana pelo reino de Portugal despertou interesse de outras potências marítimas, nisto os reis da Espanha decidiram financiar os planos de um navegador Italiano, Cristóvão Colombo, que se propunha a encontrar outra rota marítima para as Índias navegando em direção ao oeste, pelo oceano Atlântico, Colombo defendia a idéia de que a Terra era esférica e que, portanto, se navegasse sempre em direção ao oeste, chegaria às Índias, localizadas no leste. No dia 3 de agosto de 1492 Colombo iniciou sua ambiciosa aventura, mas no dia 12 de outubro de 1492 aportou em uma pequena ilha do Caribe. Imediatamente julgou estar próximo das Índias, pois, não podia imaginar que entre a costa européia e a China e o Japão existia outro continente. Acreditando estar nas índias chamou seus habitantes de índios. Em 1506, Colombo morreu miseravelmente na cidade espanhola de Valladolid, ainda certo de que havia alcançado o Oriente. Somente em 1501, o navegador Américo Vespúcio, a serviço de Portugal, percorreu o litoral sul-americano e afirmou que as terras descobertas por Colombo tratavam-se de um grande continente desconhecido. Em homenagem a Américo Vespúcio, o novo continente recebeu seu nome: América. Em 20 de Maio de 1498 os portugueses alcançaram às Índias fazendo uma circunavegação na África, Esta expedição foi liderada por Vasco da Gama, que conseguiu estabelecer relações comerciais com os governantes Orientais proporcionando um lucro de 6000% a Coroa Portuguesa. No dia 9 de março de 1500 uma esquadra portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral “segundo a história oficial” partiu ruma às Índias, porém, as naus desviaram-se de sua rota original e, rumando para sudoeste, avistaram terra no dia 22 de Abril. Haviam chego ao Brasil. O descobrimento não foi obra do acaso. Desde a assinatura do tratado de tordesilhas (1494) a coroa portuguesa sabia da existência desse território. A expedição de Cabral teve por objetivo apenas tomar posse do território. A frota de Cabral percorreu o litoral brasileiro na altura da Bahia à procura de ouro, mas somente encontraram grande quantidade de uma madeira de boa qualidade conhecida como pau-brasil. Até 1503, nosso país era chamado pelos portugueses de Ilha de Vera Cruz. Posteriormente foi denominado, por Dom Manuel I, de terra de Santa Cruz. Pouco depois, pela importância que o comércio de pau-brasil adquiriu para Portugal, as novas terras receberam definitivamente o nome de Brasil.
O Pau-Brasil
Em maio de 1501, partiu de Portugal a primeira expedição de reconhecimento das terras recentemente descobertas, trazendo a bordo o navegante italiano Américo Vespúcio, nessa viagem, os portugueses tiveram um contato desastroso com os indígenas brasileiros: dois marinheiros que se embrenharam nas matas desapareceram e outro foi morto e devorado na praia, diante da tripulação aterrorizada que dos navios, assistia à cena. Dois anos depois uma nova expedição foi enviada ao Brasil, retornando a Portugal, no ano seguinte, com o primeiro carregamento de pau-brasil. A árvore, conhecida pelos índios com o nome de ibirapitanga (pau vermelho) tinha uma espécie semelhante cultivada no oriente, que servia para extrair um corante vermelho usado para tingir tecidos. A burguesia interessou-se pelo pau-brasil, pois possibilitaria bons lucros no centro têxtil de Flandres, com isso, foram feitos contratos de monopólio com um empresário e a coroa portuguesa, nestes contratos o empresário poderia extrair pau-brasil e, em troca, pagava ao rei uma certa quantia em dinheiro. Para administrar a extração e o comércio de pau-brasil, os portugueses construíram feitorias, que eram construções fortificadas, guardadas por soldados e destinadas a armazenar o produto para o comércio. Os índios ganhavam pequenos presentes, de pouco valor para os europeus – espelhos, tecidos, miçangas, facas, além de serras e machados de ferro, em pagamento pelo trabalho de derrubar as árvores e de transportar as toras para as naus portuguesas. O comércio de pau-brasil só terminou totalmente no século XIX, quando foram criados, na Alemanha, os produtos químicos para tintura. No início da extração de pau-brasil, foi difícil recrutar pessoas para sair da Europa e vir colonizar um país longínquo e estranho, cujos habitantes e cuja natureza eram considerados selvagens e hostis. Os primeiros portugueses que vieram para o Brasil foram Aventureiros, nobres decadentes, comerciantes ambiciosos, padres e muitos réus condenados que trocavam a pena de morte pelo exílio perpétuo no Brasil, mas a pena de ser mandado ao Brasil era igualmente temida pelos criminosos.
O Início da Colonização no Brasil
Na realidade Portugal só se interessou pelo Brasil quando o monopólio com o Oriente que durou apenas trinta anos se estagnou. Os navios (naus) chegavam da América Abarrotados de ouro tomados dos Astecas e Maias e se fossem descobertos ouro e prata no Brasil a monarquia Portuguesa estava salva da difícil situação financeira que passava, foi com este objetivo que a primeira expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza veio ao Brasil. A frota percorreu a costa brasileira e não encontrou os metais que buscava, em compensação fundou a primeira vila do Brasil (São Vicente) em 1532. Vinte anos depois o Brasil torna-se um grande centro produtor de açúcar para o mercado europeu. Na região de São Vicente, Martim Afonso de Souza introduziu o cultivo da cana de açúcar e construiu o primeiro engenho d’água da colônia. O açúcar de cana era um artigo de luxo largamente consumido pela nobreza européia. Era um bem tão precioso na Europa, que chegava a constar do dote de certas princesas. Alem disso, o Brasil possuía as condições naturais adequadas (clima tropical). O governo português dividiu então o território em grandes faixas de terra que iam do litoral até a linha de tordesilhas e estas faixas receberam o nome de capitanias, que foram doadas a portugueses ricos, que passaram a ser denominados donatários. Estas capitanias enfrentaram tantos problemas que alguns donatários desistiram, pois, no caso da capitania de Pernambuco um naufrágio vitimou novecentos tripulantes, impedindo assim a ocupação da mesma, no caso das capitanias da Bahia, Espírito Santo e São Tomé, estas conseguiram estabelecer e construir engenhos de açúcar, mas na medida em que os colonos expandiam-se com seus canaviais, desalojavam os índios de suas terras, os conflitos com os índios multiplicaram-se, e no caso da Bahia núcleos de povoamento foram arrasados pelos indígenas revoltados. Houve também rebeliões de colonos, que se recusavam a sujeitar-se à autoridade do donatário e criminosos e contrabandistas que vieram nas primeiras expedições colonizadoras e começaram a saquear as aldeias. Na capitania de São Vicente houve êxito, porque Martim Afonso de Souza implantou a lavoura canavieira e trouxe soldados mercenários para protegê-las. Mas a capitania de Pernambuco, confiada a Duarte Coelho foi a que mais prosperou, porque ele estimulou casamento entre europeus e indígenas, estabelecendo assim relações cordiais com os índios. Estabeleceu na capitania também a extração de pau- brasil, a criação de gado e o cultivo de algodão. Os canaviais alastraram-se rapidamente, dadas as condições excepcionalmente favoráveis do lugar. Mas o fim do modelo das capitanias hereditárias teve seu principal motivo gerado pela falta de controle central (do Governo Português), sobre a riqueza gerada pelos canaviais.
Colonização do Brasil.
Quando o açúcar do Brasil começou a apresentar alta lucratividade a coroa decidiu manter o sistema político descentralizado das capitanias hereditárias, em 1548 foi instituído então o primeiro governo geral, desde o princípio a missão colonizadora do governo português foi partilhada com a Igreja Católica. A força das armas e a propaganda da cruz uniram-se seus esforços na tarefa de dominar os nativos. A igreja, além de conquistar enormes contingentes de fiéis, ampliou seu patrimônio em terras e rendas. O primeiro Governador Geral foi Tomé de Souza, que fez um conjunto de leis especificando obrigações e direitos da Colônia, construiu Salvador (a primeira capital do Brasil) com o auxílio dos índios, proibiu a escravidão indígena, obrigou todos os colonos a usarem armas, e colocou as primeiras cabeças de gado na região. O Segundo Governador Geral foi Duarte da Costa, e sua administração foi marcada por várias dificuldades, pois seu filho, Álvaro da Costa resolveu combater os índios com grande violência, gerando uma indisposição com o bispo Dom Pero Fernandes, porque este acusava-o de maus-tratos com os indígenas. Também neste governo o Brasil foi invadido em 1555 por naus franceses que ocuparam o Rio de Janeiro, batizando a região de França Antártica e Duarte da Costa não tinha recursos para expulsar os invasores estrangeiros. O governo de Mem de Sá, procurou resolver a questão indígena, agrupando os índios que viviam em Salvador em grandes aldeias (As Missões), com isso procurava incorpora-las gradativamente à civilização cristã e protegê-los da escravidão. Mas, em contrapartida ele solucionou o problema da mão de obra para a lavoura canavieira com a importação de escravos africanos que chegaram pela primeira vez em 1559 e rapidamente o tráfico de negros cresceu e consequentemente, cresceu também a produção de açúcar. Em 1534 foi fundada Pelo padre espanhol Inácio de Loyola a Companhia de Jesus, que tinha como objetivo educar os povos na doutrina cristã tradicional contra a ofensiva protestante, que visava converter os povos pagãos da Ásia, África e América ao catolicismo e dependia da habilidade dos padres Jesuitas. Na região da Cidade de São Paulo, os jesuítas reuniram os índios em aldeias, as missões, onde catequizavam e alfabetizavam os índios, e com o decorrer do tempo, as missões penetraram no interior e tornaram-se economicamente auto-suficientes. Eram verdadeiros impérios da Igreja dentro dos domínios ibéricos. Os índios disciplinados eram cobiçados pelos colonos que não possuíam recursos para comprar escravos negros e estes começaram a atacar as missões até serem totalmente destruídas.
Brasil - Cana-de-Açúcar
Portugal organizou a exploração econômica do Brasil de modo a obter o maior lucro possível. Não encontrando ouro e prata nas terras brasileiras, os portugueses criaram grandes fazendas produtoras de Gêneros agrícolas tropicais, pois esses produtos alcançavam bons preços na Europa. A colonização da América baseou-se no latifúndio (grande fazenda), na monocultura (plantação de apenas um produto) e no trabalho escravo. Baseado nestes elementos podemos explicar como a América do norte (especialmente Estados Unidos) desenvolveu-se muito mais do que os países da América do Sul. 1- Na América do sul, a maior parte da população era extremamente pobre, mesmo nos latifúndios, embora ricos, produziam apenas cana-de-açúcar (monocultura), sendo assim, dependiam da importação de uma série de produtos europeus, que iam desde simples alimentos até os mais variados equipamentos e manufaturas, ou seja, no caso do Brasil, os latifundiários ganhavam muito dinheiro com a venda da cana, mais gastavam todo este dinheiro com a importação de produtos europeus, enriquecendo os países fornecedores. 2- Já no caso da colonização dos Estados Unidos, no século XVII, as famílias vieram para trabalhar na terra, produzindo o necessário a sua subsistência, ou seja, eles produziam um pouco de cada produto necessário para a manutenção das fazendas, evitando assim, importar produtos de outros países, e consequentemente desenvolvendo atividades industriais em seu próprio país
A plantação de cana-de-açúcar no Brasil teve seu maior desenvolvimento na região de Pernambuco, pois as condições climáticas eram muito favoráveis. A palavra engenho era utilizada para denominar apenas as instalações necessárias à fabricação do açúcar, com o passar do tempo, o termo passou a designar todo o latifúndio açucareiro, ou seja, passou-se a chamar todas as fazendas produtoras de açúcar de: engenhos. Nestes engenhos haviam quatro edificações principais: a Casa-grande (a residência do senhor e sua família), a Capela (uma pequena igreja comandada pela igreja católica), a Senzala (um galpão onde os escravos viviam amontoados sem nenhum conforto) e o Engenho (local onde ficavam os instrumentos para o beneficiamento da cana). Na sociedade açucareira, o senhor de engenho era o líder absoluto, dentro de sua propriedade ele exercia total autoridade sobre sua esposa, filhos e escravos. Os escravos eram considerados sem vontade própria, e para serem facilmente dominados, eram mantidos na ignorância. O tratamento dado aos escravos era baseado na violência física, qualquer erro era punido com os mais severos castigos (marcados a ferro quente, mutilados ou torturados até a morte). Estes maus-tratos causavam muitas rebeliões entre os escravos e, alguns deles começaram a fugir e refugiar-se em comunidades chamadas quilombos. O mais importante destes foi o quilombo dos Palmares, que chegou a abrigar cerca de 30 mil escravos fugitivos. Na sociedade açucareira tinham outros grupos de trabalhadores livres, brancos e mulatos que prestavam serviços ao senhor: - O mestre do açúcar (administrava a fabricação do açúcar) - O feitor ( cuidava dos trabalhadores escravos) - O capitão-do-mato (responsável pela captura de negros fugitivos) O comércio de escravos era extremamente lucrativo, pois além do Brasil, eles eram vendidos em muitos outros países. O comércio de escravos promoveu o enriquecimento da burguesia européia, mas por outro lado, foi responsável pela escravidão e morte de milhares de negros e indígenas. Isso constituiu, sem dúvida nenhuma, um dos maiores absurdos cometidos pelo homem em toda história da humanidade.
A União Ibérica
A União ibérica foi o período de 60 anos de 1580 a 1640 que Portugal e Espanha (Península Ibérica) foram governados por um único soberano. Felipe II então Rei da Espanha assumiu também o trono Português porque o rei de Portugal havia morrido e não tinha herdeiros diretos e neste caso o herdeiro mais próximo era o próprio rei da e Espanha. Diante disso, Felipe II que já tinha atrito com alguns países europeus, agora não consegue governar com eficiência seu território (Portugal e Espanha) e suas colônias na África e América.
A Invasão Francesa
Os franceses invadiram inicialmente a Paraíba, neste sentido foram muito habilidosos buscando apoio dos indígenas e fazendo acordo com eles, que na época eram muito maltratados pelos soldados portugueses. Desta forma se os portugueses quisessem expulsar os invasores franceses deveriam guerrear também com os índios. A França Equinocial (França Antártica) foi fundada em São Luiz do Maranhão com o objetivo comercial de explorar as Drogas do Sertão (cacau, cravo, canela, pimenta e outros produtos tropicais) que tinham ótimos preços na Europa.
A Invasão Holandesa
Desde o século XV a burguesia holandesa participava do lucrativo comércio do açúcar, comprando no Brasil e distribuindo na Europa. Com a União Ibérica Felipe II proibiu a entrada de navios holandeses no Brasil. Os holandeses revoltaram-se e resolveram invadir o Brasil para continuar negociando o açúcar brasileiro. Para isso, foi fundada a Companhia das Índias Ocidentais, que foi uma empresa que financiou a invasão holandesa no nordeste brasileiro. Inicialmente foi invadida a Bahia, mas os holandeses foram derrotados rapidamente pelos soldados coloniais. Logo após, formaram um poderosa frota e invadiram a Capitania de Pernambuco. Com a ajuda de um mulato português chamado Domingos Fernandes Calabar, que conhecia profundamente toda a região, os holandeses tomaram totalmente Pernambuco. Calabar foi chamado de traidor porque era Português e auxiliou os Holandeses na invasão do território de Pernambuco. Mas devemos nos ater ao detalhe que ele era português, mas nesta época em virtude a União Ibérica, Portugal estava sendo comandada por um rei espanhol, e isso não agradava a todos os portugueses, pois a própria união ibérica foi um ato de violação dos direitos Portugueses.
O Brasil dos Holandeses
Após a invasão, a companhia das índias ocidentais nomeou José Maurício de Nassau para governar Pernambuco (sede do Brasil Holandês). Nassau recuperou os engenhos de açúcar destruídos com a guerra, emprestou dinheiro aos senhores de engenho, facilitou a exportação de açúcar, promoveu uma reurbanização da cidade de Recife, pavimentando as ruas, construindo pontes e novos edifícios. Estas medidas agradaram a população e com isso Nassau conseguiu apoio dos proprietários dos engenhos. Aos escravos Nassau concedeu descanso obrigatório aos domingos, tornando-os também simpatizantes do Brasil Holandês.
Por volta do XVII, a Holanda estava em guerra de independência com a Espanha, por isso foram obrigados a reduzir seus gastos na manutenção do Brasil Holandês. A ordem da Holanda era para Maurício de Nassau obrigar os produtores de açúcar a saldar suas dívidas atrasadas e a pagar mais pelos escravos importados. Maurício de Nassau opôs-se a estas ordens. Foi demitido do cargo e obrigado a voltar à Holanda em 1644. Os novos governantes não conseguiram controlar os senhores de engenho que estavam descontentes com as novas orientações da Companhia das Índias Ocidentais e em 1654, os holandeses renderam-se às tropas coloniais e Pernambuco voltou para as mãos da Coroa Portuguesa.
A Política Colonial
Durante a União Ibérica (1580-1640), os inimigos da Espanha apossaram-se de muitos territórios do império português, gerando um descontentamento geral dos portugueses e fazendo com que a nobreza atacasse o palácio do governo espanhol em Lisboa e aclamasse o duque de Bragança como novo rei de Portugal, com o nome de Dom João IV. Esse fato deu início a uma guerra com a Espanha, que iria se prolongar por vinte e oito anos, desgastando as duas nações perante sua hegemonia na Europa. Ao assumir o trono português, Dom João IV tratou de garantir o apoio do governador geral do Brasil, Dom Jorge de Mascarenhas, mas, alguns setores da população da Colônia começaram a protestar contra a política de Portugal. Diante dessas manifestações de descontentamento, a coroa procurou endurecer o controle sobre a Colônia. Para isso foram criados diversos órgãos para controlar a metrópole, entre eles, o Conselho Ultramarino, que fiscalizava a contabilidade das colônias e o cumprimento dos acordos comerciais feitos com a Metrópole, e a Companhia Geral do Comércio do Brasil, que comprava todo açúcar produzido no Brasil, forçando a baixa do preço, e elevando o preço dos artigos europeus vendidos na Colônia, gerando enormes lucros para a Metrópole. As elites brasileiras protestaram contra essas medidas, mas para garantir o cumprimento delas, os portugueses contavam com tropas militares que eram formadas por tropas de linha (soldados profissionais geralmente portugueses, que eram responsáveis pela guarda pessoal dos governadores) e as milícias (soldados recrutados na própria colônia, comandados por oficiais da elite local). A Igreja Católica também foi um poderoso instrumento de dominação das populações coloniais, exemplo disso foi o arcebispo de Salvador que chegou a substituir o governador geral no exercício de funções políticas e até militares.
Os Bandeirantes
No início da colonização do Brasil, os objetivos do governo português e da Igreja eram, dominar as tribos indígenas que não aceitavam a presença do colonizador europeu. Com a União Ibérica, houve uma dificuldade de abastecer a lavoura brasileira com escravos africanos, por isso, houve um aumento na procura pela mão-de-obra nativa e o início das hostilidades entre o governo português que estimulava a escravidão dos índios, e a Companhia de Jesus, que procurava proteger e organizar os índios em aldeamentos distantes do litoral, chamados Missões. Nestas missões os índios guaranis dedicavam-se, entre outras coisas, ao cultivo de erva-mate, que era exportada pelos jesuítas para a Europa. Sempre perseguidos pelos bandeirantes paulistas, os jesuítas refugiaram-se na Amazônia, onde ergueram numerosas missões dedicadas à exploração comercial das drogas do sertão (cravo, canela, castanha, cacau, etc.) A trabalho da população indígena que vivia nessas aldeias era organizado pelos jesuítas. Enquanto alguns cultivavam a terra, outros produziam artesanalmente todos os artigos necessários à vida diária. A jornada de trabalho dos índios começava depois da missa matinal e terminava no início da tarde. Nas horas vagas, eles dedicavam-se a atividades culturais de caráter religioso. Com o aumento da necessidade de mão-de-obra na Colônia. A procura pelo escravo nativo estimulou a organização das Bandeiras de Preação, que eram formadas por homens simples e rudes. Alguns eram brancos e portavam armas de fogo. Mas a maior parte era composta de mamelucos e índios, armados de arco e flecha. A participação dos índios nas bandeiras era fundamental, pois eles conheciam a mata. Alguns historiadores calculam que cerca de 60 000 índios foram aprisionados pelas bandeiras. Mas os jesuítas da época estimaram em 300 000 o número de índios escravizados. Devemos observar que, se por um lado o trabalho desenvolvido pelas missões jesuíticas beneficiou os índios, por outro contribuiu para a perda de sua identidade cultural.
Brasil – (Novas Fronteiras)
Os bandeirantes paulistas ignoraram o tratado de Tordesilhas e incorporaram ao território de Portugal um enorme território que pertencia a Espanha. Os espanhóis, tentaram impedir o avanço bandeirante na região do Rio do Prata, porque era uma via de acesso para as minas de prata da Bolívia. Outro local disputado foi a Colônia de sacramento (atual Uruguai) porque era um centro de contrabando de prata, porém mais tarde o direito desse território foi dado a Espanha através do Tratado de Madri. Na região da Amazônia, franceses e portugueses lutavam pela posse de terras, mas em 1713 com ajuda da Inglaterra, os portugueses conseguiram expulsar os invasores por meio da assinatura do Tratado de Utrecht. Todos estes conflitos serviram para definir as novas fronteiras do Brasil, no século XVIII.
Brasil – O Ciclo do Ouro
No mesmo período em que acontecia a revolução Industrial na Inglaterra e com menos intensidade em vários países europeus, no Brasil foi descoberto ouro na região de Minas Gerais. Este ouro era levado para a Europa pelos portugueses e acabava finalmente nos bancos da Inglaterra, em pagamento de dívidas comerciais. Neste período (século XVIII) as regiões de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás tornaram-se sede das decisões políticas e econômicas da Colônia, e a vida em sociedade nestas regiões tornou-se basicamente urbana e o trabalho nas minas era realizado por escravos negros. Portugal apropriou-se de grande parte do ouro Brasileiro por meio de um rigoroso sistema de impostos, mas foi também este sistema de impostos que provocou a organização dos primeiros movimentos pela independência do Brasil.
As primeiras Minas, os primeiros arraiais
No desejo de achar ouro, paulistas, baianos, pernambucanos e, inclusive portugueses, chegavam às minas sem recursos. Apenas com a roupa do corpo e alguma coisa para a sobrevivência imediata, construíam suas cabanas de barro nas proximidades das jazidas. Aí se formavam logo um arraial. E assim que o ouro começava a rarear o território era abandonado e o arraial mudava-se para outra região produtiva. Onde as jazidas eram mais duradouras, os arraiais prosperavam e tornavam-se Vilas, exemplo: Vila Rica (1698), Sabará (1700) e Vila Boa (1726).
As diferentes técnicas de extração mineral
Haviam duas formas de exploração do ouro: as faisqueiras e as lavras. Nas faisqueiras obtinha-se ouro em pequenos grãos no fundo ou nas margens dos rios, usando-se uma grande peneira, as bateias. Nas lavras o ouro era retirado de veios das rochas e dos morros, e evidentemente esta técnica exigia mais capital, equipamentos e escravos. Na área das minas praticamente inexistiam atividades agrícolas ou industriais, por isso, eram dependentes da importação dos produtos europeus, vendidos por preços muito altos. Outro fator que encarecia os preços, era a grande distância que separava a região mineira dos portos. Isso fez desenvolver o Rio de janeiro, que por isso passou a ser a nova capital do Brasil. Uma série de estradas foram abertas para ligar essas regiões entre si, e o transporte fluvial também se intensificou.
A sociedade das vilas mineiras
Mesmo a população das minas sendo muito numerosa, isso não era problema, pois ela estava distribuída em uma série de vilas e arraiais espalhados em uma grande área. Nestas vilas, trabalhavam: alfaiates, sapateiros, latoeiros, ferrageiros, etc., também especializados na construção e decoração de Igrejas, encontravam-se: escultores, entalhadores, ourives, mestres-pedreiros e outros. Esta diversidade de grupos sociais era a principal diferença entre este modelo e a sociedade formada na zona açucareira nordestina, onde havia apenas senhores e escravos. Mas na exploração do ouro os escravos eram igualmente sujeitos à maus tratos e a péssimas condições de vida. E de outro lado encontramos uma elite branca em luxuosas mansões. Em 1726 foram descobertos diamantes em Minas Gerais, e sua extração era feita sob rigorosa fiscalização da Coroa, para evitar o contrabando. A rápida expansão da exploração de diamantes foi acompanhada de uma decadência na mesma velocidade.
A cobrança dos Impostos
A cada ano o governo português tornava-se mais dependente das riquezas retiradas do Brasil, para pagar sua conta com os produtos manufaturados importados da Inglaterra, e por isso, impôs uma severa fiscalização à exploração das minas. E, em 1702 foi instituído o quinto, que era o imposto correspondente à Quinta parte do ouro extraído no Brasil. A cobrança do quinto tornou-se difícil por causa da circulação do ouro em pó, o que facilitava o contrabando. Muitos mineiros, por exemplo, escondiam o ouro em pó no cabelo dos escravos ou no interior de santos de madeira. Para resolver este problema o governo português criou as casas de fundição, onde todo ouro extraído das minas devia ser entregue a essas repartições. Aí, ele era fundido em barras, com o selo real, e o quinto, recolhido ao governo. Como se não bastasse, a Coroa criou um novo imposto, a capitação, que cada minerador pagava em função do número de escravos que possuísse. Por fim a partir de 1750, o governo português estabeleceu que a colônia deveria fornecer anualmente cem arrobas de ouro à Metrópole. Nos primeiros dez anos esta quantia foi paga, mas com o esgotamento das minas, o pagamento desses impostos começou a sofrer atraso. A decadência das minas O ouro das lavras começou a escassear, faltavam aos mineradores métodos eficientes para explorar os veios mais profundos das rochas. A coroa portuguesa ignorava este fato, e em 1765 decretou a derrama, ou seja, a cobrança forçada e oficial. Esta medida radical provocou a revolta de intelectuais como, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, que começaram a questionar a própria dependência do Brasil em relação a Portugal.
Primeiras rebeliões coloniais
As primeiras manifestações de descontentamento não chegaram a propor a união dos Brasileiros numa luta comum pela independência. O fato de essas lutas estarem voltadas para problemas locais contribuiu para seu fracasso. Todas elas, sem exceção, foram sufocadas pelas tropas portuguesas.
A guerra dos Mascates
Na sociedade açucareira, Pernambuco foi a capitania que mais prosperou, mas com a concorrência do açúcar produzido nas Antilhas holandesas, o preço desse produto baixou muito, e o lucro dos senhores de engenho Nordestinos diminuiu. Para enfrentar suas despesas, eles contraíram dívidas junto aos comerciantes de recife. Assim foi criado um clima de rivalidade entre fazendeiros arruinados de Olinda e comerciantes de Recife, apelidados de Mascates, tentando cobrar seus empréstimos. Essa disputa assumiu um caráter nacionalista, pois, a aristocracia de Olinda era basicamente de origem Brasileira, enquanto os mascates do Recife, em sua maioria, eram imigrantes portugueses. O governo intercedeu nesta disputa e elevou Recife à condição de Vila independente de Olinda. Os senhores reagiram e formaram uma milícia, invadiram Recife e destruíram o pelourinho, símbolo do poder político. Os mascates reagiram, dando início aos combates, que somente tiveram fim em 1711, quando o governo conciliou as duas partes. No entanto os mascates de Recife foram beneficiados, pois a vila do Recife tornou-se política e economicamente mais importante do que a de Olinda.
A guerra dos Emboabas
Após a descoberta de ouro em Minas Gerais, os Paulistas, como chegaram primeiro na região, achavam que tinham o direito exclusivo sobre as terras. Mas os forasteiros (portugueses, baianos e pernambucanos) tornavam-se cada vez mais numerosos, ameaçando os interesses paulistas. A palavra Emboaba é de origem indígena e significa: “forasteiro” ,“inimigo”. As lutas se estenderam por dois anos e os Emboabas, mais ricos do que os paulistas, foram conseguindo sucessivas vitórias. Até que eles fizeram um acordo de paz: os paulistas se rendiam e, em troca, os Emboabas concediam-lhes a liberdade. Imediatamente, os paulistas se renderam. Mas os Emboabas covardemente não cumpriram sua parte no acordo. Tão logo os paulistas depuseram suas armas, os Emboabas mataram todos, cerca de trezentas pessoas. E jogaram seus corpos no Rio.
A revolta de Vila Rica ou a revolta de Filipe dos Santos
A taxação excessiva da Metrópole portuguesa provocou essa nova rebelião. Contrariados com a instituição das casas de fundição os donos das minas passaram a Ter menos lucros e imediatamente começaram a armar a população de Vila Rica. Ao mesmo tempo, reforços militares eram trazidos de Portugal para manter a ordem na região. Liderando os Brasileiros, o tropeiro Filipe dos Santos, promoveu uma marcha até a cidade de Mariana (sede da capitania) com o objetivo de matar o governador, Conde de Assumar. Como o governador não tinha condições de reagir, ele prometeu que iria atender as reivindicações: acabar com as casas de fundição e isentar o comércio local dos impostos. Diante dessas promessas, os rebeldes voltaram para vila rica. O Conde aproveitou-se então da trégua para agir. Reuniu rapidamente um exército, que conseguiu prender as lideranças do movimento e incendiar suas casas. Muitos foram deportados para Lisboa, mas Filipe dos Santos foi condenado e executado.
A economia e a sociedade Brasileira no final do século XVIII
O esgotamento das jazidas de ouro no Brasil provocou a volta à economia agrícola, baseada no algodão e na cana-de-açúcar. Estas atividades geraram desenvolvimento em cidades portuárias como: Rio de janeiro, Salvador, Recife, São Juiz e Belém. E os profissionais ligados à cidade, como o comerciante, o artesão, o funcionário público, passaram a fazer parte da sociedade Brasileira. Após a morte de Dom José I, em 1777, o trono português foi ocupado por sua filha dona Maria, que era Católica e contrária às idéias pregadas pelo marquês de Pombal, a exemplo disso, ela libertou da prisão muitos inimigos do Marquês, e autorizou que membros da Igreja exilados retornassem para a metrópole. Os portugueses não entendiam que a pobreza por que passavam não era resultado de uma agricultura deficiente, mas da inexistência de indústrias em Portugal. Neste sentido, a Inglaterra era a principal potência mundial, porque foi nela que surgiram as primeiras fábricas, e com elas, os ingleses passaram a produzir tecidos em grande quantidade e a baixo custo. Mas para isso, era necessário controlar os mercados produtores de algodão. E o Brasil era um desses mercados. O desenvolvimento da indústria de algodão no Brasil, coincidiu com a diminuição da produção na América do norte, pois eles estavam passando por lutas pela independência das Colônias Americanas do Norte. O comércio de algodão no Brasil era controlado pela companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão, criada pelo marquês de Pombal. Mas a Inglaterra logo pressionou o governo português e acabou com esta companhia em 1778. Logo a poderosa Marinha Inglesa começou a negociar diretamente com o Brasil, e por meio de contrabando, seus navios saíam dos portos Brasileiros abarrotados de algodão. O contrabando prejudicou a metrópole, mas por outro lado, desenvolveu a colônia, pois formou um mercado intenso de exportação de algodão. Nos centros urbanos, surgiu um grande número de pequenas manufaturas: olarias, curtumes, fábricas de corda e pólvora. A coroa portuguesa tratou de frear este desenvolvimento manufatureiro no Brasil, pois os produtos Brasileiros passavam a concorrer com os europeus. Para isso em 1785 foi editada uma lei que extinguia todas as manufaturas têxteis do Brasil, obrigando os colonos a consumir somente produtos ingleses. O comércio com o Brasil era extremamente importante para a economia portuguesa, pois, pagava suas próprias importações junto às nações industrializadas da Europa, principalmente Inglaterra. Uma das principais características do final do século XVIII no Brasil, foi o aumento vertiginoso de população que em cem anos, aumentou dez vezes. Os colonos espalhavam-se por um extenso território, que ia do Rio Amazonas aos Pampas Gaúchos. As maiores concentrações encontravam-se nas cidades litorâneas (Salvador, Recife e Rio de Janeiro). A maior parte da população era composta por mestiços e escravos negros. Os brancos formavam uma minoria, que dominava os demais. A população pobre tinha poucas opções de lazer (carnaval, festas religiosas, touradas e cavalhadas). Já os ricos, organizavam festas de salão (sarau) com recitação de poesia, danças e músicas. Os membros desta elite vestiam-se com roupas francesas e eram carregados pela rua, em cadeiras ou redes transportados por escravos. A elite Brasileira começou a mandar seus filhos para estudar em universidades Européias. E foi esta elite intelectual formada na Europa e tendo contato com as idéias iluministas, que começou a conspirar para que o Brasil se separasse definitivamente de Portugal.
Revoltas pela Independência
As idéias dos pensadores franceses e o exemplo da independência dos Estados Unidos estimularam uma série de rebeliões contra a metrópole: a inconfidência Mineira (1789), a Conjuração Baiana (1798) e a Conjuração dos Suaçunas (1801). Mas não foi somente as estas idéias estrangeiras que geraram estes movimentos, pois a população colonial estava profundamente insatisfeita com a política portuguesa, que aumentava abusivamente os impostos.
A inconfidência Mineira
A elite mineira, contrária às medidas da metrópole, começou a aceitar com entusiasmo os ideais de “liberdade” e “independência”, trazidas à colônia pelos estudantes formados nas universidades européias. Quando as minas de ouro começaram a dar menos lucro, os mineradores também não pagavam corretamente os impostos. Imediatamente foi nomeado um governador autoritário para a capitania de Minas Gerais: Luiz Antônio Furtado de Mendonça, visconde de Barbacena. Ele fixou em cem arrobas anuais a quantidade de ouro a ser paga pelos colonos a Coroa, decretou a derrama (cobrança forçada) de todos os impostos atrasados e aumentou as taxas sobre os produtos importados, tornando-os mais caros. Estas medidas deram início a conspiração conhecida como Inconfidência Mineira. O grupo que organizou o movimento era formado por, intelectuais, militares, padres fazendeiros e comerciantes. Tendo como líder, um dos membros de origem relativamente simples, apelidado de Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier, era dentista e soldado da cavalaria. A diferença entre Tiradentes e os outros membros do movimento era que, ele tinha o objetivo de livrar o Brasil do domínio português, enquanto alguns, usavam a rebelião como pretexto para seus interesses pessoais, como livrar-se de dívidas atrasadas ou praticar livremente o contrabando. Os revoltosos reuniam-se em Vila Rica, e baseavam-se na Declaração de Independência dos Estados Unidos, e seus principais objetivos eram: - Transformar o Brasil em uma República Livre - Introduzir a indústria manufatureira, para diminuir as importações - Instalar Universidades em Vila Rica e escolas e hospitais no Brasil - Reformar o exército Algumas questões dividiam as opiniões dos inconfidentes. Por exemplo: A escravidão seria abolida ou não ? Os portugueses continuariam no Brasil ou seriam expulsos ?. Essas dúvidas mostraram o caráter aristocrático e pouco popular, do movimento. E foi exatamente a falta de uma base séria a principal causa de seu fracasso. Os revoltosos combinaram que o movimento teria início quando o governador anunciasse a derrama, mas no dia 15 de março de 1789, um traidor, chamado Joaquim Silvério dos Reis, em troca do perdão de suas dívidas, revelou ao Visconde de Barbacena os planos da conspiração. Imediatamente o governador suspendeu a derrama e os inconfidentes foram presos. Tiradentes encontrava-se no Rio de Janeiro, buscando apoio da Capital. Ele tentou refugiar-se, mas foi preso e executado no dia 21 de Abril de 1792, ele foi enforcado em praça pública, no Rio de janeiro. Seu corpo foi esquartejado, e suas partes foram pregadas em postes pelo caminho até Minas. Sua cabeça foi cortada e levada a Vila Rica num barril de sal, onde ficou exposta na praça do Palácio. A cabeça de Tiradentes foi roubada e nunca mais reapareceu. A de se salientar que, a maioria dos inconfidentes negou sua responsabilidade no movimento. O único que assumiu a culpa foi Tiradentes.
A Vida Cultural no Brasil Colônia
Durante o período colonial, Portugal dominava a vida política e econômica do Brasil, mas no final do século XVIII surgiram, em Minas Gerais, os primeiros artistas que produziram uma arte original e independente. Estes artistas projetavam Igrejas e faziam esculturas em madeira e pedra sabão. Nesta época, a sociedade européia passava por grandes transformações, pois, nos países em que a burguesia prosperava, também se intensificava o protestantismo, que valorizava o lucro. Esta nova ordem européia abalou o poder e o prestígio da Igreja Católica. Como forma de impressionar e tentar recuperar fieis, a Igreja começou a investir na arte. As paredes das Igrejas começaram a ser cobertas com pinturas, e por todo continente europeu foram construídas Igrejas monumentais. Tanto as pinturas como as esculturas representavam de forma dramática os personagens sagrados – Cristo, Nossa Senhora e os santos. Essa maneira de representar: pinturas, esculturas e literatura, caracterizou um estilo que recebeu o nome de barroco, e este foi um movimento especialmente vigoroso nos países tradicionalmente católicos ( Portugal e Espanha ) . O maior artista do período barroco foi Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814). Iniciou sua carreira fazendo trabalho de talha em pedra-sabão. Mais tarde, além de escultor, tornou-se arquiteto. O caráter conturbado e essencialmente católico da arte barroca não combinava com o conjunto de idéias que estava chegando ao Brasil. Os burgueses desejavam uma arte organizada e racional, que inspirasse nos espectadores uma imagem estável e segura do mundo. Surgiu assim o arcadismo (Arcádia = região da Grécia Antiga), e neste movimento os artistas representavam um ideal de vida simples, em contato com a natureza. Na literatura, os escritores arcadistas, denunciavam em seus escritos, os abusos do fisco português e as injustiças cometidas contra a população Brasileira. Portanto, esta forma de literatura tornou-se essencialmente crítica, e não foi ocasional a participação de Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, juntamente com outros companheiros, no movimento que buscou fazer deste desejo uma realidade: a Inconfidência Mineira.
A Corte Portuguesa no Brasil
Como vimos em capítulos anteriores, a expansão do Império Napoleônico, provocou a vinda da Família real Portuguesa para o Brasil, que através de um acordo secreto datado de 1807, a Inglaterra comprometeu-se a proteger os navios portugueses que conduziriam a Corte ao Brasil, Mas em troca, Dom João teve de se submeter a várias exigências, dentre elas: - Manter as colônias abertas ao mercado inglês - Manter a frota marítima portuguesa sob comando da Inglaterra - Permitir aos ingleses usar os portos do Reino Essas medidas representaram, na verdade, para o monarca português, que livrar-se de Napoleão significou entregar-se aos ingleses. A corte portuguesa chegou ao Brasil em janeiro de 1808, logo Dom João cumpriu sua parte do acordo editando uma medida que foi a abertura dos portos da Colônia à Inglaterra e outras Nações Amigas, com exceção de França e Espanha. Essa medida prejudicou os comerciantes do Reino, pois, com a concorrência estrangeira, sobretudo inglesa, a burguesia portuguesa teve graves prejuízos. Já para os colonos, a abertura dos portos representou a possibilidade de obter melhores preços tanto nos produtos importados como para as mercadorias exportadas. Mas no contexto geral o Brasil continuava dependente do mercado externo e com dificuldades para promover seu próprio processo de industrialização.
O Reinado de Dom João
A abertura dos portos, decretada por Dom João em 1808, não satisfez plenamente aos interesses britânicos. Eles queriam mais privilégios. Neste sentido, Dom João fez um acordo que reduzia os impostos sobre produtos ingleses, estabeleceu o direito da Inglaterra comercializar dentro do Brasil, e concedeu o privilégio aos britânicos, de serem julgados por tribunais ingleses, caso cometessem algum crime no Brasil. Após este conjunto de medidas, o Brasil tornou-se assim um dos principais mercados consumidores dos produtos ingleses, beneficiando os exportadores Brasileiros de matérias-primas, e prejudicando os comerciantes portugueses, que praticamente perderam seu antigo mercado colonial. Os portugueses protestaram, mas as pressões inglesa e Brasileira foram mais fortes, criando conflitos entre a Corte e a elite local, pois Dom João confiscou algumas propriedades de ricos latifundiários da capital, para nelas instalar os nobres lusitanos, e indicou também portugueses para ocupar cargos importantes no governo. O governo português estava sempre sem dinheiro, pois gastava muito mais do que arrecadava. Dom João resolveu também empreender algumas conquistas territoriais nas fronteiras, o que foi o caso da invasão da Guiana Francesa em 1809, e a ocupação do Uruguai em 1817 (Província Cisplatina). Estes novos territórios foram anexados ao reino Português. Para levar adiante todas essas conquistas militares, Dom João aumentou impostos, criou outros impostos, e pediu empréstimos a bancos ingleses. Esses medidas geraram dívidas e inflação, além de protestos da elite colonial. Desde 1815, quando Napoleão foi vencido, já era esperada a volta de Dom João à Portugal, mas, o príncipe regente não queria trocar seus negócios no Brasil pela Metrópole empobrecida por anos de guerra. Com isso o príncipe aceitou rapidamente a sugestão da França, em mudar a condição do Brasil, transformando-o de Colônia a Reino Unido de Portugal. Desse modo, a Corte Portuguesa conseguiu prolongar sua permanência no Brasil. Mas a burguesia portuguesa continuava a exigir a volta imediata do príncipe a Portugal. Em sua estadia no Brasil, Dom João promoveu na cidade do Rio de Janeiro o alargamento das ruas principais, a ampliação do porto, a construção de novos edifícios públicos, como o da Faculdade de medicina e Engenharia, a criação do Banco do Brasil, e a construção da Real biblioteca. Também devemos destacar que a chegada da família real no Brasil acabou por enriquecer a vida cultural da Capital. Sobretudo porque, nessa época, a cidade começou a receber cientistas e artistas europeus, a convite de Dom João. A maior parte de população da capital, no início do século XIX, era formada por escravos e mulatos assalariados. Os mulatos moravam nas ruas centrais em casebres. Apenas os negros andavam a pé. Os demais serviam-se de cavalos, carruagens ou liteiras. A minoria rica, vivia nos subúrbios, em palacetes de até quatro andares. Alguns estudiosos afirmam que nesta época, na cidade do Rio de janeiro, encontrava-se muito mais luxo do que em muitas cidades européias.
A Revolução Pernambucana de 1817
Durante o processo de Independência dos estados Unidos, os Latifundiários nordestinos, sobretudo do maranhão e Pernambuco ligados ao setor de algodão, obtiveram grandes lucros com a comercialização do algodão Brasileiro, pois o mercado externo absorvia toda a produção colonial. Os fazendeiros ligados a cultura açucareira também estavam sendo beneficiados pela revolta de escravos negros no Haiti, principal concorrente Brasileiro. Neste sentido, o nordeste encontrava-se em um momento de desenvolvimento econômico gerado principalmente pelos problemas internos de seus concorrentes internacionais. No entanto, poucos anos depois, a situação viria a agravar-se rapidamente, pois, a situação interna desses países se normalizou e os produtores norte-americanos e haitianos se reestruturaram. Além disso, em 1815 as potências vencedoras contra Napoleão passaram a forçar a baixa dos preços dos produtos agrícolas, e na mesma época, uma violenta seca assolou o nordeste Brasileiro. Diante de todos esses problemas, a população colonial do nordeste continuava obrigada a pagar altos impostos para sustentar o luxo da Coroa Portuguesa no Rio de Janeiro. Em Pernambuco, os produtores de algodão, pequenos comerciantes, artesãos, padres e militares, começaram a entrar em conflito com os comerciantes portugueses que controlavam as exportações e o tráfico negreiro. Todos os conspiradores eram republicanos, mas poucos queriam a libertação dos escravos. Diante dos rumores de um levante, o Governador de Pernambuco, Caetano Pinto Montenegro, ordenou a prisão de alguns civis. No entanto, os militares reagiram, matando dois oficiais portugueses e dando início ao movimento. Rapidamente os quartéis receberam apoio da população faminta e em 8 de março de 1817, o governador foi deposto e expulso da capitania. Um governo provisório, formado por representantes da elite, assumiu o poder em Pernambuco, determinando o estabelecimento do regime republicano, a liberdade de comércio, a criação de novas moedas e a liberdade de imprensa. A nova nação nordestina recebeu apoio da Paraíba, do Rio Grande do Norte e Ceará. Tentou também ser reconhecida no exterior, entrando em contato com Inglaterra, Estados Unidos e Argentina , mas a tentativa foi em vão. Imediatamente o governo de Dom João mobilizou todas as tropas do Rio e seguiu para o nordeste. Houveram alguns combates no interior de Pernambuco e Paraíba, onde o governo obteve a maioria das vitórias. Finalmente no dia 19 de maio de 1817, as tropas da Coroa bloquearam o porto de Recife, invadiram a cidade e retiraram o governo provisório, pondo fim a Revolução Pernambucana. Alguns historiadores defendem a tese de que se os revolucionários pernambucanos tivessem abolido a escravidão negra e usado a imensa população de negros como força militar o movimento teria germinado, e talvez nossa independência teria se antecipado alguns anos. A Independência do Brasil
A transferência da Família Real portuguesa para o Brasil, em 1808, em virtude da invasão Francesa, fez com que o país mergulhasse em uma grave crise econômica. Esta crise gerou uma fragilidade defensiva. E em 1810, Portugal foi ocupada por tropas inglesas. Oito anos depois, na cidade do Porto, fundava-se uma sociedade secreta para expulsar os invasores ingleses. O movimento chamado Revolução do Porto conseguiu seus objetivos em 1820, quando livraram Portugal do domínio inglês. Os revolucionários convocaram um Parlamento, as Cortes e elaboraram uma nova constituição. Exigiam também a volta imediata de Dom João a Portugal, pois nesta época ele já havia sido coroado Rei, em virtude da morte de sua mãe, dona Maria I. No Brasil um levante militar obrigou Dom João a reconhecer a Constituição portuguesa e atender prontamente às ordens das Cortes, deixando o Brasil. E em abril de 1821 Dom João seguiu para Portugal levando todo o ouro do Banco do Brasil deixando apenas como herança, seu filho Dom Pedro, como regente. Inicialmente, alguns comerciantes Brasileiros foram chamados para compor o governo, mas em 1821, o governo português aumentou as taxas alfandegárias sobre as mercadorias importadas da Inglaterra, Com isso, Portugal pretendia recuperar o monopólio comercial sobre o Brasil. As elites Brasileiras, beneficiadas pelo livre comércio com a Inglaterra, procuraram impedir esse retrocesso, fundando o partido político chamado Partido Brasileiro, liderado por José Bonifácio de Andrada e Silva. Este temia que, se o poder não estivesse fortemente centralizado na pessoa de um soberano, o Brasil poderia se fragmentar em vários países. Já a classe média que havia se formado no Rio de janeiro, composta por funcionários públicos, profissionais liberais, militares e padres, assumiu uma posição mais radical em favor da independência. Além da independência, queriam a: abolição da escravatura e a proclamação da República. Embora com idéias diferentes, o Partido Brasileiro e os Liberais Radicais uniram-se na luta pela independência. Em meio a esta agitação política, a Corte portuguesa começou a exigir o retorno de Dom Pedro a Portugal. Imediatamente os dois grupos políticos promoveram um grande abaixo-assinado no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, pedindo ao príncipe regente que ele não abandonasse o Brasil. No dia 9 de Janeiro de 1822, após receber o documento, Dom Pedro tomou a decisão de ficar. Este episódio histórico ficou conhecido como “O Dia do Fico”. E evidentemente caracterizou um ato de desobediência e rompimento das relações do governo Brasileiro com o governo português. Dom Pedro, afastou de seu governo todos os ministros comprometidos com a política das Cortes, e nomeou José Bonifácio para ministro. Em abril de 1822, o novo ministro decidiu que as ordens de Portugal só seriam obedecidas no Brasil após o “cumpra-se” de Dom Pedro. Neste mesma época, intensificavam-se os conflitos de interesses entre o Partido Brasileiro e os Liberais Radicais. Mas Dom Pedro apoiou o Partido Brasileiro, pois ele também pensava que os privilégios de uma pequena minoria deveriam ser mantidos e os tumultos, evitados. Essa mesma posição era defendida pela Inglaterra, a quem interessava preservar seu lucrativo comércio com a elite Brasileira. A corte portuguesa considerou ilegal o governo de Dom Pedro e ameaçavam invadir a colônia. Diante dessas notícias, Dom Pedro, no dia 7 de setembro de 1822, resolveu proclamar a independência do Brasil. Este fato ocorreu às margens do riacho do Ipiranga, num local próximo à cidade de São Paulo, pois Dom Pedro voltava de uma viagem a Santos, quando recebeu a notícia da possível invasão, e imediatamente tomou a decisão em meio a um pequeno grupo de pessoas. A Independência do Brasil, não foi resultado da coragem de Dom Pedro, Seu gesto na verdade, foi a finalização de um processo que tinha começado muito antes. Já em 1808, com a abertura dos portos, que tirou o Brasil da influência portuguesa. Também a elite Brasileira que liderou o movimento, tratava-se de garantir o fim do monopólio comercial, sem alterar a estrutura da sociedade colonial. Em síntese, a Independência do Brasil não alterou as condições de vida da grande maioria de população. Os assalariados continuaram tentando sobreviver nos campos e na cidade e os escravos continuaram sendo brutalmente explorados pelo homem branco do “Brasil Independente”.
O Primeiro Reinado (1822-1831)
O Brasil tornou-se uma “nação independente” sob comando de Dom Pedro, que foi declarado imperador com o título de Dom Pedro I. Inicialmente, ele foi apoiado pela elite brasileira e pela Inglaterra, mas dois anos após à independência, Dom Pedro I, passou a governar com poderes quase absolutos, e afastou a aristocracia brasileira do poder político. Estas medidas provocaram confrontos entre políticos portugueses e brasileiros. Os problemas do governo aumentaram após 1825, quando o Brasil perdeu a província Cisplatina, atual território do Uruguai. No dia 3 de maio de 1823, Dom Pedro I reuniu a Assembléia Constituinte com a tarefa de elaborar uma Constituição para o Brasil. Os Deputados e Senadores participantes da Assembléia eram quase todos grandes latifundiários ricos. No entendimento do Imperador, estes políticos acabaram por elaborar uma constituição, que prestigiava e concedia muitos poderes aos deputados brasileiros. Em virtude disso, o Imperador preparou então um golpe de estado contra a elite brasileira, com o apoio do Partido Português e das cortes de Lisboa. No dia 12 de novembro de 1823, ele cercou com sua guarda o edifício da Assembléia e ordenou a prisão da maioria dos deputados. Imediatamente Dom Pedro I convocou um conselho para reformular o projeto constitucional de 1823, popularmente conhecido como Constituição da Mandioca, pois, em um de seus principais artigos dizia: Apenas os homens ricos, possuidores de uma renda anual superior a 150 alqueires de farinha de mandioca, seriam considerados cidadãos ativos. A nova constituição, agora aprovada pelo Imperador em 1824, fortaleceu muito sua autoridade, pois além de exercer o poder executivo, Dom Pedro passou a exercer também o Poder Moderador que dava a ele o direito de: - suspender as eleições e escolher ministros e juizes - anular as decisões da Câmara Legislativa - nomear os presidentes das províncias Esta constituição limitou a participação da elite brasileira na política. Por isso, os donos de terras passaram a criticar o Imperador. Esta situação gerou em Pernambuco a tentativa de proclamação de um estado independente. A idéia de ampliar a autonomia das províncias era apoiada pelo governador pernambucano, o latifundiário Manuel Pais de Andrade.
Quando Dom Pedro tentou destituir Pais de Andrade, em 1824, teve início a revolução denominada Confederação do Equador, que imediatamente foi apoiada por Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Ceará. Mas, faltava aos rebeldes maior preparo militar para enfrentar as tropas do Imperador. Dom Pedro conseguiu um novo empréstimo junto à Inglaterra, e em 1824, após alguns combates, a capital e a cidade de Olinda caíram nas mãos dos atacantes. As demais províncias da confederação renderam-se sem resistência. Com relação a escravidão, sabemos que a Inglaterra pretendia e patrocinava a sua abolição, pois, o trabalho assalariado era mais adequado para o comercio internacional. Neste sentido, Dom Pedro comprometeu-se a pôr fim ao regime de escravidão, mas tudo isso tinha um preço. Os tratados comerciais que a Inglaterra e outras nações européias impuseram ao governo, em troca de seu reconhecimento e legitimação, tornaram a situação econômica do Brasil muito difícil. Pois o país importava muito mais do que exportava. Gerando dívidas e inflação. Este clima de insatisfação e de oposição aos portugueses, caracterizou a sociedade brasileira durante o Primeiro Reinado. Porque desde a constituição outorgada de 1824 o Imperador mantinha-se isolado dos políticos brasileiros, e somente contava com o apoio de alguns amigos íntimos, do partido Português. No ano de 1826, quando Dom João morreu em Portugal, e Dom Pedro tornou-se o principal herdeiro do trono português, a elite brasileira ficou preocupada com a possibilidade de o Brasil voltar a se unir a Portugal. Para afastar esses temores, o imperador renunciou ao governo de Portugal em nome de sua filha, Maria da Glória. Em 1830, eclodiu na França a revolução Liberal contra o poder absoluto da monarquia. Essas idéias tiveram repercussão no Brasil, levando os principais jornais a se manifestaram sobre o assunto. Por causa dessas críticas, Líbero Badaró, redator de um jornal paulistano, foi assassinado. E a morte dele intensificou ainda mais os distúrbios entre portugueses e brasileiros por toda parte. Na capital, os comerciantes portugueses enfrentaram populares e estudantes cariocas em violentos choques de rua que ficaram conhecidos como a noite das garrafadas. Por traz dessas manifestações contra o Imperador e contra os portugueses estavam os latifundiários e a classe média do Rio de janeiro. Como tentativa de pacificar os ânimos, Dom Pedro nomeou um novo ministério composto por muitos brasileiros, mas as agitações não diminuíram, e imediatamente o imperador recolocou os ministros portugueses. Uma nova revolta popular foi organizada na Capital, no Campo de Santana, e as tropas enviadas para dispersá-la aliaram-se aos manifestantes. Este episódio foi o golpe final, e em 7 de abril de 1831, Dom Pedro I decidiu renunciar ao trono brasileiro, deixando seu filho, Pedro de Alcântara, que tinha então apenas 5 anos de idade, e voltou para Lisboa. O Período Regencial
O período Regencial constituiu uma fase da história brasileira extremamente tumultuada. De um lado, encontramos os grandes senhores de terra, ligados ao cultivo de café, dominando o governo do país. E de outro, em oposição, estavam um grupo da classe média carioca e alguns latifundiários nordestinos e sulistas. As agitações ocorridas durante a Regência provocaram a criação da Guarda Nacional, gerando ainda mais autoridade ao poder central. Com o retorno de Dom Pedro I a Portugal, seu filho Dom Pedro de Alcântara, que tinha cinco anos, permaneceu no Brasil. Ele foi entregue aos cuidados de José Bonifácio de Andrada e Silva. Quando atingisse a maioridade, o príncipe assumiria o trono do Brasil. As forças políticas brasileiras dividiam-se em: - Liberais Moderados (defendiam um rígido controle político do país pelo governo do Rio de Janeiro) - Latifundiários e grandes comerciantes de Rio de Janeiro e São Paulo. - Liberais exaltados (defendiam o federalismo) – Senhores de terras de outras províncias, classe média carioca, soldados marinheiros, pequenos funcionários e comerciantes. - Restauradores (desejavam a volta do Imperador) – Oficiais portugueses e antigos partidários de Dom Pedro I.
Como o príncipe herdeiro era menor de idade, a Assembléia Legislativa nomeou três regentes para assumir o poder. Após algumas trocas, o governo foi composto por, José da Costa Carvalho, João Bráulio Muniz e Francisco de Lima e Silva, formando a Regência Trina Permanente. Mas o homem forte do governo era o liberal moderado Diogo Antônio Feijó, Ministro da Justiça, que um ano após sua nomeação não agüentou a pressão de seus opositores e foi obrigado a se demitir. Durante este período surgiu um grande número de pequenos jornais, com até quatro páginas, sustentados cada qual por um grupo político. Eram os Pasquins. Desde o início da colonização, em 1530, a justiça no Brasil era regulada por leis portuguesas. Somente em 1832, sob a pressão dos deputados liberais exaltados, a Assembléia Legislativa aprovou algumas reformas na Constituição, regulamentando o Código de processo Criminal. Em 1834 foi votado o Ato Adicional que: - Extinguiu o conselho de estado, órgão do Poder Executivo Nacional - Criou a Assembléia nas províncias, com direito de legislar localmente - Substituiu a Regência trina por uma Regência Una, com o regente escolhido pelos eleitores do país. Para escolher o regente do País, os principais partidos uniram-se em torno de dois candidatos rivais. Os liberais exaltados e os liberais moderados formaram o Partido Liberal, e apoiaram o candidato Diogo Antônio Feijó. Já os restauradores e alguns liberais moderados formaram o Partido Conservador. Apesar da separação, os partidos eram unânimes em torno da preservação de um governo de Elite. Diogo Feijó ganhou as eleições, mas nessa época, várias rebeliões populares iniciaram na: Bahia, Pará, Maranhão e Rio Grande do Sul. Eles protestavam contra a fome, a falta de trabalho e o descaso do governo central. O governo convocou a Guarda Nacional para manter a ordem no país. Mas diante dessas circunstâncias, Diogo Feijó foi obrigado a abdicar em 1837. E foi substituindo pelo conservador Pedro de Araújo Lima, que imediatamente resolveu anular os avanços liberais do início da Regência. Diante dessa ameaça, o Partido Liberal deu um golpe nos conservadores, que ficou conhecido como o Golpe da Maioridade. Pela Constituição, o herdeiro do trono só poderia ser coroado rei quando completasse dezoito anos, mas os liberais alteraram a lei e anteciparam a maioridade do príncipe para quatorze anos. Um ano depois em 1841, Dom Pedro de Alcântara foi sagrado e coroado imperador do Brasil com o título de Dom Pedro II. Com esse fato, o período Regencial chegou ao fim e teve início o Segundo Reinado.
As Rebeliões do Período Regencial
O governo Regencial instalado no Rio de Janeiro protegia somente os produtores de café do Sudeste, e abandonava completamente as culturas das demais regiões. Este descaso provocou verdadeiras rebeliões. Algumas delas chegaram a propor o estabelecimento de repúblicas independentes no Brasil. Motins em Pernambuco
Em 1831, Soldados pernambucanos saquearam propriedades de portugueses, a mando da elite local. Os portugueses e alguns políticos restauradores reagiram e mobilizaram os trabalhadores rurais a seu favor. Os combates duraram três anos, mas a falta de propostas concretas acabou esvaziando o movimento.
A Cabanagem no Pará (1835-1840)
A distância do Pará, provocava um isolamento, que levava esta província a ignorar algumas determinações regenciais. Para manter o controle, o governo nomeou um governador que provocou intensa repressão. Imediatamente, liderados por alguns fazendeiros, os rebeldes ocuparam a cidade de Belém e formaram um governo revolucionário, que defendia a criação no Pará, de uma república separatista. Foram então as pessoas pobres, que moravam em cabanas, que assumiram a luta pela independência do Pará. Mas o isolamento da província e uma epidemia de bexiga enfraqueceram os revoltosos. Quando as tropas imperiais invadiram e dominaram a província.
A Revolta dos Malês na Bahia (1834)
A situação dos negros em Salvador era peculiar, pois, muitos deles, exerciam profissões que lhes proporcionavam um bom lucro. Estes trabalhadores, na maioria, conseguiam comprar sua liberdade. Esta ascensão social provocou uma revolta deles contra os dominadores brancos. Organizados por africanos de formação muçulmana (os malês), a rebelião foi dizimada pelas tropas do governo, com o apoio das classes sociais baianas.
A Guerra dos Farrapos (1835-1845)
O Rio grande do Sul, sempre foi uma região baseada na criação de gado e fabricação de Charque (carne salgada), e estes produtos eram consumidos em todo país e o couro dos animais era exportado para e Europa. Os criadores gaúchos, eram prejudicados pelas importações de carne da Argentina e Uruguai, e acusavam o governo de falta de protecionismo. Em 1834, a aprovação de um novo aumento de impostos sob produtos gaúchos determinou o início do movimento. Já em 1835, os gaúchos, liderados por Bento Gonçalves, conseguiram retirar o presidente da província e fundaram a República Rio-Grandense. Nesta rebelião separatista, participaram: peões de fazendas, escravos e homens livres, liderados por Giuseppe Garibaldi, um revolucionário italiano. Em julho de 1839, os revoltosos invadiram Santa Catarina, onde fundaram a República Juliana. Mas em 1842 os ânimos foram pacificados pelo barão de Caxias, Luiz Alves de Lima e Silva, que assumiu a presidência do Rio Grande do Sul e conseguiu negociar com os revoltosos.
A Sabinada na Bahia (1837-1838)
Após a renúncia do padre Feijó, várias tropas revoltaram-se em Salvador, liderada por Francisco Sabino. Foi organizado um governo revolucionário para proclamar a República Baiense, que manteria sua independência “até a maioridade de Dom Pedro II”. Mas os próprios latifundiários trataram de combater o movimento, e em 1838, os republicanos renderam-se e Francisco Sabino foi deportado para o Mato Grosso.
A Balaiada no Maranhão (1838-1841)
A decadência do comércio do algodão gerou a marginalização de um grande número de escravos que habitavam o Maranhão. Diante de uma grande crise econômica, os escravos, os vaqueiros e alguns fazendeiros, rebelaram-se, liderados por um fabricante de balaios chamado Manuel Francisco dos Anjos Ferreira. Em 1839, os balaios tomaram Caxias. As lutas duraram três anos, quando a própria elite local e as tropas imperiais invadiram a cidade, provocando a rendição dos revolucionários.
OBS: Podemos afirmar que a falta de unidade entre os revoltosos, em todas as rebeliões, contribuiu para facilitar sua derrota para as tropas imperiais, pois, todas as revoltas que surgiram nas províncias fracassaram. E a violência das punições recaiu apenas sobre os humildes: negros, índios, mestiços e brancos pobres. Como vemos, o Brasil não mudou muito, não é ?
A Política no Segundo Reinado(1840-1889)
Como forma de retirar do poder deputados e senadores conservadores, os liberais propuseram a antecipação da maioridade de Dom Pedro. E em julho de 1840, conseguiram que o príncipe herdeiro, com apenas 14 anos de idade, fosse aclamado o novo Imperador do Brasil. As primeiras atitudes do jovem imperador foram: organizar um Ministério Liberal; dissolver a Câmara dos Deputados, e Decretar novas eleições para o Poder Legislativo. Estas eleições foram marcadas por vários atos de imposição violenta junto aos eleitores, por isso ficaram conhecidas como as “Eleições do Cacete”, garantindo a vitória dos liberais. Mas em menos de um ano, os próprios liberais foram destituídos do governo pelo imperador. A situação se inverteu, e em 1841, Dom Pedro II chamou o partido Conservador para organizar um novo Ministério e as “Eleições do Cacete” foram anuladas. Iniciou-se então um período de centralização política, que se prolongou até o final do Segundo Reinado. Esta centralização não foi total, pois o jovem imperador não estava sozinho na tarefa de controlar o Estado. Ele era assessorado por um grupo de políticos bastante influentes. Na década de 1850, as diferenças entre liberais e conservadores praticamente desapareceram. Ambos representavam interesses dos grandes latifundiários do açúcar, do café, e dos exportadores desses gêneros agrícolas, que tinham interesse de preservar a grande propriedade, o escravismo e o poder monárquico. Nesta época houve um princípio de democratização do regime brasileiro, pois, em virtude da guerra do Paraguai, os oficiais da classe média passaram a reivindicar uma maior participação na vida política. E, 1881, ocorreram as primeiras eleições diretas no país. Na época o Brasil tinha doze milhões de habitantes. Por fim, em 1888, a escravidão foi extinta e, no ano seguinte, foi proclamada a República.
A Economia no Segundo Reinado: o Café
Foi no século XIX que a cultura do café apareceu como uma verdadeira salvação para a economia brasileira, pois, as culturas de açúcar, algodão e tabaco do nordeste estavam em franca decadência a cada ano. E a mínima quantidade de ouro retirado das Minas Gerais já não era mais considerado atividade interessante. Esta decadência acabou com o período de diversificação agropecuária que o Brasil passou entre os anos de 1780 a 1830. O café foi introduzido no Brasil, através de mudas trazidas da Guiana Francesa, que imediatamente adaptaram-se muito bem ao clima e solo do Rio de janeiro, mais exatamente ao vale do Paraíba. Como característica das antigas culturas Brasileiras o café foi cultivado nos moldes tradicionais, ou seja, utilizando a grande propriedade, a monocultura e o trabalho escravo. Todo este processo era controlado e mantido por uma elite aristocrática. Os grãos de café, torrados e moídos, destinavam-se ao consumo dos mercados europeus e norte-americanos. Esta nova forma de monocultura, mantinha o país sempre em uma situação de dependência com os países fornecedores, pois, o Brasil produzia muito café e evidentemente ganhava com isso, mais, acabava comprando todos os outros produtos, de nações européias, que ao contrário do Brasil possuíam uma economia diversificada. No século XIX a revolução industrial já tinha difundido a necessidade da indústria e do trabalho assalariado, e neste sentido, fez aumentar a pressão por parte da Inglaterra, pela extinção do tráfico negreiro no continente americano. O fim do comércio internacional de escravos obrigou os cafeicultores brasileiros a recorrerem à mão-de-obra assalariada de imigrantes portugueses, espanhóis e italianos. Ao mesmo tempo, construíram-se as primeiras estradas de ferro para transportar a mercadoria das fazendas, no interior, até os portos, no litoral. Essas mudanças ocorreram particularmente na província de São Paulo, iniciando uma era de maquinização e de ferrovias. As Primeiras Indústrias Brasileiras
Durante o domínio colonial brasileiro, o governo português proibia o estabelecimento de manufaturas no Brasil, com o objetivo de manter a população brasileira dependente da importação de produtos europeus, principalmente ingleses. A monocultura e o trabalho escravo desestimulavam os empresários brasileiros a investirem em atividades industriais, por isso, a mentalidade da classe empresarial dominante era essencialmente agrária. Em 1808, a Corte Portuguesa instalou-se no Rio de Janeiro, e Dom João VI incentivou a atividade industrial, isentando do pagamento de impostos as pessoas que se dedicassem a ela. Imediatamente, surgiram indústrias têxteis, um estaleiro, uma fábrica de cordas e uma siderúrgica. Essas pequenas industrias, que empregavam sobretudo trabalhadores escravos, não chegaram a alterar a estrutura econômica baseada na monocultura e no comércio de exportação. Após a independência o Brasil, trocou o domínio português pela esfera dos interesses comerciais britânicos. E tornou-se incapaz de competir com a produção estrangeira, a indústria nacional manteve-se numa situação bastante precária. Importava-se quase tudo e a balança comercial estava sempre deficitária. Em 1846, um empresário de visão, chamado Irineu Evangelista de Sousa adquiriu a fundição de Ponta da Areia, em Niterói. E em pouco tempo transformou ela na maior siderúrgica do país. Nos anos seguintes ele implantou a iluminação a gás no Rio de Janeiro, criou uma companhia de navegação fluvial no Amazonas e inaugurou a primeira ferrovia do país. O empresário recebeu do imperador o título de Barão de Mauá, mas apesar de todos os seus empreendimentos, Mauá foi à falência por não conseguir competir com os produtos Ingleses. No século XIX, a Inglaterra estava tão rica que, além de mercadorias, exportava capitais. Esse foi um novo e lucrativo negócio. O Brasil foi incorporado pelo esquema comercial britânico: era mercado cativo de seus produtos industriais e recorria sistematicamente aos banqueiros ingleses para solicitar empréstimos. O “auxílio” britânico revelou-se uma faca de dois gumes: se por um lado proporcionou a melhoria dos serviços urbanos em algumas cidades do país, principalmente rio de janeiro e São Paulo, por outro, aumentou muito a dívida externa brasileira e a dependência econômica da Nação. Em meados de 1880 foi criado a Associação Industrial, defensora de uma política protecionista. Essa entidade era composta por membros de famílias tradicionais e por imigrantes que montaram seus próprios negócios no Brasil. Alguns desses imigrantes acabaram donos de verdadeiros impérios industriais. Foi o caso do Conde Francisco Matarazzo, imigrante italiano. Mas, a maioria dos imigrantes era bastante pobre. Trabalhando como camponeses, nas lavouras de café, ou como operários, nas indústrias da capital, não conseguiram ascender socialmente. Os novos empresários brasileiros preferiam dar emprego ao imigrante assalariado a dá-lo ao trabalhador escravo, pois o trabalhador assalariado não precisava ser comprado e sustentado diretamente por seus patrões.
Conflitos Políticos no Segundo Reinado
Como já vimos em capítulos anteriores, a economia do Brasil era baseada na grande propriedade e no trabalho escravo. E neste sentido, que detinha o poder econômico, acabava controlando também os poderes político e militar. A disputa por estes poderes acontecia entre os grandes proprietários de terras, principalmente em épocas de eleição para escolha dos cargos ocupados nos órgãos públicos como: Assembléia Legislativa Nacional e Câmara Provincial. Nas cidades pequenas, os Juizes de paz, os jurados e os chefes de polícia, eram nomeados pelos Deputados da Câmara. Desse modo o partido da situação contava sempre com homens de sua confiança em todos os escalões do governo. E os adversários políticos acabavam sujeitos aos rigores da lei. Os Conservadores e os Liberais, alternavam-se no poder, ou seja, constantemente a população era liderada por ideais diferentes. Esta alternância acabou provocando em 1842, uma luta dos liberais nas províncias de São Paulo e Minas Gerais para tirar os conservadores do poder adquiriu a forma de uma rebelião armada. O mesmo ocorreu em Pernambuco, em 1848, com o apoio de grupos populares. Mas, as divergências entre senhores eram resolvidas desde que se assegurassem a preservação de sua autoridade sobre os subordinados, fossem eles livres ou escravos. O movimento revolucionário de Pernambuco acabou com a rendição dos rebeldes e inaugurou uma fase da vida política nacional em que as diferenças entre liberais e conservadores praticamente desapareceram.
A Política Externa do Segundo Reinado
No final do século XIX, os países da América Latina eram fornecedores de matéria-prima para a Inglaterra enquanto ela fornecia produtos industrializados. As firmas ingleses controlavam o comércio nos portos latinos, emprestavam capitais e vendiam tecnologia para obras urbanas. No caso do Brasil, em 1840, metade das exportações de açúcar e café, e mais de metade das de algodão, era realizada por firmas inglesas. Mas no campo diplomático as relações começavam a se tornar tensas, pois o Brasil não combatia o tráfico negreiro, proibido em 1831, e neste sentido, a Inglaterra sentia-se prejudicada, pois necessitava cada vez mais, de consumidores de seus produtos industrializados. Em 1863, estes problemas causaram o rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Inglaterra, e assim permaneceram até 1865, quando seus contatos comerciais foram reatados. Após a vitória do Norte, na guerra de Secessão Americana, a escravidão foi abolida e os norte-americanos lançaram-se na conquista de novos mercados internacionais, tornando-se concorrentes diretos dos ingleses. A situação do ParaguaiNo século XIX, todos os países latino-americanos já haviam conquistado suas independências, mas passaram a depender economicamente da Inglaterra. Neste contexto, o Paraguai era uma exceção, pois evoluiu rumo a uma economia diversificada e autônoma, baseada originalmente nas missões Jesuíticas, que no período colonial, produziam erva-mate e couro para exportação, e a organização comunitária das aldeias indígenas garantiu aos índios o acesso a terra e dificultou a concentração fundiária nas mãos dos fazendeiros brancos. Em 1814, o chefe político José Gaspar Rodrigues de Francia implantou uma ditadura pessoal, criou fazendas do Estado ( estancias de la pátria) monopolizou o comércio exterior, incentivou a indústria nacional, aboliu a escravidão e estabeleceu obrigatoriedade do ensino público. Os sucessores de José Gaspar, continuaram esta política nacionalista, criando novas indústrias, melhorando a infra-estrutura das cidades, criaram uma universidade e fizeram o maior exército da América Latina. Esta Nação Modernizada e independente, era incompatível com os interesses imperialistas ingleses, e para destruir essa autonomia a Inglaterra jogou astuciosamente com o ponto fraco do Paraguai: a falta de saída para o mar. A crise platinaNo período colonial, o porto de Buenos Aires controlava as exportações paraguaias. Depois da proclamação de independência, o Paraguai passou a disputar o direito de navegar livremente pelos rios Paraguai, Paraná e Uruguai, até o rio do prata. No Uruguai, existiam dois grupos políticos rivais: os blancos (apoiados pela Argentina) e os colorados (apoiados pelo Brasil). Em 1850 os pecuaristas (blancos) começaram a invadir fazendas de gado no Rio Grande do Sul. Este fato fez o império brasileiro romper relações diplomáticas com o Uruguai. O governo paraguaio passou a apoiar os blancos. Com isso estava armado o cenário para a mais sangrenta guerra envolvendo os países vizinhos da América Latina. A guerra do ParaguaiComo não poderia deixar de ser, a Inglaterra financiou os ataques ao Uruguai, que resultou na derrota dos bancos, em 1865. No mesmo ano o governo paraguaio invadiu a província da Mato Grosso, e na volta, o exército apossou-se do porto argentino de Corrientes. Brasil, Argentina e Uruguai, apoiados financeiramente pela Inglaterra, formaram a tríplice aliança, e invadiram o Paraguai. Três anos mais tarde, em meio a vitórias e derrotas, o exército dos aliados, sob comando do brasileiro Luiz Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias), tomou a capital paraguaia. Após esta vitória, Caxias retornou ao Brasil, pois estava doente, e foi substituído pelo príncipe Gastão de Orléans (marido da princesa Isabel). Coube a ele terminar com a guerra. Três quartos da população paraguaia morreu em combate, o país ficou em ruínas, e em 1870 a guerra do Paraguai tinha chegado ao fim. O Paraguai praticamente desapareceu como Estado. As estancias de la pátria foram vendidas a estrangeiros e a população nativa passou a pagar taxas pelo uso da terra. Até hoje, o país é um dos mais pobres do continente.
A Cultura e a Sociedade no Segundo Reinado
A população do Rio de Janeiro, no segundo Reinado, triplicou devido ao grande desenvolvimento econômico e cultural. A elite do Rio de janeiro era oriunda dos produtores de café, funcionários públicos e uma nova burguesia urbana, que passou a freqüentar os cafés e os teatros recém construídos, e isso agitava o sociedade local. Os músicos, os pintores e os artistas que haviam estudado na Europa eram muito apreciados no ambiente social. Influenciados por idéias Européias, estes artistas criavam no Brasil obras de exaltação patriótica, baseadas no conceito de Nação, apresentado como sinônimo de “Ordem e Progresso”. Não foi por acaso que nosso hino foi composto nesta época. Também encontramos nas pinturas uma retratação das batalhas e outros feitos heróicos. Nesta arte não havia lugar para a miséria social a aos conflitos abolicionistas. O povo, em contrapartida, criava suas próprias formas de expressão, por meio do samba, do carnaval, do circo e da boemia. No final do século, alguns artistas começaram a fazer as primeiras tentativas de integrar as manifestações artísticas eruditas às populações e criar uma cultura brasileira pura. Mais tarde, em 1870 essa tendência nacionalista e popular coincidiu com o crescimento das campanhas abolicionistas e republicana.
O Movimento Abolicionista(1870-1888)
Durante o século XVIII, A Inglaterra controlava uma grande rede de negócios ligados ao tráfico negreiro. Os escravos negros eram fornecidos para as fazendas de algodão, nos Estados Unidos e para os engenhos de açúcar, nas Antilhas. Neste contexto, podemos afirmar que o desenvolvimento industrial da Inglaterra se deu à custa do tráfico e da escravidão nas colônias. Para justificar esta absurda prática, os ingleses criaram uma série de teorias racistas, que foram amplamente aceitas em todo o mundo. Um dos argumentos dessa teoria afirmava que o crânio do homem negro era menor que o do homem branco. Por isso, o negro tinha uma pequena capacidade mental, prestando-lhe apenas ao trabalho físico. Essas teorias não tinham nenhuma base científica. No entanto, com o crescimento da produção industrial inglesa, a escravidão virou um obstáculo, pois, o valor pago pela aquisição de um escravo, agora seria melhor aplicado na aquisição de máquinas, ferramentas e outras manufaturas. Também a mecanização da agricultura vinha revelando-se mais produtiva do que o trabalho escravo. Foi aí que os empresários britânicos começaram a promover rebeliões na Guiana Inglesa, na Jamaica e em outras ilhas da América Central. E em 1833 conseguiram abolir a escravatura nas colônias Inglesas. Na América Latina, o Brasil apresentava o maior número de escravos negros, por isso, foi sob o Império brasileiro que recaíram as maiores pressões por parte da Inglaterra, para a extinção da escravatura. Os cafeicultores brasileiros necessitavam de mão-de-obra escrava e pressionavam o governo a ignorar a proibição ao tráfico de escravos. Já os ingleses, inconformados com o desrespeito brasileiro, apelaram para o uso da força. Em 1845, a Real Marinha Britânica passou a invadir as águas brasileiras e capturar navios negreiros. Como o império brasileiro não tinha como reagir, diante da poderoso frota inglesa, declarou a extinção do tráfico, no ano de 1850. Todos os movimentos de libertação que ocorreram no Brasil, jamais defenderam o fim da escravidão, pois, o trabalho escravo era a base da economia brasileira.
A extinção do trafico provocou uma grande alta no preço dos escravos que existiam no Brasil, por isso, os fazendeiros decidiram trazer colonos europeus, e descobriram que o trabalho assalariado era mais lucrativo do que o escravo. Por isso, os cafeicultores do oeste Paulista passaram a ser um dos principais porta-vozes do movimento abolicionista. Já os fazendeiros de café do Vale do Paraíba, só aceitavam o fim da escravidão, se o governo pagasse indenizações por seus investimentos. Nos meios universitários e militares, a escravidão era apontada como a causa do atraso econômico do país. Alguns intelectuais mulatos e negros como José Carlos do Patrocínio e Antônio Castro Alves, começaram a ganhar espaço público para manifestar seu repúdio à escravidão. Em 1871, o Império aprovou a Lei do Ventre Livre, que considerava livre os filhos nascidos de mãe escrava. Em 1885 foi aprovada a lei dos Sexagenários, tornando livres os escravos com mais de 65 anos. Essas leis pouco alteraram a realidade dos escravos nas fazendas. Apenas foi uma estratégia do governo para ganhar tempo. Mais aos poucos o movimento tomou proporções populares, com a realização de passeatas e comícios. E em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel aprovou a Lei Áurea, extinguindo a escravidão no Brasil. A população negra, analfabeta, desamparada para as novas exigências capitalistas, não teve outra opção: permaneceu nas fazendas. Os negros que se aventuravam a migrar para as cidades apenas trocavam as senzalas pelos cortiços ou pelos barracos nas favelas. De fato, não foi o escravo negro que se livrou do senhor branco. Foi o senhor que ficou livre de seus escravos para poder investir seu capital na compra de máquinas, na instalação de ferrovias e nas indústrias, e o negro continua até hoje marginalizado e discriminado.
A Imigração
Após a Segunda metade do século XIV, mais de dez milhões de trabalhadores europeus vieram de seus países de origem para o novo mundo. Este deslocamento humano aconteceu porque a situação de emprego na Europa vinha passando por uma série de crises, principalmente na Itália e Alemanha. Também as cidades dos Estados Unidos, forneciam oportunidades de trabalho e enriquecimento. Mas foi após a libertação dos escravos, que acelerou esta imigração. A maioria dos trabalhadores europeus vinha para o Brasil para trabalhar na zona cafeeira do interior de São Paulo. Mas muitos imigrantes alemães estabeleceram-se em regiões do sul do país. Portanto, após a abolição, o trabalho livre, e predominantemente de origem européia, acabou se disseminando nos principais centros econômicos do Brasil.
O Império em Crise
Na Segunda metade do século XIX o capitalismo encontrava-se em profundas mudanças, e os grupos econômicos da Europa e Estados Unidos começaram a investir capitais na América latina, Ásia e África. Neste sentido começaram a construir ferrovias e portos para facilitar a circulação de matérias primas e produtos industrializados. Imediatamente, estas nações iniciaram campanhas abolicionistas em países sob sua influência, pois além de mais produtivo o trabalho assalariado era muito mais barato.
A Consolidação da República
|
|
|
|
|