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História Geral
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Divisão da História
A história divide-se em Pré-História e História, a Pré-História inicia-se com o aparecimento do Homem sobre a Terra e estende-se até a invenção da escrita (por volta de 4000 a.C.), quando começa a História propriamente dita.
Pré-História
Tradicionalmente a pré-história é definida como o passado remoto da humanidade, desde sua origem (há cerca de 4 milhões de anos) até o aparecimento da escrita (por volta de 4ooo anos a.C.). A existência de povos primitivos atuais que vivem como caçadores nômades que desconhecem a escrita levou os estudiosos a repensarem esta definição. Atualmente a pré-história é definida como um estágio na evolução das civilizações. Costuma-se dividir a Pré-História em três períodos: o Paleolítico, o mais antigo e de maior duração, também conhecido como da Pedra Lascada, o Neolítico, ou Pedra Polida, e a Idade dos Metais.
Paleolítico- (do surgimento da humanidade até 8000 a.C) Características : Sociedade de Caçadores- Coletores Nômades, Construção das Primeiras ferramentas feitas de madeira, ossos, chifres e pedras lascadas. Utilização do Fogo Surgimento da linguagem oral, dos rituais religiosos e das manifestações artísticas Estabelecimento de cooperação entre os membros do grupo, desenvolvendo táticas de caça em conjunto e divisão de tarefas.
Neolítico – (de 8000 a.C até 5000 a.C) Características: A pedra, que antes era lascada, passou a ser polida, melhorando seu corte. O homem passou a se fixar a terra, domesticando animais e cultivando alimentos. Começou, assim, a produzir sua própria alimentação. Este novo modo de vida sedentário foi denominado Revolução Neolítica. Nesta etapa surgiram também as primeiras aldeias, que estabeleceram-se num território, dedicando-se, predominantemente, à criação de animais e ao cultivo agrícola. Nessas aldeias, a população começou a crescer e ampliou-se a oferta de alimentos. A vida social nessas aldeias foi se tornando mais complexa e a divisão do trabalho ampliou-se gradativamente.
Idade dos Metais - (de 5000 a.C até o surgimento da escrita) Características: No final da Pré-História, as primeiras sociedades urbanas do Oriente Próximo começaram a desenvolver a metalurgia do Cobre, Bronze e Ferro, que consiste na técnica de utilização de metais para fabricação dos mais variados objetos. A Metalurgia do ferro e a fabricação de armamentos, contribuiu decisivamente para a supremacia dos povos que souberam aperfeiçoá-la com esta finalidade.
Teoria de Charles Darwin
Para Charles Darwin, as plantas e os animais originaram-se de formas de vida bem simples. As espécies mais adaptadas ao ambiente sobreviveram e as menos adaptadas desapareceram. O Homem seria o último elo desta cadeia evolutiva: o Mamífero mais complexo da ordem dos primatas. Considerando que o hominídeo mais antigo até agora encontrado datam de 3.750.000 anos, descobertos na Tanzânia, um país da África, em 1924 foi denominado de Australopithecus. Podemos relacionar o AUSTRALOPITHECUS ao homem atual porque além de andar sobre os dois membros inferiores, possuir a forma das mãos e dos pés semelhantes ao do homem atual, caninos pequenos e face reduzida, também bastante semelhante ao homem moderno. Como forma de diferenciação dos hominídeos segundo sua capacidade de raciocínio os pesquisadores analisaram principalmente o desenvolvimento do cérebro (tamanho do cérebro) que resultou no aumento da caixa craniana, aperfeiçoamento da visão e melhorando a capacidade de manipulação de objetos.
Homo Sapiens
Esta espécie de Hominídeo foi classificada pelos arqueólogos em duas ramificações que constituem os dois últimos elos do homem primitivo com o atual.
O Homem de Neanderthal O Homem de Cro-Magnon
O fóssil ( Esqueleto pré-histórico) do homem de Neanderthal foi encontrado em 1856 no vale do Rio Neander, na Alemanha. Possuía corpo robusto, crânio levemente achatado, testa saliente e pouco queixo. Praticavam alguns rituais religiosos, caça e sepultavam seus mortos. Provavelmente já expressavam seu pensamento por meio da fala. O homem de Cro-Magnon foi encontrado em 1868 em Cro-Magnon, uma localidade do sul da França. Era diferente do homem de Neanderthal, pois era alto, possuía membros retos e peito amplo e a testa era mais alta e o cérebro maior. Não podemos afirmar que todas as tribos pré-históricas evoluíram simultaneamente, exemplo disso são: os Aborígenes da Austrália, os Esquimós do Ártico e os índios Txucarramãe da Amazônia, que até hoje vivem de forma semelhante às tribos pré-históricas e não conhecem nenhuma forma de escrita.
Pré-História do Brasil
Os historiadores chamam de pré-história do Brasil o período anterior ao descobrimento (1500). O conhecimento deste período vem sendo estudado através da análise de vestígios de objetos encontrados em cavernas ou enterrados em várias partes do nosso país. As principais dúvidas dos historiadores buscam: - identificar quanto tempo o homem habita o Brasil - Explicar porque este homem se instalou em diferentes territórios. - Descrever a evolução da cultura do homem pré-histórico brasileiro nas diferentes regiões geográficas.
Há várias hipóteses sobre o início da ocupação humana na América. A hipótese mais aceita nos dias atuais é que os primeiros habitantes da América vieram do norte da Ásia, passando pelo Estreito de Bering, que separa a Sibéria do Alasca. O Surgimento das Sociedades
A partir do quarto milênio a.C., surgiram no Oriente Próximo as primeiras civilizações: Mesopotâmia, Egito, Palestina, Fenícia e Persa. Essas civilizações do Oriente desenvolveram-se na região conhecida historicamente como Crescente Fértil, que era limitada pelo vale dos rios Nilo, Tigre e Eufrates. Na formação dos primeiros povos civilizados foi de grande importância o palel desempenhado pelo meio físico-geográfico, clima, vegetação, relevo, hidrografia. Dentre esses fatores, destacou-se o hidrográfico, que em muito auxiliou o progresso da agricultura, pecuária, comércio e comunicação. Os rios, de maneira geral, contribuíram para a fertilização das terras, com suas enchentes e vazantes periódicas.
Mesopotâmia
Mesopotâmia significa “Entre Rios”, esta região situava-se entre os Rios Tigre e Eufrates, que atravessam o atual Iraque, no Golfo Pérsico. Esta região foi invadida por vários povos, porque sua localização geográfica possibilitava acesso pelo Mar Mediterrâneo e também pelo Oriente, gerando lutas constantes. Outra causa das rivalidades na “Tumultuada” história da Mesopotâmia, foi a desigualdade na distribuição dos recursos naturais, pois, no sul encontravam-se terras férteis (boas para plantação) e ao norte somente terras áridas de difícil plantio. Dentre os povos que dominaram a Mesopotâmia, podemos destacar: Os Sumérios, Os Acádios, Os Babilônicos e Os Assírios. Os povos que dominaram a Mesopotâmia basearam-se principalmente na agricultura, pois, os Rios Tigre e Eufrates possibilitavam terras férteis assim como o Rio Nilo no Egito. Mesmo dominado por vários povos a organização social baseava-se geralmente na figura do Rei (considerado um Deus). A organização econômica era formada basicamente de atividades agrícolas, comércio, artesanato e pesca. A prática religiosa era politeísta (acreditavam em vários deuses), até mesmo as cidades possuíam deuses particulares, por isso, construíam grandiosos templos que serviam também de bibliotecas, armazéns de cereais, observatórios astronômicos, etc.
Sumérios e Acádios – - Primeira civilização da Mesopotâmia - Cidades Importantes: Uruk, Lagash, Eridu e Nipur - As cidades tinham autonomia Religiosa, política e econômica. - O Chefe Político denominava-se Patesi - Os Sumérios são responsáveis pela forma de escrita mais antiga que se tem conhecimento (Escrita Cuneiforme)
Babilônicos – - Principal rei babilônico foi Hamurabi - Hamurabi elaborou o primeiro código de leis escritas (Código de Hamurabi) baseado no princípio de Talião (Olho por olho, dente por dente) - Outro importante rei babilônico foi Nabucodonosor, que ficou conhecido como construtor de obras grandiosas, como os Jardins Suspensos da Babilônia.
Assírios – - Os assírios anexaram territórios além do limite da Mesopotâmia, como a Síria e o Egito - Considerados Guerreiros ferozes, os Assírios impunham a dominação pelo terror. Sequeavam, destruíam e massacravam os vencidos. - Este povo foi o primeiro a Ter um exército organizado.
Diretas - Mesopotâmia = Entre Rios = Tigre e Eufrates - Sociedade Dividida = Ricos e Pobres - Modo de Produção Asiático = Um governante Divinizado explora, através de trabalhos forçados e da cobrança de tributos - Povos da Mesopotâmia = Sumérios, Acádios, Babilônicos e Assírios - Classe dominante = governante, sacerdote, militares e comerciantes - Classe dominada = camponenses, pequenos artesãos e escravos - Escrita = Sumérios = Cuneiforme - Arquitetura = Zigurate (torre com vários andares, um menor que o outro) - Hamurabi = Talião - Nabucodonosor = Jardins suspensos da Babilônia
Egito Antigo
O Egito foi uma das primeiras civilizações com organização política, religiosa e econômica. Esta organização deu-se principalmente graças à presença do rio Nilo que corta uma região desértica de Sul a Norte da África e deságua no mar Mediterrâneo. Podemos explicar este fenômeno da seguinte forma: Em algumas épocas do ano o Rio Nilo Transborda e forma uma área alagada em uma larga faixa de terra, logo após, o rio volta ao leito normal, proporcionando uma área de terra lodosa (lodo, lama) rica para plantação. O rio Nilo também proporcionava a construção de reservatórios, diques e canais de irrigação, que exigiam a participação de muitos trabalhadores oriundos das tribos que se agrupavam para realizar estas obras. Diante disto houve a necessidade de alguém que indicasse o que deveria ser feito e dirigisse os trabalhos. Inicialmente este chefe recebeu o nome de Nomarca e logo após foi chamado FARAÓ. Este faraó era respeitado e exercia sua autoridade como um DEUS e o povo egípcio realmente acreditava que o faraó fosse um enviado (mensageiro) de Deus e que deveria ser venerado (adorado) com poderes absolutos. A evolução política do Egito foi dividida em três fases: Antigo Império, Médio Império e Novo Império. Que juntos resultaram em uma longa história do Império Egípcio, que durou quase 3000 anos e teve 31 dinastias ( famílias dominantes). Devido à riqueza proporcionada pelas colheitas do Rio Nilo alguns povos invadiram o Egito buscando a apropriação das terras férteis do Nilo para retirar para si a riqueza do solo, ou seja, os alimentos que o rio Nilo fornecia em grande quantidade. Estes povos foram: os Hicsos, os Assírios, os Persas, os Gregos e finalmente os Romanos. O Comércio egípcio baseava-se na troca de produto por produto, baseada na necessidade de cada um, sem utilização de moeda (dinheiro). Por exemplo: a compra de um animal (boi, cavalo, etc.,) poderia ser pago com alguns sacos de milho ou trigo. A organização social, religiosa e cultural do Egito baseava-se principalmente na figura do Faraó que exercia sua autoridade na posição mais elevada na hierarquia egípcia, ou seja, o faraó era considerado um Deus vivo e deveria ser adorado em vida, e sua autoridade absoluta jamais poderia ser contrariada. A religião egípcia baseava-se no respeito aos deuses, geralmente relacionados às forças da natureza, ou seja, qualquer fenômeno da natureza (sol, Chuva, lua ,Etc.) era considerado um Deus, mas o faraó constituía o único Deus Vivo, por isso dominava com tanta autoridade. Os egípcios acreditavam na crença da imortalidade, ou seja, na vida após a morte. Para eles, a morte apenas separava a alma do corpo, assim a vida poderia durar para sempre, desde que o corpo permanecesse intacto para que a alma pudesse reencontrá-lo. Foi por isso que os egípcios desenvolveram as técnicas de mumificação que baseavam-se na aplicação de produtos químicos (retirados de plantas) no corpo e logo após enrolavam o corpo em uma espécie de faixa que era revestida de cera quente, para que o corpo permanecesse intacto (inteiro) mesmo durante milhares de anos. As pirâmides eram os túmulos dos faraós. Em seu interior construíam-se verdadeiros labirintos, para proteger o sarcófago (caixão do faraó) de possíveis ladrões, pois no interior das pirâmides eram depositados todas as riquezas do faraó, para que ele continuasse rico e poderoso quando sua alma retornasse ao corpo.
Diretas - Egito = Oásis = terra fértil em meio ao Saara - Nilo = Dádiva = presente dos deuses - Pirâmides = Quéops, Quéfren e Miquerinos - Faraó = Deus vivo = Senhor absoluto de tudo e de todos - Primeiro Faraó = Menés - Povos que invadiram o Egito = Hicsos, Assírios, Persas, Gregos e Romanos - Grupo dominante = Nobres, Sacerdotes e Escribas - Grupo dominado = Artesão, Felás (camponeses que trabalhavam nas obras públicas) e Escravos - Ciências = Química, Astronomia e Medicina - Arquitetura = Pirâmides, Mastabas e Hipogeus - Pintura = Frontalidade (Cabeça e pernas de perfil e tronco de frente)
O Império Persa
Localizado a leste da Mesopotâmia, constituía de um vasto planalto desértico rodeado de montanhas, entre a Mesopotâmia e a Índia. O Império Persa constituiu um dos maiores Impérios da antigüidade e também o de mais curta duração (220 anos). Atraídos pelas terras férteis das fronteiras do norte e sul deste território, os Medos e os Persas ocuparam o território e dedicaram-se à agricultura. A unificação do Império Persa deu-se apenas em 550 a.C. com a dominação de Ciro o Grande sob o povo babilônico, Medos e Persas. Esta dominação contava com a ajuda de um exército poderoso e eficiente que gerou a expansão do Império Persa com a conquista da Lídia, Babilônia, Mesopotâmia e Palestina, formando um imenso Império. Com a grandiosidade deste Império, não seria possível a dominação por um único soberano, por isso foi dividido em vinte províncias denominadas Satrapias, governadas por um Sátrapa. Os povos dominados teriam que pagar impostos, mas poderiam praticar costumes, língua e tradições de origem. A decadência do Império Persa iniciou-se com a derrota na batalha de Maratona, onde os Persas foram derrotados pelos Gregos. Esta derrota gerou contradições internas e revoltas contra o império. Estas contradições geraram o enfraquecimento do Império Persa e possibilitaram a invasão do território pelos Gregos e Macedônicos, chefiados por Alexandre Magno. Como na Mesopotâmia, a economia Persa era baseada na agricultura e a religião Politeísta.
Diretas - Poucas terras férteis = invasões = Egito, Grécia e Mesopotâmia - Batalha de Maratona = Gregos X Persas - Dário I = Satrapias = Satrapa (os olhos e ouvidos do Rei) - Religião = Fundador = Zoroastro ou Zaratrusta - Deus do Bem = Ormuz, Deus do mal = Arimã
Os Hebreus
Os hebreus eram originalmente um grupo de semitas (povo nômade da Arábia), que estabeleceu-se inicialmente na Mesopotâmia e logo após na Palestina (atual Iraque). A origem do nome Hebreu significa: povo do outro lado do rio. Este povo era o único da antigüidade com religião monoteísta (acreditavam em um só Deus), e este Deus (Iavé, Javé, Jeová) não poderia ser representado por estátuas e nem mesmo seu nome ser pronunciado. Os hebreus influenciaram a cultura de religiões ocidentais cristãs, até mesmo o Islamismo. Todos os ensinamentos de Iavé estão contidos na Bíblia (antigo testamento) onde encontramos toda história hebraica. Muitos dos fatos narrados na bíblia podem ser considerados lendários, mas os historiadores procuram fazer comparação com documentos encontrados em escavações arqueológicas para obter a história do povo hebreu. A Palestina era cobiçada por ser ponto de passagem obrigatória entre o Egito e a Mesopotâmia. O povo hebreu era constituído de pastores que antes de ocuparem a Palestina, vagavam pelos desertos com suas ovelhas em busca de alimentos, por isso, eram divididos em tribos independentes, chefiados por um patriarca ou chefe de família. Durante 450 anos os hebreus ocuparam pacificamente o Egito, em busca de melhores terras. Os Hebreus dedicaram-se ao comércio e alguns chegaram a ocupar cargos importantes junto ao Faraó. Segundo a Bíblia, depois de sair do Egito, Deus (Iavé) se revelou a Moisés (líder dos Hebreus) ditando-lhe um código de leis religiosas e morais que resumidas foram chamadas: “Os Dez Mandamentos”.
Após várias dominações por povos politeístas na Palestina, os hebreus não conseguiram manter sua crença em Iavé como único Deus gerando um declínio na crença hebráica. Como vimos então, o povo hebreu foi sufocado e dominado por vários povos e somente após aproximadamente 4000 anos de várias tentativas de estabelecer-se na Palestina, os hebreus conseguiram a criação do Estado de Israel em 1948, mas mesmo assim, aquela região continua sob constantes atos de rivalidade entre judeus e muçulmanos.
Diretas - Hebreus = monoteísmo - Hebreus originaram os Cristãos e os Muçulmanos - Patriarcas = Abraão, Isaac, Jacó e Moisés - Êxodo = fuga do Egito = Moisés = Dez Mandamentos - Cativeiro da Babilônia = judeus presos por Nabucodonosor
Cretenses e Fenícios
Os cretenses e fenícios destacaram-se na antigüidade como grandes navegadores, fazendo comércio e prestando serviço a outros impérios.
Cretenses
A ilha de Creta situa-se próximo da Grécia, da Ásia Menor e do Egito. Os cretenses viviam do artesanato com metais e do comércio marítimo. Após um fenômeno desconhecido a ilha de Creta foi destruída e em 1700 a.C. começou sua reconstrução, liderada pelo Rei Cnossos, mas em 1400 a.C. apesar de terem formado o maior império marítimo da antigüidade, os cretenses foram dominados por invasores. Além do artesanato em metais, os cretenses cultivavam cereais, mas a principal atividade era mesmo o comércio marítimo. A religião cretense era politeísta com adoração a vários deuses e sacrifícios de animais.
Fenícios
A Fenícia localizava-se ao norte da Palestina e ocupava uma estreita faixa de cerca de 200 quilômetros de comprimento por 50 quilômetros de largura, onde se localiza o atual Líbano. Por ser um território de terras áridas, os fenícios dedicavam-se ao comércio marítimo. Dividido em Cidades-Estados a Fenícia não teve seu território unido como um Estado Único. Cada Cidade tinha um governante que quase sempre era o mercador mais rico e poderoso. Em 1400 a.C. com a decadência de Creta, os fenícios tomaram conta do comércio marítimo da região. Em 332 a.C. a cidade de Tiro foi conquistada pelos Gregos chefiados por Alexandre Magno, mas o golpe final aconteceu em 146 a.C. com a conquista de Cartago pelos Romanos. Como os cretenses, os fenícios tinham no comércio marítimo sua principal atividade econômica. Eram também politeístas e praticavam sacrifícios sangrentos de animais e seres humanos, e a prática de magia negra era muito comum.
Diretas - Fenícia = território montanhoso - Cidades Importantes = Biblos, Sídon, Tiro e Cartago - Atividade comercial = comerciantes marítimos - Fenícios = inventores do alfabeto
Grécia - Período Pré-Homérico
A história da Grécia teve início por volta de 2000 a.C. e foi dividida em dois períodos: Período pré-homérico e período homérico. A Grécia situa-se a sudeste da Europa, às margens do Mar Mediterrâneo. Seu território é formado de montanhas que cortam áreas de planícies férteis (boas para plantação) e numerosas ilhas. Em virtude de seu território ser recortado por muitas montanhas os gregos voltaram-se para o comércio marítimo próximo ao litoral do mediterrâneo O território grego foi invadido por muitos povos (Aqueus, Jônios, Eólios e Dórios). Isso fez com que a população grega fosse se refugiando no interior das montanhas (onde haviam terras férteis) gerando uma nova forma de vida. Esta forma de vida em família foi chamada de GENOS.
O Período Homérico
O segundo período da história grega foi chamado homérico, porque após a guerra de Tróia (na Ásia Menor) foram escritas duas obras poéticas: A Ilíada, que contava a forma engenhosa com que os gregos enganaram e venceram os troianos. E a Odisséia, que narra o retorno do herói grego Ulisses à ilha em que morava, após vencer os troianos. Estas obras de literatura foram escritas pelo poeta Homero.
Os Genos eram comunidades agropastoris ( voltadas a agricultura e criação de animais), eram famílias muito grandes formadas por várias gerações chefiadas por um lider chamado Páter-famílias. O páter-famílias organizava os trabalhos (dividindo igualmente), administrava o genos, resolvia casos de justiça e era responsável pelos cultos religiosos. Não haviam pessoas mais ricas ou mais pobres, porque a terra não era de ninguém, mas de todos. Os genos eram comunidades auto-suficientes e a liderança do páter-famílias era passada de forma hereditária (de pai para filho) respeitando-se o princípio da primogenitura (primogênito = filho homem mais velho). Com o passar do tempo começaram a aparecer os problemas nos genos, principalmente gerados pela superpopulação, pois as famílias foram aumentando mas a terra e as condições de vida continuavam as mesmas. O pater-famílias começou a ter dificuldade para alimentar uma população muito grande. A desintegração do Genos começou com a divisão das terras, pois a única alternativa era dividir as terras e as famílias. Mas esta divisão gerou mais problemas, pois, os filhos do pater-famílias (Eupátridas) ficaram com as terras melhores, e a cada geração, pessoas ficaram com menos terras, e uma população muito grande ficou sem terra e marginalizada. Com o fim do genos surgiu na Grécia uma nova forma de organização chamada Pólis, que era uma cidade-estado surgida da união de várias tribos que viviam na mesma região, e possuíam um exército para defende-los. Nas Pólis, as principais construções eram: a Acrópole, templo construído na parte mais alta da cidade, e a Ágora, que era a praça central onde as pessoas reuniam-se para discutir problemas políticos.
Esparta
No século IX a.C, os Dórios fundaram a cidade-estado de Esparta. Esta cidade era regida por um conjunto de leis feitas por um patriarca lendário chamado Licurgo. O crescimento da população e a escassez de terras e de alimentos fizeram com que os dórios (Espartanos) empreendessem várias guerras de conquista. A necessidade de estar sempre prontos para a guerra fez com que os Espartanos se tornassem os mais poderosos soldados da época. Para formar um exército muito eficiente, os Espartanos fizeram um conjunto de medidas para dificultar a renovação de idéias entre a população e evitar o contato com populações estrangeiras. As pessoas eram estimuladas a falar tudo em poucas palavras. Isso servia para limitar a capacidade de raciocínio e prejudicar o espírito crítico dos espartanos. Havia um sistema especial de educação dos soldados, que consistia em preparar o soldado desde criança. Ao nascer a criança (menino) era examinada por um grupo de Anciãos. Se tivesse defeito físico era jogada no monte Taigeto. Aos sete anos eram separadas dos pais e viviam em grupos onde recebiam instrução cívica e praticavam ginástica para fortalecer o corpo. Aos doze anos viviam sem roupa, recebiam educação militar, viviam em um campo onde sobreviviam por conta própria, dormiam ao ar livre em camas de bambu feitas por eles próprios e aprendiam a roubar, com habilidade os alimentos. Se fossem pegos roubando eram duramente castigados, não por estar roubando, mas sim não ter habilidade de roubar.
Aos dezessete anos, os garotos eram submetidos a uma prova de habilidade. Durante o dia, recebiam um punhal e espalhavam-se na mata, à noite deviam degolar os escravos que conseguissem apanhar, aqueles que passavam nesta tarefa tornavam-se soldados, recebiam um lote de terra e viviam no quartel. Aos trinta anos o soldado tornava-se cidadão, poderia participar da assembléia e se casar. Aos sessenta anos o soldado aposentava-se e tornava-se ancião. Esta forma de educação tinha dois objetivos: preparar os soldados para a guerra e controlar o número de escravos e da população em geral.
Atenas
A cidade de Atenas surgiu na península da Ática a poucos quilômetros do Mar Egeu. Atenas era uma cidade de origem agrícola, mas adquiriu aos poucos a condição de importante centro marítimo-comercial, este desenvolvimento contribuiu para formar uma nova forma de governo da antigüidade, a democracia. A população era constituída de pequenos proprietários de terras pouco férteis que se endividavam tomando dinheiro emprestado dos eupátridas. Na maioria das vezes não conseguiam pagar, perdiam suas terras e tornavam-se escravos. Os comerciantes e artesãos tornavam-se numerosos e ricos, começando a reivindicar mais participação na vida política da Cidade. Neste contexto surgiram os legisladores, que eram governantes que tentaram controlar a população com novas leis. Dracon , foi o legislador encarregado de redigir uma legislação, pois, até então as leis eram orais. As leis de Dracon foram consideradas muito rígidas. Sólon, diminuiu os excessos da legislação de Drácon, proibiu a escravidão por dívida e devolveu aos antigos proprietários suas terras, e deu aos pobres um lugar no governo e adotou em Atenas um único padrão monetário (única moeda) Os tiranos, foram indivíduos que tomaram o poder a força e o exerceram de forma ilegal Clístenes, implantou reformas que fortaleceram a participação do povo na administração da cidade. No governo de Clístenes, chamado Democracia (governo do povo) todos os cidadãos possuíam direitos políticos, independente da camada social a que pertenciam.
O sistema de governo de Clístenes recebeu o nome de democracia, porque ele dividiu Atenas em três regiões: Litoral, Cidade e Interior. Cada região foi dividida em dez unidades chamadas demos. Em seguida, Clístenes organizou dez tribos, cada uma com três demos, um de cada região, por exemplo, uma primeira tribo era composta por um demos do litoral um da cidade e um do interior. Assim, agrupados os demos três a três, resultaram dez tribos. As tribos misturavam elementos de todas es classes sociais e eram formadas por demos. Como forma de defender a democracia, Clístenes fez o Ostracismo, que era uma forma de punir crimes contra a democracia. O Ostracismo era quando uma pessoa cometesse algum crime, tinha seu nome escrito em uma cerâmica em forma de ostra (em grego ostrakon) e quando tivesse seu nome escrito em mais de 6000 ostras era exilado (retirado da cidade) por dez anos. Sem dúvida nenhuma a democracia ateniense foi um avanço para a humanidade, mas não atingia a todas as pessoas, porque, somente eram considerados cidadãos os Homens, maiores de 21 anos nascidos em Atenas. Portanto a democracia ateniense não atingia as mulheres e aos estrangeiros.
Grécia Clássica
Em 477 a.C., Atenas reuniu as cidades gregas da Ásia Menor e as ilhas do Mar Egeu numa aliança marítima conhecida como Liga de Delos (confederação de Delos). A liderança dessa liga transformou Atenas na mais poderosa Cidade-Estado da Grécia, sob o comando de Péricles.
Guerras Médicas
Foi o confronto entre o mundo bárbaro Persa e o mundo Grego, ambos em plena expansão e foi denominada guerra médica porque os gregos chamavam os persas de Medos.
Hegemonia das Cidades gregas: Esparta, Atenas e Tebas.
Foi a revolta de algumas cidades participantes da Confederação de Delos (liga de Delos) para tomar o poder econômico da ilha de Delos e consequentemente o poder político grego.
A Cultura do Povo Grego
A religião grega não tinha dogmas, isso é, os fieis não eram obrigados a crer em determinadas verdades religiosas, cada pessoa podia imaginar a “vida depois da morte” como bem entendesse. O culto aos deuses tinha por finalidade pedir a proteção para a família, a tribo ou a Cidade, por exemplo: Palas Atena, em Atenas. As orações eram feitas para pedir aos deuses a proteção nas atividades pessoais, e não para implorar a salvação da alma. A religião grega era politeísta. Além dos grandes deuses que habitavam o monte Olimpo, havia mais de 30.000 seres imortais sobre a terra. Havia também heróis, que eram homens comuns que praticavam ações extraordinárias e, por isso, igualavam-se aos Deuses. As lendas que contam as aventuras dos deuses e dos heróis são chamadas de MITOS, e o conjunto dos mitos forma a MITOLOGIA GREGA.
Mitologia Grega
Urano (o céu) e Gaia (a terra) surgiram do nada. Da sua União nasceram os Titãs, os Ciclopes e os Gigantes. O mais jovem dos titãs Cronos, destituiu seu pai, e para que ele mesmo não fosse destituído, passou a devorar seus filhos, os deuses. Então sua esposa Rea, para salvar Zeus, o último recém-nascido, substituiu Zeus por uma pedra, que foi devorada por Cronos, Rea escondeu o seu filho Zeus numa caverna, em Creta. Quando Zeus cresceu, lutou contra seu pai Cronos e obrigou-o a devolver (vomitar) todos os filhos que havia comido; e com a ajuda dos irmãos Zeus prendeu Cronos no Inferno. O criador dos homens foi Prometeu (filho de um titã) que roubou o fogo de Zeus para dá-lo aos homens. Por castigo Zeus acorrentou Prometeu no alto do monte Cáucaso, onde uma águia devorava todos os dias seu fígado, que renascia à noite. A primeira mulher foi Pandora que não conseguiu resistir à curiosidade, abriu um jarro onde estavam depositados todos os males da humanidade. Para castigar os homens, Zeus mandou o dilúvio. Todos morreram, menos Deucalião (filho de Prometeu) e Pirra, que recriaram a humanidade. Por isso a semelhança dos homens com os deuses.
Filhos de CronosHéstia = Deusa dos lares Demeter = Deus da TerraPoseidon= Deus dos mares Hades = Deus do inferno Zeus = Deus dos Deuses
s. A Grécia conquistada pela Macedônia
A Macedônia localizava-se ao norte da Grécia e não possuía saída pelo mar. O isolamento geográfico retardou o desenvolvimento econômico e cultural do país. A Macedônia sofreu pouca influência da cultura Grega, e os gregos consideravam os macedônicos como bárbaros. A agricultura e o pastoreio eram as principais atividades econômicas. A monarquia era a forma de governo, mas a autoridade era exercida por um conselho de aristocratas e guerreiros. Felipe II foi o fundador do Império Macedônico, que promoveu a centralização da autoridade política e reformulou o exército, com isso, conseguiu uma saída para o mar e invadindo a Grécia em 338 a.C., mas foi morto em 336 a.C. quando se preparava para invadir o império persa. Seu filho Alexandre assumiu a liderança do reino Greco-Macedônico.
O Helenismo
A principal conseqüência da conquista do Império Persa por Alexandre foi o processo de helenização do Oriente. Esse processo se caracterizou pela união da cultura helênica Grega com as culturas persa e egípcia. Os centros de difusão da cultura helenística foram: Alexandria, no Egito; Pérgamo, na Ásia menor e Antiórquia, na Síria. Todas fundadas por Alexandre no Oriente.
Roma – (Monarquia)
A cidade de Roma foi fundada na Itália no século VIII a.C. e caracterizava-se por uma economia agropastoril e um governo monárquico. Roma se tornaria a capital de um poderoso Império.
Roma – (Mitologia)
As origens dos povos antigos geralmente são contadas com lendas, e em Roma não é diferente. O poeta Virgílio conta em sua obra Eneida que, Enéias, um príncipe troiano, após ter sido derrotado pelos gregos, fugiu e se instalou em uma região da Itália (região do Lácio). Posteriormente, Númitor (descendente de Enéias) foi destronado (retirado do trono) por seu irmão Anúrio. Réia Sílvia, filha de Númitor, teve dois filhos gêmeos: Rômulo e Remo. Anúrio, com medo de que os dois viessem mais tarde reclamar o trono do avô Númitor, ordenou que as duas crianças fossem atiradas no rio Tibre, mas o soldado encarregado de executar as crianças, com pena, abandonou-as na floresta. Uma loba amamentou os dois meninos até serem encontrados por um casal de pastores, que os criou. Quando adultos, voltaram para a cidade, mataram Anúrio e colocaram o avô Númitor no trono. Como forma de recompensar os netos, Númitor permitiu que eles fundassem uma cidade, mas, eles desentenderam-se e Rômulo matou Remo e tornou-se o primeiro Rei da Cidade que recebeu seu nome em 753 a.C.
Monarquia Romana – Classes Sociais
Os Patrícios: eram os proprietários de terras também denominados aristocratas.
Os Clientes: eram os parentes mais pobres dos patrícios.
Os Plebeus: que formavam a camada social que não pertencia a nenhum clã, e geralmente eram trabalhadores braçais, artesãos, estrangeiros, comerciantes e donos de lotes de terra pouco férteis.
Roma – (República)
A república romana era fundamentalmente aristocrática (formada por Patrícios) mas com o tempo a plebe (os plebeus) começou a se organizar e reivindicar maiores direitos, com o passar do tempo o sistema político romano foi se democratizando e os plebeus passaram a participar do poder. Para administrar o sistema político foram criados os Magistrados ou Magistraturas que desempenhavam diversas tarefas executivas, dentre as principais destacam-se: Os Cônsules, Os Pretores, Os Censores, Os Questores e os Edis. OBS: todos os cargos eram ocupados por Patrícios
A Família
A família romana era comandada pelo Pai que tinha totais direitos sobre a mulher, filhos e escravos. Exigindo deles obediência absoluta.
O Direito
A sociedade Romana era orientada por um código de leis que formavam o Direito Público e o Direito Privado.
Direito Público: Orientava a vida dos cidadãos. Direito Privado: Orientava as relações entre as famílias.
O Direito Romano foi organizado durante o Império, e com o surgimento das escolas de Direito o mesmo foi adotado pelos povos da Europa e conservou sua importância até os dias de hoje.
A Religião
A religião era politeísta; sendo que, cada família cultuava seus antepassados e divindades da natureza. Os deuses protetores da família eram chamados de Lares. Os principais deuses romanos eram os mesmos deuses gregos do Olimpo com nomes diferentes.
Roma - A Conquista do Mediterrâneo
Os romanos não se contentaram em viver somente na península itálica, logo começaram a fazer guerras para conquistar as terras ao redor do Mar Mediterrâneo. As conquistas Romanas não foram de uma hora para outra, mas sim, uma série de guerras de conquistas que duraram centenas de anos. Para você Ter uma idéia, somente a conquista da península itálica levou 230 anos. Os romanos conseguiram concretizar suas conquistas porque os povos da região não estavam organizados, e também porque após a invasão os Romanos ofereciam tratamento diferenciado aos povos conquistados, evitando assim que eles se unissem para combatê-los. O exército romano era muito organizado e eficiente e possuía algumas técnicas que justificavam as sucessivas vitórias: - Eles construíam estradas calçadas que ligavam todos os territórios conquistados, isso propiciava ao exército romano um deslocamento rápido do exército. - Quando havia a necessidade de descansar o exército entre uma batalha e outra, eles montavam acampamentos dotados de fossos, paliçadas e torres de observação. Estes cuidados garantiam aos romanos um descanso livre dos ataques inimigos. - A organização do exército para uma batalha era feita da seguinte forma: durante os combates a primeira fileira de soldados era composta de soldados jovens dotados de armas leves, somente após vários ataques com estes soldados é que mandava-se outra fileira de soldados fortes e experientes para derrotar definitivamente o inimigo.
A cidade de Cartago foi a primeira a ser invadida pelos romanos, porque tratava-se de uma cidade localizada em um ponto estratégico do mediterrâneo e tratava-se de um poderoso entreposto comercial. Entre as inúmeras guerras empreendidas pelos romanos podemos destacar as guerras Púnicas, que tiveram este nome porque foram guerras entre romanos e fenícios (fundadores da cidade de Cartago) e os romanos chamavam os fenícios de “puni”. Depois de conquistar um território Roma transformava-o em aliado, mais tarde passava a ser um protetorado e finalmente era anexado como província de Roma. A província passava a ter um governador romano dotado de poderes absolutos e deveria pagar o tributo, que era um imposto pago para Roma. As pessoas responsáveis pela cobrança dos tributos e pagamento dos funcionários eram chamados Publicanos. Estes publicanos logo começaram a praticar atos de corrupção, pois arrecadavam dinheiro da população e não repassavam ao governo, ou geralmente arrecadavam mais impostos do que o devido à população e ficavam com o excedente, mas logo foram descobertos e punidos pelos governantes romanos.
Conquistas Romanas - (Repercussões)
No período anterior as conquistas, a economia romana era agropastoril, mas com as riquezas vindas dos povos conquistados (jóias, pedras preciosas, ouro e prata) e o dinheiro arrecadado com os tributos, a simplicidade da antiga cidade-estado romana agora da lugar ao luxo e ao requinte de uma cidade rica e poderos Após as conquistas, a economia romana passa a apoiar-se no comércio de produtos vindos das províncias, e sem condições de concorrer com os produtos vindos de fora, muitos pequenos proprietários endividaram-se e perderam suas terras. A oferta de trabalho diminuiu, pois chegavam muitos escravos oriundos das batalhas. Isso fez com que a classe dos plebeus quase desaparecesse, porque não tinham terra nem condições de trabalho. A eles restava somente trabalhar em serviços domésticos ou servir de segurança particular dos patrícios. Neste clima, surgiu uma nova classe social: a dos homens novos ou cavaleiros, que eram antigos plebeus que possuíam algum capital e aplicaram no fornecimento de produtos para a manutenção dos exércitos. Os patrícios monopolizavam os cargos públicos, comandavam o exército e governavam as províncias. Para controlar a população e evitar que eles se revoltassem em virtude da situação difícil que estavam passando, os governantes adotaram a política do pão e circo, que oferecia pão para matar a fome da população e o circo para distraí-los aos finais de semana. O Circo romano eram espetáculos violentos em que gladiadores lutavam até a morte entre si ou com animais selvagens. Estes espetáculos aconteciam em uma arena aonde colocava-se areia colorida (tingida de vermelho) para não destacar o sangue dos gladiadores, barris de incenso para disfarçar o cheiro de sangue. Cada gladiador tinha o direito de escolher duas armas (uma de defesa e uma de ataque) e a luta somente terminava com a morte de um dos lutadores. Nesta época muitos costumes dos gregos foram anexados a cultura romana: - O estilo das construções de termas, teatros e anfiteatros. - Muitos intelectuais gregos foram trazidos como escravos para trabalhar como mestres dos jovens das famílias romanas. Novos deuses passaram a ser venerados e, com eles, novas práticas religiosas. As bacanais, festas em homenagem a Baco (Deus do Vinho), passaram a ser toleradas e transformaram-se em verdadeiras orgias.
Roma – (Guerras Civis)
Após a conquista do Mediterrâneo os problemas sociais resultantes do empobrecimento dos plebeus poderiam provocar o enfraquecimento de Roma. Uma das medidas adotadas para dar início a uma série de reformas para tentar melhorar as condições de vida da população, foi a instituição do voto secreto, ou seja, com o voto secreto a população poderia votar em candidatos honestos e bem intencionados sem sofrer pressão dos governantes. Foi com o voto secreto que foram eleitos os irmãos Tibério e Caio Graco. Tibério Graco era de origem nobre e em 133 a.C. foi eleito tribuno da plebe. De imediato, Tibério colocou em prática a reforma agrária, que era uma lei antiga e limitava a propriedade da terra em 125 hectares, ou seja, se alguém tivesse uma área de terra maior do que 125 hectares, o governo imediatamente confiscava (retirava) o excedente, e o proprietário ficava somente com 125 hectares. As terras confiscadas eram distribuídas à população pobre, e estes não poderiam vender nem hipotecá-las. Evidentemente a reforma agrária de Tibério Graco não agradou aos ricos proprietários de terra. E ele e seus partidários foram assassinados por membros do partido dos nobres e senadores. Logo após a morte do irmão, Caio Graco foi eleito tribuno da plebe (em 123 a.C.) e retomou as idéias de seu irmão, mas ele teve mais habilidade, antes de adotar novas medidas, buscou apoio político para as reformas.
Caio aplicou a lei de reforma agrária em algumas cidades, fez a lei frumentária (frumentum = trigo, em Grego) que distribuía pão a população pobre. Novamente os ricos não concordavam com as reformas de Caio, e perseguiram-no até ele suicidar-se, ordenando a um escravo que o matasse. O seguidores dos irmãos Graco foram implacavelmente perseguidos e exterminados. A grande popularidade alcançada por alguns generais vitoriosos no campo de batalha levou-os a seguir carreiras políticas e a disputar com os patrícios o governo de Roma. O primeiro destes generais foi Mário, que após combater e derrotar o reino da Numídia (norte da África) foi nomeado Cônsul, mesmo não estando em Roma, o que era proibido. A principal medida tomada por Mário foi a profissionalização do exército, que passaram a receber salário e dedicar-se permanentemente a carreira militar. O segundo general a liderar Roma foi Sila, que reprimiu as revoltas dos povos da Itália, que ficaram conhecidas como Guerras Sociais. Sila tornou-se um ditador com poderes praticamente ilimitados. Impôs leis que limitavam a atuação dos tribunos populares e das assembléias de Plebe e beneficiou o Senado e os patrícios. Mário e sila mostraram que o poder político em Roma tinha por base a plebe e o exército. Ou seja, a fórmula para governar Roma seria agradar a população e montar um poderoso exército para garantir o governo. Esta fórmula foi usada pelos governantes que os sucederam.
Roma – (Guerras civis II)
Em 73 a.C., ocorreu uma revolta de escravos no sul da Itália, liderado por um escravo chamado Espártaco. Foram mais de cem mil escravos que se revoltaram pretendendo voltar às suas regiões de origem ou até invadir Roma. O General Licínio Crasso combateu e venceu os revoltosos, e isso fez com que ele se tornasse um líder político em Roma. Outro General chamado Pompeu, combateu na Espanha um movimento contra o domínio de Roma. Regressou vitorioso, tornando-se também líder em Roma. Após suas vitórias militares os dois líderes: Pompeu e Crasso, candidataram-se ao consulado de Roma, mas eles não podiam ser cônsules por uma série de exigências da lei Romana (Exemplo: Pompeu não tinha 43 anos, idade mínima exigida para o cargo). Mas os líderes militares (Pompeu e Crasso) acamparam suas tropas próximas a Roma e os senadores amedrontados, mudaram as leis, e os dois foram eleitos. Em Roma havia também um líder político que pertencia a uma grande família patrícia, e possuía grande prestígio na população. Foram estes três líderes: Pompeu, Crasso e Júlio César, que uniram-se formando o primeiro Triunvirato, ou seja, os três juntos governaram Roma por dez anos. Pompeu ficou com a província da Espanha; Crasso com a síria; e Júlio César com a Gália (atual França). Com o objetivo de tomar o poder só para si, Júlio César começou a usar o dinheiro da arrecadação de impostos para formar um poderoso exército.
Em 53 a.C., Crasso morreu em combate na Síria. Com isso acabava o primeiro Triunvirato. O senado nomeou Pompeu único Cônsul, César não aceitou, e com seu exército marchou em direção a Roma. Pompeu fugiu até o Egito, onde foi assassinado. No Egito, César depôs (retirou) o faraó e colocou no poder a rainha Cleópatra. Apoiado pelo exército e pela plebe urbana, César foi nomeado ditador vitalício. Ele era adorado como um deus, com o nome de Júpiter Július. Posteriormente o nome César passou, inclusive a ser um título usado para designar (chamar) os imperadores romanos. César iniciou algumas reformas: - Proibiu o abuso do luxo; - Obrigou os proprietários de terras a dar emprego a homens livres. - Promoveu a construção de inúmeras obras públicas - Organizou as bibliotecas - Reformou o calendário fixando o ano em 365 dias com um ano bissexto a cada quatro anos; - O sétimo mês do ano recebeu o nome de Julho, em homenagem ao próprio Júlio César;
Júlio César pretendia tornar seus poderes hereditários. Para conseguir isso, tinha de acabar com a República e o Senado e tornar-se rei. Buscou então o apoio de seu amigo, o general Marco Antônio. Mas em 44 a.C., César foi chamado no senado para tratar de assuntos importantes. Lá chegando, alguns senadores se aproximaram dele e o mataram a punhaladas.
Após a morte de César, Marco Antônio, Caio Otávio (sobrinho de César) e Lépido, um rico banqueiro de Roma, assumiram novamente o poder em conjunto, formando o segundo triunvirato, que durou cinco anos. Marco Antônio ficou com o Oriente; Caio Otávio, com o Ocidente; e Lépido, com a África. A Itália foi considerada neutra. As rivalidades políticas continuaram e Marco Antônio e Cleópatra suicidaram-se no Egito após a invasão das tropas de Caio Otávio. Otávio Apoderou-se do tesouro dos faraós, acumulando uma imensa fortuna, e com este dinheiro equipou um exército poderoso. Ao voltar a Roma Otávio tinha poderes quase absolutos e estava a um passo de realizar o sonho de seu tio Júlio César e tornar-se o primeiro imperador de Roma.
O Império Romano
Caio Otávio foi com a ajuda do senado aos poucos acumulando títulos, e em 27 a.C., recebeu o título de Augusto, e passou a ser chamado por Otávio Augusto. Esse tratamento era reservado somente aos deuses, com isso ele passou a ser cultuado como uma divindade protetora das famílias. Otávio Augusto realizou algumas reformas: - Reduziu o poder do senado; - Criou o cargo de prefeito da cidade - Ele mesmo controlava rigidamente a administração das províncias; - Fazia regularmente viagens de inspeção às províncias; - Os impostos passaram a ser arrecadados por órgãos do Governo, com isso a arrecadação aumentou e a exploração da população diminuiu. - Criou o correio imperial. - Mandou punir as mulheres que praticassem o adultério; - Incentivou as famílias numerosas - O exército foi transformado em exército permanente e dividido em legiões e essas distribuídas ao longo das fronteiras do império, para defendê-las dos Bárbaros.
Augusto não quis adotar o princípio da hereditariedade para sua sucessão, optou então pelo critério de adoção e escolheu um de seus comandantes chamado Tibério para ser o próximo imperador de Roma. Após o Império de Tibério os líderes foram: Calígula, Cláudio e Nero, e estes líderes formaram a Dinastia Júlio-Claudiana. E as próximas dinastias chamaram-se: Dinastia dos Flávios, Dinastia dos Antoninos e Dinastia dos Severos.
Cristianismo
Por serem apegados às suas tradições religiosos, os judeus revoltaram-se contra a dominação romana em sua terra. Os judeus que viviam fora da Palestina, em grandes cidades como Antiórquia (Síria) e Alexandria (Egito), eram influenciados pela cultura grega. Eles acreditavam que o Messias, o enviado de Deus, viria criar um novo reino: o Reino de Jeová e dos Justos. E o povo judeu tinha sido escolhido por Deus para estabelecer esse reino. Tudo isso estava nas profecias, e o Messias viria cumpri-las. Segundo o Novo Testamento, Jesus nasceu em Belém, mas foi morar em Nazaré, na época do Imperador Otávio Augusto. Aos 30 anos, Jesus começou suas pregaçoes, reuniu em torno de si um grupo de seguidores (os Apóstolos) e passou a percorrer toda a palestina dizendo ao povo judeu que era o messias esperado. Dizia também que seu reino não era na Terra, mas sim no Céu, e que era o filho de Deus. Ao afirmar que era filho de Deus, Jesus passou a ser perseguido pelo império, porque o imperador era considerado um Deus e assim Jesus poderia querer tornar-se imperador. Jesus desagradou também os judeus, pois o messias esperado não seria filho de Deus, e dizendo isso Jesus blasfemou. Ele também foi perseguido pelos líderes das comunidades judaicas, que eram grandes comerciantes, e Jesus defendia os pobres e acusava os comerciantes de gananciosos. Diante disso, Jesus foi preso e condenado pelo Sinédrio (tribunal formado por Sacerdotes), com a autorização do procurador Pôncio Pilatos, Jesus foi crucificado no monte Calvário. Jesus pregava o desapego dos bens materiais, a simplicidade, o perdão às ofensas e o amor ao próximo. Após sua morte, os doze apóstolos formaram uma comunidade à parte dentro do judaísmo.
Dentre os apóstolos, dois destacaram-se: Paulo e Pedro. Paulo desempenhou um papel importante na propagação da doutrina cristã, porque percorreu a Ásia Menor, Chipre, Atenas e Corinto pregando a nova doutrina, além de propaga-la com inúmeras cartas (as epístolas). Em suas pregações Paulo dizia que Jesus tinha vindo para anunciar a mensagem de Deus a todos os homens e não apenas ao povo Judeu. Pedro promoveu a adesão das pessoas humildes, pois eles encontravam na nova doutrina um consolo e esperança em seus sofrimentos. Pedro terminou sendo preso e crucificado. Alguns anos depois da morte de Jesus, os cristãos começaram a ser perseguidos pelos romanos, por isso, começaram a fazer seus cultos de maneira secreta nas catacumbas, e isso deu um caráter subversivo a religião cristã. As autoridades romanas começaram a prender e torturar os cristãos nos circos. Chegaram até mesmo a conceder prêmios aos carrascos que inventassem novas formas de tortura. Geralmente as perseguições coincidiam com as crises econômicas do Império, pois o império usava os cristãos como válvula de escape e servia para desviar a atenção da plebe dos graves problemas sociais. No século IV, quando a decadência do Império Romano já era evidente, os governantes decidiram apoiar a religião cristã, porque seria mais fácil controlar a população humilde, e em 313 o imperador Constantino legalizou o cristianismo e em 391, o imperador Teodósio aboliu definitivamente o paganismo e tornou o Cristianismo a religião oficial do Império.
O Império Romano Entra em Crise
Durante a República, era grande o número de prisioneiros de guerra transformados em escravos. Com o fim das conquistas, o número de escravos provenientes dos novos territórios começou a diminuir. No século III, com a falta de recursos, os proprietários começaram a Ter problemas para manter seus escravos, além disso, o cristianismo em expansão condenava o escravismo, com isso, a mão de obra escrava, que já era baixa reduziu-se muito, gerando uma crise geral no Império Romano. Com o império em crise, intensificaram-se as invasões dos Bárbaros e as cidades ficaram muito inseguras e o governo passou a aumentar a arrecadação de impostos para pagar o exército, gerando um clima de descontentamento em toda a população que passou a organizar-se no interior em comunidades auto-suficientes, produzindo tudo o que era necessário para a subsistência das pessoas que lá viviam. O centro da produção passou a ser a vila, comandada pelo senhor, que dirigia a vida política administrativa e econômica das pessoas. Essas mudanças provocaram uma crise muito grande no império, pois o governo arrecadava cada vez menos impostos e não conseguia pagar os soldados. Sem dinheiro o governo começou a emiti-lo e os produtos aumentaram de preço. Era a inflação, ou seja, o dinheiro romano valia cada vez menos. Sem saída, o imperador Constantino fundou, no estreito de Bósforo, na entrada para o mar Negro, a cidade de Constantinopla (atual Istambul), para onde transferiu a sede do Império Romano. O ano de 473 foi estabelecido pelos historiadores para marcar o fim da Antigüidade e o começo de um outro período na História, a Idade Média.
A Idade Média
Os historiadores europeus do século XV e XVI denominaram Idade média o período da história ocidental entre os séculos V e XV, esta denominação foi estabelecida porque os estudiosos entendiam que o período anterior (até o sec. V) foi uma época histórica de grande desenvolvimento cultural produzido principalmente pelos Gregos e pelos Romanos, e a época posterior (após o sec XV) também foi considerada outra época de imenso desenvolvimento, principalmente gerado pelo Renascimento. Então é exatamente o intervalo de tempo entre os séculos V e XV que os historiadores consideraram um período de retrocesso artístico, intelectual e filosófico, e o denominaram IDADE MÉDIA. Atualmente sabemos que as afirmações dos historiadores com relação a Idade Média, tem outra interpretação, pois, não é correto afirmar que existe um período histórico melhor ou pior que outro, pois sempre se tem a impressão que o período em que vivemos é muito melhor do que os períodos anteriores.
Império Bizantino – O Oriente dos Romanos
Após a desestruturação do Império Romano em sua parte Ocidental (Europa) o imperador Constantino fundou na antiga colônia grega de Bizâncio a sede do império romano no Oriente, e em homenagem a si mesmo denominou-a Constantinopla. Atualmente esta cidade chama-se Istambul (Turquia) e foi escolhida por sua privilegiada posição geográfica (entre a Europa e a Ásia) que facilitava o comércio tanto com o Ocidente como o Oriente. O principal imperador Bizantino foi Justiniano, porque ele codificou as leis do Império (baseando-se no Direito Romano), promoveu uma unificação de duas alas da igreja (Igreja do Ocidente e Igreja do Oriente) que estavam em conflito, pois pretendia usar a estrutura administrativa da Igreja em benefício de seu governo. Uma das idéias de Justiniano era formar novamente o Império Romano em sua Totalidade, ou seja, tomar à força novamente todas as terras que faziam parte do Império do ocidente, com isso fez muitas guerras de conquista, mas para manter um exército permanente ele teve que aumentar a cobrança de impostos. O aumento dos impostos fez com que inimigos políticos patrocinassem a Revolta de Nika, que foi uma rebelião dos principais partidos políticos e esportivos, que reivindicavam uma série de mudanças no governo. Inicialmente Justiniano aceitou algumas exigências, mas quando ele viu que não iria controlar mais a situação, mandou que o general Belissário cercasse os revoltosos e todos foram mortos. As guerras de conquista de Justiniano chegaram a obter êxito, pois, ele reconquistou o Norte da África, a Itália e a Espanha, mas logo foram atacados por bárbaros germânicos que apossaram-se do Egito, Palestina, Síria, Mesopotâmia, África e Espanha. Com tantas guerras o Império Bizantino começou a sofrer dificuldades financeiras, a população para fugir dos impostos começou a refugiar-se no interior sob a proteção dos grandes latifundiários. Aos poucos o Império Romano do Oriente foi perdendo sua força política e Militar até o ano de 1453 quando foram invadidos e dominados pelos turcos, este fato foi utilizado pelos historiadores para marcar o fim da Idade Média e o começo da Idade Moderna.
Os Muçulmanos (Religião Islâmica)
O povo Árabe era Politeísta (acreditavam em vários deuses) e Idólatra (adoravam seus deuses como ídolos), uma parte da população eram chamados Beduínos, e viviam no deserto, submetidos a uma vida muito difícil e sacrificada, e a outra parte era constituída de comerciantes que viviam do comércio da cidade de Meca. Na cidade de Meca havia um grande templo religioso chamado Caaba, neste templo havia 360 ídolos pertencentes às tribos do deserto (Beduínos) e todos os anos estas tribos vinham à cidade de Meca para visitar a caaba e seus ídolos religiosos, fazendo com que a cidade de Meca se tornasse um centro intenso de comércio. Além dos ídolos, na caaba havia também a Pedra Negra, que era uma pedra que os árabes diziam que tinha caído do céu (provavelmente um meteorito). O politeísmo árabe era portanto uma fonte de renda para os comerciantes da cidade de Meca, porque ao vir visitar seus ídolos, os árabes aproveitavam para fazer compras e também vender seus produtos. O criador da religião islâmica foi um árabe chamado Maomé, que nasceu de família pobre e foi criado pelo avo que o levou para viver em uma tribo do deserto. Aos 15 anos voltou a cidade de Meca e começou a trabalhar como condutor de caravanas (uma espécie de guia) até casar-se com uma viúva rica chamada Khadidja. Com o casamento, melhorou de vida e começou a fazer viagens pelo Oriente e ter contato com as religiões orientais, além de conhecer também as religiões Judaica e Cristã. O caráter monoteísta destas religiões atraiu Maomé, e ele começou a redigir sua própria religião, que misturava elementos de várias religiões. Por volta dos 40 anos Maomé começou a ter ataques estranhos, além de passar noites em meditação. Foi nesta época que ele afirmou ter tido uma visão do Anjo Gabriel, e nesta visão o anjo dizia que somente havia um deus, Alá, e também somente um profeta, Maomé. A partir deste momento Maomé passou a denominar-se profeta do deus Alá, e seus primeiros seguidores foram seus próprios parentes. Maomé era muito inteligente em suas pregações, dizia que os seus seguidores teriam os prazeres do paraíso, após a morte. Estes prazeres seriam um lugar farto de alimentos saborosos, água gelada, riquezas, mulheres bonitas e principalmente a visão de Deus. Evidentemente a religião progrediu rapidamente, pois, como vimos, ela oferecia tudo aquilo que os Árabes não tinham em sua vida de dificuldades. Por outro lado, a religião de Maomé condenava o politeísmo, sendo assim considerava os deuses da caaba um pecado. Foi neste momento que Maomé começou a ser perseguido pelos comerciantes de Meca, pois, se ele conseguisse implantar sua religião, o movimento de caravanas à cidade de Meca iria diminuir, e com isso os comerciantes iriam perder sua fonte de renda. Os comerciantes decidiram eliminar Maomé, avisado a tempo, ele fugiu para a cidade de Yatreb. Essa fuga ficou conhecida como Hégira (fuga) e marca o início do calendário muçulmano (ano 622). Em Yatreb Maomé continuou sua pregação, iniciou a organização da comunidade muçulmana e mudou o nome da cidade de Yatreb para Medina (cidade do Profeta). Para defender-se dos comerciantes de Meca, Maomé começou a pregar a guerra santa e em 630 conseguiu invadir a cidade de Meca e a caaba, destruindo todos os ídolos, menos a pedra negra. Neste ano nascia o Islão. Maomé morreu na cidade de Meca no ano 632 da era cristã ou ano 10 da hégira (calendário árabe) e seus seguidores reuniram seus ensinamentos em um livro sagrado chamado, o Alcorão (uma espécie de bíblia do islamismo). A expansão islâmica foi intensificada pela guerra santa, que afirmava que todo aquele que morresse lutando pelo islamismo iria direto para o paraíso. Também a religião de Maomé unificou o mundo árabe em torno de um interesse comum, isso deu aos árabes uma união política que eles nunca tinham tido, pois até então viviam em tribos com costumes e ídolos diferentes. Do ponto de vista econômico o islamismo trouxe grande riqueza ao povo árabe, porque nas guerras pela expansão do islamismo eles ficavam com as riquezas e as terras dos povos derrotados, esse fator diminuía a superpopulação das cidades árabes.
Os Bárbaros
No século V, formaram-se muitos reinos de pessoas que não eram romanas, ou seja, eram estrangeiros chamados pelos romanos de Bárbaros, dentre eles podemos destacar: - Os Vândalos (Norte da África) - Os Ostrogodos (na Itália) - Os Visigodos (na Península Ibérica) - Os Burgúndios (no vale do rio Ródano, atual França) - Os Anglo-Saxões (na Bretanha, atual Inglaterra)
As invasões bárbaras desorganizaram muito as atividades produtivas das cidades. No final do Império Romano do Ocidente o comércio quase não existia, pois, apenas negociava-se produtos de luxo (linho, lã, armas e escravos) e os bárbaros com suas freqüentes invasões atrapalharam ainda mais este pequeno comércio, gerando uma aceleração na mudança de vida urbana (típica do Império Romano), para uma nova forma de vida baseada em atividades agropastoris de subsistência: O Feudalismo.
O Reino dos Francos
O reino franco (atual território da França), tornou-se o mais poderoso império da Europa ocidental. Os francos aliaram-se à Igreja e nesse processo os reis se enfraqueceram e os senhores feudais surgiram como autoridades locais poderosas. O fundador do Reino Franco foi o rei Clóvis, que atingiu grande poder com conquistas militares que tomaram terras dos romanos e dos bárbaros. Clóvis converteu-se ao cristianismo e usou a organização administrativa da Igreja para fortalecer seu próprio poder. O Reino Franco funcionava com a exploração econômica dos feudos (fazendas pertencentes aos nobres), e era administrado por funcionários reais chamados prefeitos do palácio. Após a morte do rei Clóvis houveram muitos problemas, porque o reino foi dividido entre seus herdeiros. Este fato fortaleceu muito a autoridade dos Prefeitos do palácio, que passaram a exercer de fato o poder do Reino, pois, os reis passavam o tempo todo se divertindo. Por isso eram chamados reis indolentes. O rei Pepino ajudou muito a igreja, porque, após Ter combatido os bárbaros que ameaçavam Roma, doou o Ducado de Roma, a cidade de Ravena e arredores, para a igreja, e ela formou neste território o Patrimônio de São Pedro, e passou a ter pela primeira vez seu próprio território. Um dos mais importantes reis Francos foi Carlos Magno, porque ele expandiu o reino e lhe deu segurança: dominou os saxões e os converteu ao cristianismo e também conteve a ofensiva muçulmana em território franco. O papa Leão III foi um grande aliado de Carlos Magno, pois colocou sobre a cabeça dele uma coroa dos antigos imperadores romanos. O Império de Carlos Magno dividia-se em 200 condados, administrados pelos condes com o auxilio dos bispos, e estes eram obrigados a fazer um juramento de fidelidade ao rei. Carlos Magno era ao mesmo tempo rei e chefe de igreja, nomeando bispos e abades. A economia do reino era essencialmente agrícola, mas a segurança militar favoreceu o surgimento de muitas formas de comércio.
Em seu reino Carlos Magno promoveu um grande avanço cultural, porque cercou-se de homens cultos, professores de gramática, retórica, filosofia, matemática e música, e tornou obrigatório a alfabetização dos nobres. Estes intelectuais foram responsáveis pela tradução de muitas obras romanas e gregas, e isso foi fundamental para a preservação da cultura clássica durante a idade média. E este movimento de intelectuais patrocinados e protegidos por Calos Magno foi Chamado Renascimento Carolíngio. Carlos Magno morreu em 814, foi sucedido por seu filho Luiz, o Piedoso, que governou até 840, mas com sua morte houve uma disputa entre seus herdeiros que terminou em luta armada. Finalmente em 843, pelo tratado de Verdun, o Império Carolíngio foi dividido em três reinos liderados pelos filhos de Luiz, o Piedoso.
O Sacro Império Romano Germânico
No século V a igreja afirmava que são Pedro, apóstolo fundador de Igreja de Roma, foi designado por Cristo como primeiro chefe da Igreja. O papa era, portanto, o sucessor de são Pedro e o chefe da Igreja. Nesta época o papa Gregório I, aproveitou-se da falência do poder imperial na Itália, onde não havia governante, para assumir o poder político e administrativo (poder Temporal). Com a morte de Carlos Magno, e a falência do seu Império, o papa passou a controlar o sistema eclesiástico do reino Franco, a determinar a nomeação dos bispos da Europa, e a cobrar impostos dos reinos cristãos (fisco pontifical). Com isso a igreja transformou-se em Estado, e o papa passou a Ter poderes de monarca (rei). Os monges foram começando a se organizar e a formar o clero regular, que consistia na união de vários monges em mosteiros, liderados por um Abade. Nestes mosteiros dedicavam-se à oração e ao trabalho (artesanato, agricultura, cultura e educação). Nestes mosteiros existiam grandes bibliotecas onde eram guardadas as obras dos escritores da Antigüidade Grega e Romana e o acesso a estas bibliotecas era restrito aos monges, ou seja, a igreja era detentora de toda cultura escrita da época. Com a crise do Império Romano e a formação dos reinos bárbaros a igreja buscou ligar-se a um reino forte, capaz de protegê-la. Isso explica sua aproximação do Reino Franco, mas ela pagava caro por essa proteção, pois o imperador interferia constantemente nas decisões do papa e dos bispos (Ex: o imperador escolhia os candidatos ao papado). No final da Alta Idade Média, a igreja começou a libertar-se da dominação do imperador, até o ano 962 quando o papa João XII sagrou rei Oton I como imperador. Nascia assim o Sacro Império Romano-Germânico. E neste império ela era o sustentáculo principal, pois, contribuía com impostos e fornecia soldados para o exército. Neste Império houveram problemas com o alto clero, pois alguns integrantes foram acusados de levar uma vida mundana, de não praticar as regras religiosas, e de comercializar os bens da Igreja, considerados sagrados. A Igreja queria pouco a pouco libertar-se do imperador, e em 1059 o papa Nicolau II criou o colégio dos cardeais, responsável pela escolha dos novos papas. Dessa forma a igreja focava liberta da influência dos reis. Mas o Imperador Henrique IV percebeu a manobra da igreja, invadiu Roma, expulsou o papa Gregório VIII e colocou outro papa. O Papa Gregório VIII refugiou-se em Canossa e continuou se considerando líder da Igreja, com isso, nesta época houve um cisma, ou seja, havia dois papas, um verdadeiro no exílio e um antipapa, em Roma. Essa divisão da Igreja só acabaria em 1122 com a Concordata de Worms, que foi o acordo entre o imperador Henrique V e o Papa Calixto III, que definia que o imperador deveria reconhecer o direito de o papa indicar os bispos, mas seriam nomeados primeiramente pelo papa, no seu poder espiritual e, depois, pelo imperador em seu poder político. Este acordo deixa bem claro a aliança entre os monarcas e a igreja na Idade Média.
O Feudalismo
O Sistema feudal foi uma organização econômica, social, política e cultural baseada na posse da terra e não no comércio, ou seja, o que interessava nesta época era ter muitas terras, pois o comércio praticamente não existia. A produção de alimentos servia apenas para servir aos habitantes das fazendas (feudos), não era feito comércio (troca) com estes produtos. O dono das terras (feudo) era o senhor feudal e os trabalhadores que moravam em suas terras eram os servos. Estes trabalhavam nas terras do senhor, pagando com produtos a utilização da terra e a proteção militar que o senhor proporcionava, porque, nesta época todos precisavam de proteção militar, pois, as guerras e invasões eram muito comuns. Os senhores feudais eram responsáveis também pela administração das terras, pois na organização medieval os reis mandavam muito pouco. A igreja aproveitou-se desta situação para impor (obrigar) sua doutrina na Europa. As pessoas viviam de acordo com as regras da igreja, tornando assim a igreja a mais rica e poderosa instituição medieval. Os servos não eram escravos, mas não poderiam abandonar nem ser expulsos das terras do senhor, que exercia poder total no feudo: ele fazia as leis, concedia privilégios e administrava a justiça. No feudo havia diferentes tipos de propriedade da terra: - Posse coletiva, que eram os bosques, florestas e pastagens. Nestas terras todos os servos poderiam andar, colher frutos ou levar animais para pastar, ou seja estas terras eram de todos. - Posse privada ou manso senhorial: eram as terras do senhor feudal (sempre as melhores terras para plantação). - Posse da terra em regime de co-propriedade ou manso servil: eram as terras onde o servo morava e cultivava seus alimentos, mas, estas terras eram do senhor, e por isso, o servo deveria pagar um imposto chamado Talha. Nos feudos haviam vários tipos de obrigações (impostos): - Corvéia: o servo era obrigado a trabalhar três dias por semana nas terras do senhor (manso senhorial), em serviços diversos. - Talha: era o imposto cobrado pela utilização das terras no manso servil. - Banalidades: eram as taxas cobradas quando os servos usavam as instalações do feudo (celeiro, moinho, forno, toneis). - Taxa de casamento: o servo pagava quando casava com uma mulher de outro feudo. - Mão morta: taxa paga pela família após a morte de um servo, esta taxa servia para a família continuar com a posse da terra.
Além destes impostos pagos ao senhor, os servos pagavam impostos para a igreja, e esta enviava uma parte para Roma.
As técnicas de trabalho no sistema feudal eram muito rudimentares (simples, atrasadas). A terra era muito mal preparada e as sementes utilizadas eram da má qualidade, gerando uma produção muito baixa. A única técnica utilizada na época para evitar o esgotamento do solo era a Rotação de Cultura, que consistia em dividir a terra em três partes, e a cada ano somente utilizava-se para plantação somente duas partes, a parte restante ficava em repouso, servindo de pastagem para animais, no ano seguinte alternava-se as partes deixando outra parte em repouso. No sistema feudal, não havia divisão de trabalho, todos faziam tudo, mas os servos não tinham interesse em produzir mais ou melhorar as técnicas de trabalho, porque se eles conseguissem aumentar sua produção, imediatamente o senhor arranjavam um jeito de cobrar mais impostos. Com isso, a produção de alimentos não aumentava e as populações viviam correndo risco de passar fome, porque a cada ano o número de habitantes dos feudos crescia. Na idade média a condição social de um indivíduo era determinada em seu nascimento, ou seja, quem nascesse servo, seria servo a vida toda. Além dos servos e dos senhores, haviam outras classes sociais no sistema feudal: - Os vilões: eram os habitantes das vilas, que serviam como empregados do senhor feudal (administradores dos feudos, cavaleiros, domésticos, etc.) - O clero: eram os integrantes da igreja, e somente eles tinham acesso a cultura, por isso, ocupavam cargos importantes nos reinos. - Os nobres: eram pessoas que de alguma forma conseguiram acumular capital e formavam uma classe ligada diretamente aos reis. - Os vassalos: eram guerreiros que se ofereciam para trabalhar para os nobres, e em recompensa geralmente recebiam dinheiro ou terras para formarem um feudo. - Os suserano: quando um nobre chamava um vassalo para ajudá-lo ela passava a denominar-se suserano deste vassalo.
Os membros da nobreza eram analfabetos e seus hábitos de higiene, rudimentares. As condições em que os servos viviam eram ainda piores. Por isso, as pestes eram muito freqüentes e causavam a morte de milhares de pessoas. As mortes eram, em geral explicadas como castigo de Deus. Neste sentido a igreja foi integralmente culpada, porque proibia qualquer forma de avanço na ciência, ou seja, era proibido a qualquer pessoa fazer pesquisas médicas para tentar descobrir algum remédio para as doenças. Com todo este poder ideológico, a igreja tornou-se a maior proprietária de terras da Europa. Além de outras regras, a igreja também proibia o comércio, e principalmente o lucro, ou seja, ele pregava que a finalidade do trabalho não era o enriquecimento. Assim cada um deveria ficar na posição em que se encontrava e não desejar ser mais do que era ao nascer. Se alguém obtivesse lucro, em alguma troca, este lucro deveria ser repassado à igreja, “Em nome de Deus”. A igreja estimulava as intrigas entre os nobres e os reis. Com isso promovia a divisão e o enfraquecimento do poder da nobreza e, assim podia exercer sua própria autoridade política.
O Renascimento Comercial e as Cruzadas
Como vimos no capítulo anterior, na Alta Idade Média, a produção era destinada ao consumo do feudo e os produtos excedentes não eram trocados, simplesmente se estragavam. Por isso, os trabalhadores não buscavam novas técnicas para aumentar a produtividade. Mas a partir do século XI, quando acabaram as ondas invasoras, criou-se um clima de maior segurança nas estradas, favorecendo os mercadores e, com isso, aumentando o comércio em toda Europa. Houve também uma melhoria das condições de vida, diminuindo o número de mortes e a população européia começou a aumentar muito. Com uma população maior, havia a necessidade de aumentar a quantidade de alimentos produzidos, e neste sentido o feudalismo não era mais a forma adequada às necessidades produtivas da época. Para resolver o problema da falta de produtos, havia duas possibilidades: impedir o crescimento da população ou aumentar a produção. Como na época não se conhecia nenhum método de controle da natalidade, a solução estava no aumento da produção. Para aumentar a produção a saída foi substituir o trabalho servil pelo trabalho livre assalariado, ou seja, os trabalhadores ganhariam por aquilo que produzissem. Assim, quanto mais um trabalhador produzir, mais receberá. Por sua vez, se os trabalhadores produzem mais, os empresários terão mais produtos para vender. E quanto mais venderem, mais lucros terão. A este novo modo de produção chamou-se CAPITALISMO. Ao contrário do feudalismo, o capitalismo é um sistema que incentiva a produtividade e o aumento da população, pois, quanto maior for a população, maior será o mercado consumidor, ou seja, haverá mais pessoas para comprar os produtos e, portanto, mais lucros terão os empresários. A intensa marginalização ocorrida no século XI contribuiu para agravar a crise feudal, pois, os senhores, para aumentar suas rendas, aumentaram as obrigações (impostos) dos servos, com isso, houve uma fuga em massa de servos e vilões em busca de melhores oportunidades, e os que ficavam acabavam tornando-se mendigos ou bandidos. Os feudos foram sendo divididos em herança, mas apenas os filhos mais velhos recebiam terras, os mais jovens tinham que buscar outra forma de sobreviver. Esses jovens cavaleiros saíam em busca de casamentos vantajosos, seqüestro de um senhor ou assalto nas estradas. A solução para essa violência foi direcioná-la para os “infiéis muçulmanos”, que desde o século VIII controlavam o mediterrâneo. Assim a Igreja e os Reis organizaram as cruzadas, com o objetivo de recuperar os lugares onde tinha vivido Jesus Cristo, e também controlar as rotas comerciais orientais. As cruzadas fizeram com que os europeus tivessem contato com a cultura oriental, fazendo com que na Europa desenvolvesse-se: - Uma economia baseada na moeda - O surgimento de uma classe de comerciantes - A difusão do espírito do lucro - Um maior refinamento no modo de vida - Novas conhecimentos técnicos - Novas práticas financeiras e comerciais (cheque, contabilidade, letra de câmbio)
O Renascimento Urbano
O sistema feudal em crise gerou muitos homens sem raízes, que andavam aos bandos pelas estradas, assaltando e, quando possível, trocando ou vendendo o que roubavam. Uma parte desses homens passou a comercializar legalmente seus produtos, mas não era fácil. No inverno as estradas ficavam cobertas de neve e lama, além do perigo constante dos assaltos. Para se proteger, os comerciantes abrigavam-se nos muros dos castelos (estes castelos eram chamados burgos), que eram geralmente muito bem localizados. Estes pontos de parada tornaram-se pólos de comércio regionais, e novas construções foram sendo erguidas em torno das muralhas dos castelos, dando origem a muitas cidades. O aumento deste tipo de comércio levou à formação de novos povoados entre uma cidade e outra, mas estas cidades não tinham nenhum tipo de planejamento, as ruas eram geralmente tortuosas e inclinadas, pois procurava-se fazer as cidades em colinas para facilitar a defesa. Com a falta de rede de esgoto, os detritos eram jogados nas ruas, numa vala, por onde escorriam para os limites da cidade, ocasionando muitos focos de epidemias que, com freqüência dizimavam (matavam) as populações. A população que habitava estas cidades era composta por comerciantes e artesãos, que formavam a burguesia, ou seja, a classe social característica dos burgos. A nobreza interessou-se pelos burgos e estimulou a fundação deles em suas terras, porque os burgueses pagavam impostos pelo direito de fazer comércio em suas terras. Com o comércio muito intenso, os burgueses enriqueciam e começavam a disputar com os senhores feudais o privilégio de governar as cidades, ou seja, eles tinham o poder econômico e queriam também conquistar o poder político. Os artesãos começaram a se organizar em grupos, chamados corporações de ofício. Estas corporações eram sociedades que reuniam profissionais da mesma categoria: sapateiros, padeiros, tecelões, etc.) que se reuniam para aumentar a produção e o lucro. Os comerciantes também reuniram-se em sociedades chamadas guildas. No século XIII os burgueses mais ricos, membros das maiores corporações, já tinham o controle da maioria das cidades européias. Que passaram a ser administradas por uma assembléia que inicialmente era escolhida democraticamente pela população local, mas com o tempo, os cargos públicos foram sendo ocupados somente por famílias mais ricas e passaram a ser transmitidos hereditariamente. As associações de artesãos (corporação de ofício) e comerciantes (guildas) começaram a controlar o mercado e os salários, e pouco a pouco, passaram a pagar baixos salários aos trabalhadores, com isso, os artesãos, que eram donos da matéria- prima, das ferramentas e do local de trabalho, começaram a obter lucros cada vez maiores. A burguesia comprou também dos senhores feudais o direito de cunhar moedas. Assim, cada cidade passou a emitir seu próprio dinheiro.
O Comércio Internacional em nova fase
Desde a Antigüidade existia um imposto que era cobrado dos viajantes nas estradas: o pedágio. Na idade média, os senhores feudais cobravam pedágio nas estradas que cortavam suas propriedades, com um único objetivo de aumentar suas rendas. Esse imposto aumentava muito o preço dos produtos. Outro fator importante que alterava o preço dos produtos, era as mas condições das estradas e as grandes distâncias, que dificultavam as vendas. A partir do século XI, o comércio marítimo internacional, através do mediterrâneo começou a ser utilizado, e Veneza, por sua posição estratégica entre o Oriente e o Ocidente tornou-se a primeira potência marítima. A moeda veneziana (ducado de ouro) passou a ser o padrão monetário do comércio internacional, como o dólar é atualmente. As caravanas que percorriam os caminhos da Ásia, continuaram sendo controladas pelos árabes. Impulsionados pelo espírito do lucro, os comerciantes italianos estabeleceram relações de comércio com os muçulmanos. Nas rotas comerciais, começaram a se estabelecer feiras, que geralmente se situavam no cruzamento de duas estradas importantes, ponto de encontro de comerciantes das mais diversas localidades. Nestas feiras comercializavam-se tecidos, couro, peles, gado, peixes, trigo, sal, açúcar, especiarias e drogas medicinais. Por causa da grande variedade de moedas trazidas pelos comerciantes, os cambistas exerciam um papel fundamental nas feiras, efetuando a troca de moeda e emprestando dinheiro a juros, desenvolvendo assim o sistema bancário da época.
Começou a haver a necessidade de capital (dinheiro) para realização de grandes negócios o que deu origem às companhias mercantis, onde, o dono do capital (o capitalista) e o mercador se associavam, e enquanto o capitalista fornecia o dinheiro, o mercador encarregava-se de fazer os negócios. Os lucros eram divididos da seguinte forma: - 75 % para o capitalista. - 25 % para o comerciante
As moedas começaram a ter um papel importante neste comércio, mas havia a necessidade de estabelecer um padrão monetário único, pois na idade média os senhores e os reis cunhavam suas próprias moedas, e nas feiras aquelas que possuíam uma quantidade maior de ouro, prata ou cobre, tinham maior valor de compra. Devido a falta de metais, e o aumento do comércio, começou a faltar moedas. Surgiram então outras formas de pagamento a crédito: A letra de feira e a letra de câmbio, que eram documentos pelos quais o comprador comprometia-se a pagar sua dívida com o comerciante, acrescida de juros, num prazo determinado. Os emprestadores de dinheiro, geralmente Judeus, atendiam: o camponês, que teve uma má colheita, ou o senhor feudal, que precisou financiar uma guerra, por exemplo. Começaram a surgir os bancos, com o objetivo de emprestar dinheiro. Os empresários tomavam dinheiro dos bancos, aplicavam em seus negócios, obtinham mais lucros e, assim, iam acumulando capital. A igreja, que condenava totalmente o lucro, foi pouco a pouco, se adaptando a esta nova situação histórica e tolerando a prática da usura.
As Monarquias Nacionais (os novos países)
Com a evolução do comércio, os comerciantes sentiram-se prejudicados com a descentralização do poder, pois, em cada feudo, o senhor cunhava sua própria moeda, fazia leis e cobrava impostos pelas transações comerciais efetuadas em suas terras. Até mesmo a língua falada variava de um feudo para outro. Todos estes fatores atrapalhavam as transações comerciais e desagradavam os comerciantes que exigiam um poder centralizado e forte. Nesta época os reis não tinham poder político nenhum, apenas mandavam em suas terras, mas, perante a população mantinham um poder ideológico muito forte. Para aumentar o poder dos reis, seria preciso diminuir o poder da Igreja e dos senhores feudais. A burguesia percebeu que os reis eram muito respeitados pela população e então fizeram um acordo de interesses onde a burguesia financiaria a formação de grandes exércitos reais, para que os reis invadissem terras e nelas fundassem territórios (Nações) com poder centralizado. Nestas Nações os reis dominavam absolutos obrigando seus habitantes a: - Obedecerem um conjunto de leis; - Falar uma língua única; - Manter mesmos costumes; - Praticar a mesma religião; - Utilizar a mesma moeda; - Proibir o pedágio.
Evidentemente todas estas medidas serviriam para facilitar e aumentar o comércio internacional, favorecendo a burguesia, ou seja, os Reis, apoiados pelos burgueses, criaram os primeiros Estados Nacionais. Em troca do apoio financeiro dado pela burguesia, os reis comprometiam-se a favorecer as atividades comerciais, e para isso, era necessário pôr um fim ao sistema feudal. A primeira e mais expressiva Monarquia Nacional da Europa foi a França, nela os reis apoiados pela burguesia e alguns membros do clero aumentaram seus domínios, após derrotarem alguns focos de resistência da nobreza. Além dos problemas internos a França teve que enfrentar vários distúrbios externos, e o mais importante destes foi a guerra dos cem anos, que França e Inglaterra disputaram um importante centro produtor de tecidos e lã, chamado Flandres. Esta guerra também tinha outro motivo: o rei da Inglaterra, Eduardo III era neto do rei da França e por isso, dizia ter o direito de ocupar o trono da França. No início da guerra, em 1337 os ingleses levaram vantagem, mas, após vários conflitos, em 1453, com a tomada da cidade de Bordéus pelos franceses, os ingleses se renderam e a guerra chegou ao fim.
O Surgimento do Capitalismo.
Na Alta Idade Média, as relações de trabalho eram servis. Mas, na Baixa Idade Média, os senhores feudais, para aumentar suas rendas, começaram a contratar pessoas para serviços temporários. Estas pessoas chamavam-se Jornaleiros, porque, recebiam um salário por sua jornada de trabalho, mediante um contrato feito com os senhores. Esta característica é típica da Europa Ocidental, pois, a população estava crescendo muito rápido e a procura por alimentos era cada vez maior, e o trabalho assalariado mostrava-se mais produtivo do que o trabalho servil. Já na Europa Oriental, os senhores feudais conservaram a servidão em suas terras e alguns chegaram até mesmo a aumentar as obrigações dos servos, transformando-os em verdadeiros escravos. Com a crise do século XI os senhores feudais começaram a mudar seus hábitos, e empregar novas técnicas e inovações tecnológicas, como o uso de ferradura nos animais e novos tipos de arado. Os senhores feudais que viviam perto das grandes cidades, passaram a valorizar sua produção para vendê-la no mercado, e os servos começaram a ser libertados de suas obrigações mediante pagamento de uma soma em moeda, pois, aos senhores agora interessava o trabalho livre. Em algumas regiões em que o capitalismo se desenvolveu mais rapidamente, a situação do camponês tendeu a melhorar. Às vezes, ele conseguia vender o excedente de sua produção no mercado e assim obter dinheiro, com o qual comprava produtos na cidade ou então sua própria liberdade. Essas mudanças não ocorreram na mesma velocidade em todos os lugares, ou seja, neste momento na Europa você encontra lugares com características capitalistas, enquanto outros vivem com características feudais. No século XIV houve um grande problema que gerou uma depressão na economia Européia. Cerca de um terço ou até mesmo metade da população morreu, vítima da Peste Negra: uma grande epidemia provocada por um vírus, que principalmente vitimou tanta gente, devido as precárias condições de higiene européias e a insuficiência alimentar da maior parte da população.
A Igreja aproveitou-se desse fenômeno biológico para dizer que a peste seria um castigo divino pelos pecados cometidos pela população cristã. No século XV, passados os efeitos da peste negra, a população da Europa voltou a crescer, e com ela cresceu também as atividades econômicas e comerciais. Com este crescimento surgiram alguns problemas: - Com o comércio, diminuiu o número de pessoas no campo, com isso, houve uma insuficiência de alimentos para abastecer as cidades. - No campo, devido aos baixos salários, os trabalhadores não tinham dinheiro para comprar os produtos dos comerciantes. - Os produtos vindos do oriente eram muito caros, porque, até chegar a Europa, estes produtos passavam por inúmeros intermediários. - Houve uma falta de dinheiro no mercado, pois grande quantidade de moedas de ouro, usadas no mercado internacional, tinha ido parar no Oriente, em pagamento dos produtos aí adquiridos.
A única forma de sair desta crise seria explorar novos mercados, para neles conseguir: alimentos, especiarias, metais a baixo custo, e principalmente consumidores para os produtos fabricados ou comercializados pelos burgueses. Foi ai que no século XV, a burguesia européia lançou-se na aventura da Expansão Marítima.
As Mudanças na Religião e nos Costumes.
Com o desenvolvimento do capitalismo e a ascensão da burguesia, na Baixa Idade Média, a posse da terra deixou de ser a base da economia. E o comércio, ou seja, a compra de mercadorias a baixo custo e sua revenda com lucro passou a ser a fonte de riqueza. Como a Igreja e suas idéias de pecado (lucro e usura) estavam atrapalhando a burguesia, era preciso introduzir novas idéias e valores na sociedade. Para isso, a burguesia começou a divulgar a idéia de que o homem era dono de seu próprio destino, diminuindo sua subordinação a Deus. A insatisfação dos cristãos em relação ao comportamento do clero favoreceu o aparecimento de doutrinas contrárias aos ensinamentos da Igreja. Essas doutrinas foram chamadas pela Igreja de Heresias (em grego = erro ou opinião diferente). Para combater estas opiniões diferentes a Igreja criou no século XIII os tribunais da inquisição. E através deles, as pessoas acusadas de heresia eram presas, tinham seus bens confiscados e eram submetidos a interrogatórios por cardeais, bispos e abades. Para obter a confissão dos acusados, os inquisidores faziam torturas cruéis e quem fosse considerado herege ou dado a prática de bruxaria era condenado à morte na fogueira, em praça pública. Esse espetáculo servia para espalhar o terror entre as pessoas e assim força-las a abandonar as doutrinas heréticas e a se submeter aos ensinamentos da Igreja. Como na idade média a Igreja detinha todos os livros em seus mosteiros, ele passou a monopolizar o saber, pois neste período as pessoas não sabiam ler nem escrever. Este privilégio era somente permitido aos integrantes da Igreja. Mas com o surgimento da produção e do comércio, era indispensável que os cidadãos ligados a estas atividades soubessem ler e escrever Para alterar este sistema, no século XII, os burgueses criaram as primeiras escolas leigas da Idade Média, ou seja, escolas cujo ensino não era estritamente religioso, e a evolução dessas escolas culminou com o surgimento das universidades. Onde nelas a burguesia introduziu o estudo do Direito Romano, para justificar a centralização do poder na pessoa do rei.
Do Feudalismo ao Capitalismo.
Em seu desenvolvimento, o sistema capitalista passou por quatro fases, desde a baixa idade média a atualidade. Na primeira fase, denominada pré-capitalismo (séculos XII a XV) encontramos ao mesmo tempo características do sistema feudal e características do sistema capitalista, convivendo no mesmo tempo e no mesmo espaço físico, ou seja, no pre-capitalismo, no mesmo momento na Europa encontravam-se cidades que estavam perfeitamente adaptadas ao sistema capitalista (trabalho livre assalariado, existência de comércio, etc.), cidades que viviam sob domínio do sistema feudal (trabalho servil), e outras cidades dividiam-se em uma parte feudal e outra capitalista. Na Segunda fase, chamada capitalismo comercial, que ocorreu entre os séculos XVI e XVIII, o capital (dinheiro) concentrou-se nas mãos dos comerciantes (burgueses), porque com o surgimento do comércio, esta classe social, obteve muito sucesso com as transações comerciais tornando-se muito poderosa, pois, compravam os produtos dos artesãos ou produtores agrícolas à preços muito baixos e vendiam em outras localidades por um preço muito mais elevado, com isso, obtinham lucro e acumulavam capital. Na terceira fase, ocorrida entre os séculos XVII a XX, o capitalismo denomina-se industrial, porque após acumular capital na fase anterior, os burgueses perceberam que o comércio não era a atividade mais lucrativa, mas sim, a indústria, ou seja, os burgueses notaram que comprando o produto de uma pessoa e vendendo para outra eles obtinham lucro, mas se eles mesmos produzissem o material a ser vendido, o lucro seria muito maior, logo os burgueses investiram em novas técnicas de produção que aumentassem a quantidade de materiais produzidos para poder vender muito mais e consequentemente acumular mais capital. Na Quarta fase, que teve início no final do século XIX e estende-se até hoje, o burguês, percebe outra forma de acumular mais capital. Com o capital acumulado nas outras fases, a burguesia começa a concentrar seu dinheiro em organizações financeiras (bancos), com o objetivo de emprestar dinheiro cobrando juros, ou seja, a burguesia sem comercializar nem produzir nada, consegue obter lucros muito grandes apenas emprestando dinheiro a pessoas necessitadas mas cobrando um acréscimo quando do pagamento. Sem dúvida, esta forma de capitalismo é a mais segura e a mais rentável.
Monarquias Nacionais – (Economia Urbana)
Durante a Idade Média, o sistema monárquico continuou existindo, mas o poder do rei era muito pequeno, quem realmente detinha o poder eram os senhores feudais em seus domínios e a Igreja controlando ideologicamente toda a Europa. Com a crise do sistema feudal, os senhores, a Igreja e as corporações de ofício tiveram seu poder enfraquecido, e neste contexto a burguesia conquistava a cada dia mais prestígio político e econômico. Para desenvolver suas atividades de comércio, a burguesia necessitava de territórios com poder centralizado, ou seja, grandes áreas sob comando de um único soberano (um único chefe). Foi ai que os burgueses aliaram-se aos reis para patrocinar a fundação das Monarquias nacionais. Os Reis receberam ajuda econômica da burguesia para montar exércitos e invadir territórios, e nestes territórios instalar as monarquias nacionais, nestas Monarquias os reis obrigavam a todos os seus habitantes a seguirem leis únicas, que beneficiavam unicamente as atividades econômicas da burguesia. Estas leis eram basicamente: - Instituição de moeda única - Obrigatoriedade dos habitantes de falarem a mesma língua - Proibição do pedágio nos territórios reais - Uniformização dos padrões de pesos e medidas
Em síntese, com o apoio da burguesia, os reis dominaram grandes territórios, impondo a todos os povos que viviam em seus domínios a mesma língua, a mesma religião e a mesma cultura, Assim, surgiram na Europa ocidental as diversas monarquias nacionais, baseadas na aliança de interesses entre os reis e a burguesia.
A Expansão Marítima
Como vimos em capítulos anteriores, no fim da Idade Média e início da Idade Moderna houveram grandes problemas econômicos na Europa. A produção agrícola era pequena porque o sistema feudal utilizava técnicas rudimentares, consequentemente havia falta de alimentos nas cidades. Já a produção artesanal nas cidades era alta mas não haviam consumidores, pois os camponeses que viviam em um sistema servil, não tinham dinheiro. Com uma população empobrecida e impossibilitada de pagar impostos, os nobres e senhores também não conseguiam comprar os produtos de luxo vindos do oriente (especiarias, pedras preciosas, objetos raros). A solução para o problema seria encontrar novos mercados, capazes de fornecer alimentos e metais a baixo custo, e ao mesmo tempo encontrar nestes mercados consumidores para os produtos europeus. Os mercados da Índia, da China e Japão eram controlados pelos mercadores árabes e quando os produtos chegavam até a Europa, já haviam passado por vários atravessadores (intermediários), encarecendo o preço. Mas se fosse descoberta uma nova rota marítima que ligasse a Europa diretamente ao oriente, o preço dos produtos seria reduzido. Então, no século XV, a burguesia européia, novamente apoia financeiramente as monarquias nacionais e em conjunto, começaram a lançar suas embarcações nos oceanos ainda desconhecidos (Atlântico, Índico e Pacífico) em busca de novos caminhos para o Oriente. Nessa aventura marítima, descobriram um mundo até então desconhecido: a América. Em 1492, o navegador italiano Cristóvão Colombo ofereceu ao rei e a rainha da Espanha o projeto de alcançar as Índias navegando para o ocidente, mas em sua viagem, navegando sempre em direção ao ocidente, Colombo encontrou no meio do caminho, novas terras, que ele pensou serem as índias. Na realidade, havia descoberto um novo continente, que depois foi chamado de América. Em 1498, o navegador português Vasco da Gama contornou o continente africano e navegando através do oceano Índico, atingiu a Índia pelo Oriente. Em 1500, “segundo a história oficial” os navegadores portugueses comandados por Pedro Álvares Cabral atravessaram o atlântico e ancoraram suas caravelas em terras desconhecidas: o Brasil. Com a descoberta de novas rotas comerciais, a burguesia encontrou outros mercados fornecedores de alimentos, de metais preciosos e de especiarias a baixo custo. Então, podemos afirmar que a expansão comercial e marítima dos tempos modernos foi, portanto, uma conseqüência da crise de crescimento da economia européia.
A Descoberta das Novas Terras
O oceano Atlântico sempre atraiu a curiosidade dos navegadores europeus, mas as poucas expedições que se aventuraram mar a dentro nunca mais voltaram, estes problemas geraram muitas lendas de monstros marinhos, águas ferventes e pedras-íman, que puxavam os barcos para o fundo. No século XIV ainda não se conhecia o real formato da terra, acreditava-se que a terra era plana como uma mesa, terminando em abismos sem fim. Mas haviam aqueles que a imaginavam redonda, mas para provar esta teoria seria necessário aperfeiçoar as técnicas de navegação. Neste sentido os Portugueses criaram a caravela, as naus (grande caravela), adaptaram a bússola para uso náutico, aperfeiçoaram o quadrante, o astrolábio a balestilha, e a cartografia. Todo este investimento por parte do governo Português tinha um fundo econômico que era o de controlar o comércio africano de ouro em pó e marfim, e neste sentido eles foram construindo feitorias em pontos avançados da África. O tráfico de escravos da Guiné tornou-se fonte de lucro para Portugal. Os bons resultados da exploração da costa africana pelo reino de Portugal despertou interesse de outras potências marítimas, nisto os reis da Espanha decidiram financiar os planos de um navegador Italiano, Cristóvão Colombo, que se propunha a encontrar outra rota marítima para as Índias navegando em direção ao oeste, pelo oceano Atlântico, Colombo defendia a idéia de que a Terra era esférica e que, portanto, se navegasse sempre em direção ao oeste, chegaria às Índias, localizadas no leste. No dia 3 de agosto de 1492 Colombo iniciou sua ambiciosa aventura, mas no dia 12 de outubro de 1492 aportou em uma pequena ilha do Caribe. Imediatamente julgou estar próximo das Índias, pois, não podia imaginar que entre a costa européia e a China e o Japão existia outro continente. Acreditando estar nas índias chamou seus habitantes de índios. Em 1506, Colombo morreu miseravelmente na cidade espanhola de Valladolid, ainda certo de que havia alcançado o Oriente. Somente em 1501, o navegador Américo Vespúcio, a serviço de Portugal, percorreu o litoral sul-americano e afirmou que as terras descobertas por Colombo tratavam-se de um grande continente desconhecido. Em homenagem a Américo Vespúcio, o novo continente recebeu seu nome: América. Em 20 de Maio de 1498 os portugueses alcançaram às Índias fazendo uma circunavegação na África, Esta expedição foi liderada por Vasco da Gama, que conseguiu estabelecer relações comerciais com os governantes Orientais proporcionando um lucro de 6000% a Coroa Portuguesa. No dia 9 de março de 1500 uma esquadra portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral “segundo a história oficial” partiu ruma às Índias, porém, as naus desviaram-se de sua rota original e, rumando para sudoeste, avistaram terra no dia 22 de Abril. Haviam chego ao Brasil. O descobrimento não foi obra do acaso. Desde a assinatura do tratado de tordesilhas (1494) a coroa portuguesa sabia da existência desse território. A expedição de Cabral teve por objetivo apenas tomar posse do território. A frota de Cabral percorreu o litoral brasileiro na altura da Bahia à procura de ouro, mas somente encontraram grande quantidade de uma madeira de boa qualidade conhecida como pau-brasil. Até 1503, nosso país era chamado pelos portugueses de Ilha de Vera Cruz. Posteriormente foi denominado, por Dom Manuel I, de terra de Santa Cruz. Pouco depois, pela importância que o comércio de pau-brasil adquiriu para Portugal, as novas terras receberam definitivamente o nome de Brasil.
O Renascimento
Através do comércio internacional, a burguesia italiana acumulou capital e passou a contratar artistas para esculpir estátuas e pintar quadros que exaltassem sua própria classe social. Os sábios renascentistas começaram a estudar a natureza, observando os fenômenos que ocorrem nela e realizando experimentos com plantas e animais (método de investigação). A necessidade de expansão dos mercados que gerou as grandes navegações, estimulou o estudo científico do espaço terrestre e de sua relação com o universo. Comprovou-se então que a terra era uma esfera e que girava em torno do sol. O que os artistas estavam fazendo era apenas retornar a cultura clássica, desenvolvida pelos povos antigos (gregos, romanos) e esquecida durante toda a Idade Média. Daí o nome que esse movimento recebeu, pois se tratava de um renascimento da cultura da Antigüidade. Os humanistas eram os intelectuais que defendiam uma reforma no ensino das universidades da Europa, estes queriam introduzir disciplinas como poesia, história e filosofia em seu programa, eles se dedicaram ao estudo das línguas clássicas e a partir do século XIV os diferentes dialetos regionais deram origem às línguas nacionais: português, espanhol, francês, italiano e romeno. Uma parte dos humanistas dedicou-se a estudar a natureza. Eles afirmavam que a fonte da verdade era, portanto, a razão e não as crenças, a religião ou a divindade. Entre eles podemos destacar: - Nicolau Copérnico: defendia a tese de que o sol estava no centro do universo e que os planetas, inclusive a Terra, giravam ao seu redor. - Galileu Galilei: deu continuidade as idéias de Copérnico, mas foi condenado à morte pelo tribunal da Inquisição, a não ser que negasse suas teorias, Galileu para continuar vivo, negou que o sol ocupava o centro do sistema solar e que a terra girava em torno dele. Galileu é considerado o cientista que mais contribuiu para a formação da Física Moderna. - Leonardo da Vinci: Matemático, físico, poeta, músico, escultor e pintor, criou máquinas originais acionadas por energia hidráulica, e imaginou outros aparelhos impossíveis de serem construídos em seu tempo: submarinos, escafandros, carros de guerra e até uma máquina voadora.
Século XVI – As Novas Religiões
Na idade média, a Igreja condenava as atividades comerciais e bancárias consideradas prejudiciais à sociedade. Apesar disso, acumulou muitos bens, pois difundira-se entre os cristãos a idéia de que a conquista do paraíso, após a morte, dependia da realização de boas ações na Terra. Entre as boas ações incluía-se a doação de riquezas para a Igreja. Com o fortalecimento da burguesia, houve a necessidade de reformar esta mentalidade religiosa, pois, havia necessidade de criar uma religião que reduzisse o prestígio do clero. Os reis das monarquias nacionais em formação também entusiasmaram-se com a idéia de acabar com a igreja, além disso, em cada nação da Europa, o rei e a burguesia ambicionavam apoderar-se dos bens pertencentes à Igreja, principalmente terras. Havia também uma grande insatisfação religiosa entre as pessoas por causa das necessidades espirituais dos fiéis e da organização da Igreja, preocupada apenas com brigas políticas e com o próprio enriquecimento material. Neste contexto, os humanistas do renascimento procuraram reinterpretar a religião cristã tradicional à luz da filosofia grega e romana e chegaram à conclusão de que a cada indivíduo, e não a Deus, cabia a responsabilidade por seu destino. Outro motivo da revolta contra a Igreja foi a cobrança das indulgências, que eram um documento assinado pelo papa que garantia, a quem o comprasse, o perdão de seus pecados.
O Luteranismo
Martinho Lutero era um monge alemão professor de Teologia. Em 1517, aproveitando o abuso praticado com a venda das indulgências, Lutero escreveu e fixou, na porta da catedral de Wittenberg, 95 teses, condenando a corrupção do clero e declarando que a salvação dependia somente da fé de cada um. Seria o princípio básico do protestantismo. A alta nobreza alemã imediatamente aderiu ao protestantismo de Lutero e adotou o luteranismo como religião oficial do Império. No luteranismo, durante o culto, os fiéis apenas cantam salmos e fazem a leitura da Bíblia. Lutero conservou dois sacramentos do catolicismo: o batismo e a eucaristia.
O Calvinismo
As pregações de Lutero foram assimiladas pelo francês Calvino, que lhes conferiu uma moral mais austera e um culto mais simples: nada de santos nas igrejas, nem sacerdotes paramentados. Apenas o fiel com sua bíblia, rezando para Deus. Mas para Calvino, a salvação não depende dos fieis, depende de Deus, que escolhe as pessoas que deverão ser salvas (doutrina da predestinação).
A contra- reforma
O rápido avanço do protestantismo levou a Igreja Católica a uma situação desesperadora: ou se mobilizava para combatê-los ou os cristãos virariam protestantes, neste sentido, os jesuítas foram encarregados de organizar um concílio para reformar a Igreja e traçar um plano para enfrentar o avanço protestante. Em 1545, na cidade de Trento, houve uma reunião de representantes da Igreja (o concílio de Trento), a partir desse concílio foram estabelecidas novas bases para a atuação da Igreja Católica: era a Contra-Reforma. Assim, a Igreja conseguiu recuperar algumas áreas de influência na Europa.
As Civilizações Pré-Colombianas
Maias, Astecas e Incas. Estas civilizações viviam na América Central e nos Andes Peruanos. Eram índios de pele escura, com as maçãs do rosto salientes e baixa estatura. Mesmo sem contato entre si, apresentavam modo de vida semelhante, construindo templos em forma de pirâmides e cultivando deuses, que representavam elementos da natureza. Em todos estes impérios, a casta dos guerreiros era muito prestigiada, pois, dela dependia a manutenção da ordem nas fronteiras e, sobretudo, a garantia do pagamento de impostos, que eram cobrados sob forma de alimentos, tecidos, ouro, ou de prestação de serviços (construção de canais, estradas, pontes, templos e palácios). Estes índios não atribuíam aos metais preciosos (ouro, prata) um valor comercial, o comércio funcionava à base de troca. Os Maias foram sábios matemáticos, criaram uma escrita hieroglífica, um sistema numérico e um complexo calendário solar extraordinariamente exato. Acreditavam na sobrevivência da alma após a morte. Os Astecas incorporaram dos Maias a escrita, o calendário, os estudos astronômicos e a prática de oferecer sacrifícios humanos aos deuses. Na área médica faziam complexas cirurgias e na arquitetura, construíam grandiosas pirâmides. Os Incas, desenvolveram um sistema de água encanada e esgoto, estradas pavimentadas e construções em pedra feitas de forma à resistir a terremotos. Não dominavam a escrita, os conhecimentos eram transmitidos oralmente pelos sábios (os Amautas). Entre os europeus havia uma lenda de uma cidade de ouro na América (o Eldorado). A chegada do conquistador espanhol Hernán Cortés e de sua comitiva a Tenochtitlán (capital Asteca) causou grande impacto na população Asteca, pois, o espanhol Cortés montado em seu cavalo (animal até então desconhecido na América) foi confundido com o deus Quetzlcoart, que por coincidência tinha a aparência semelhante ao europeu (branco e barbudo). Imaginando que Cortés era um deus, o Imperador Montezuma recebeu-o com todas as honras e mostrou-lhe à cidade. Os espanhóis ficaram deslumbrados e enlouquecidos com a riqueza em ouro e prata que viram na cidade capital do império. Em maio de 1521 as tropas espanhóis atacaram Tenochtitlán e após três meses de cerco, vencidos pela fome e pela sede, acabaram se rendendo às tropas de Cortés. A força das armas aliada à da religião submeteu e massacrou a civilização Inca (atual Peru) e a civilização Maia (atual Guatemala e Honduras). Outra causa importante foi a transmissão pelos espanhóis de doenças (como a Varíola), contra as quais estas civilizações não possuíam anticorpos. Submetidos pela força das armas e seduzidos pela pregação dos padres, esses povos acabaram sendo massacrados, e os que sobreviveram tornaram-se escravos, trabalhando nas minas de ouro e prata até a morte.
O Mercantilismo
Com a formação das monarquias nacionais, os reis procuraram organizar a economia dos seus países, visando fortalecer o seu poder e enriquecer a burguesia. Para isso o Estado deveria desenvolver as atividades comerciais, que eram a base da economia da época e essa política voltada ao comércio foi chamada de Mercantilismo. Um dos pontos-chaves desta política foi a conquista e exploração das terras do novo mundo (terras recém descobertas por portugueses e espanhóis). As principais características do mercantilismo foram: o intervencionismo (O Estado por meio do Rei deve intervir, organizar e dirigir a economia), a Balança comercial favorável ( quando o país deve exportar muito e importar pouco), o metalismo (a busca desesperada de ouro e prata para cunhar moedas) o monopólio ( a exploração de um produto por uma única empresa) o protecionismo (proteção do Estado para aqueles que contribuem com sua política) e o colonialismo (ocupação das terras descobertas para fins lucrativos).
O Absolutismo
Em termos econômicos a idade moderna caracterizou-se pelo avanço do capitalismo comercial na Europa e por sua difusão no resto do mundo. Em termos políticos, tivemos a progressiva centralização do poder nas mãos dos reis, que se tornaram chefes supremos em seus Estados. A burguesia necessitava criar um sólido mercado no interior de cada nação. Por isso, ela apoiou financeiramente a centralização monárquica e a criação dos Estados nacionais. No entanto, entre os ‘séculos XVI e XVIII, a aliança de interesses entre a burguesia e o rei pendeu para o lado dos monarcas. Eles impuseram sua autoridade sobre as demais classes sociais, consolidando os Estados Absolutistas da idade média, ou seja, nesta época o poder dos reis ficou muito maior do que o poder dos burgueses, porque os reis adquiriram poder econômico através da burguesia e logo após terem adquirido o poder ideológico sobre as outras classes sociais eles deixaram a burguesia de lado e subordinaram a burguesia à sua autoridade.
Idade Moderna – (Cultura)
Durante o século XVII enquanto o Brasil era explorado pelos conquistadores europeus e a vida dos engenhos era dura e desconfortável, a Europa (principalmente nos países que a burguesia mais se enriqueceu) passava por um grande momento de desenvolvimento científico e intelectual. Grandes descobertas estavam sendo feitas. Galileu, em 1608 aperfeiçoa o telescópio, Torricelli, em 1644, inventa o barômetro; Hooke, em 1665, aprimora o microscópio, etc. Na literatura, surgem Shakespere, Racine e Cervantes. As cidades européias se embelezam e um grande número de edifícios públicos é construído e nas artes plásticas surge o movimento barroco, que foi quando a igreja da contra-reforma passou a estimular os artistas a produzirem uma arte religiosa, monumental e dramática, que tivesse uma função catequisadora. René Descartes (Filósofo e Matemático francês) afirmou que a fonte da verdade é a razão e não a autoridade, seja ela política ou religiosa e ele negava a fé religiosa como uma forma de conhecimento e valorizava a dúvida sistemática como ponto de partida para encontrar a verdade (era necessário duvidar de tudo). Nas artes Rembrandt van Rijn (holandês) foi o pintor mais importante do humanismo protestante, e criou um estilo próprio (antibarroco), pois se preocupava em retratar mais a intimidade do ser humano do que sua expressão exterior.
A Revolução Industrial
Na Baixa Idade Média, houve o desenvolvimento do artesanato, onde confeccionava-se tecidos, sapatos e móveis. Os trabalhadores eram organizados em oficinas chamadas corporações de ofício. Na Idade Moderna aconteceu o surgimento da manufatura, pois, os artesãos começaram a dedicar-se à execução de uma só etapa do processo de fabricação, coordenado pelo comerciante manufatureiro, que era o dono da matéria-prima e o responsável pelo pagamento de salários. O lucro do comerciante manufatureiro vinha basicamente do comércio das mercadorias, por isso esta fase denominou-se Capitalismo Comercial. Na Segunda metade do século XVIII, concretizou-se na Inglaterra a Maquinofatura, pois neste período, muito dinheiro foi investido em pesquisa e construção de novas máquinas, que utilizavam as forças da natureza, como água, o vento e o vapor, que substituíram as ferramentas e a força humana. Surgiram as fábricas, onde se reuniam máquinas e operários, mas com isso, houve a gradativa decadência do artesanato e da manufatura, pois estas atividades não tiveram condições de competir com as indústrias. O pioneirismo inglês na industrialização deu-se por vários fatores: Após a Revolução Gloriosa a burguesia conseguiu impor sua autoridade aos reis e consolidar uma política econômica baseada na Livre Iniciativa. Também o fato da Inglaterra ter sido a primeira potência Marítima naval do mundo moderno, permitiu que eles conquistassem amplos mercados no Novo Mundo e na própria Europa. E o capital conquistado proporcionou, mercado consumidor e matérias-primas. Podemos destacar a indústria Têxtil como a principal área de interesse da época, pois 90% dos tecidos eram exportados para a América, África e Ásia. O capital provinha do tráfico de escravos e do comércio colonial ou com as metrópoles colonialistas, como Portugal. Calcula-se, por exemplo, que 50% do ouro extraído das minas Brasileiras terminou no Banco da Inglaterra. Como já vimos, o surgimento das fábricas provocou o empobrecimento dos artesãos e dos camponeses, que obrigaram-se a dirigir-se para os centros urbanos para trabalhar nas fábricas, gerando problemas de falta de moradia, saúde e educação nas cidades. Estes problemas acabaram por reduzir os salários dos operários, pois a oferta de mão-de-obra era muito grande. Os operários (homens, mulheres e crianças) viviam em péssimas condições, trabalhando de catorze a dezesseis horas diárias, sem quaisquer direitos trabalhistas. Neste contexto começaram a acontecer rebeliões dos operários, invadindo fábricas para destruir as máquinas, pois, acreditavam que elas eram a causa do problema. Sem saída, os operários começaram a organizar-se em associações para se ajudarem mutuamente, e aos poucos, conseguiram proibir o trabalho infantil, diminuir a jornada de trabalho e conquistaram o direito de greve. Nesta caminhada, muitos trabalhadores foram severamente punidos até que na Segunda metade do século XVIII, os patrões e o governo inglês foram obrigados a reconhecer o primeiro Sindicato Nacional da Inglaterra, como órgão de representação do interesses dos operários. A Revolução Industrial foi a substituição da ferramenta e da força humana pela máquina, e a troca do modo de produção doméstico pela linha de montagem. Com ela, surgiram de um lado os capitalistas (donos do capital, das terras, das fábricas e da matéria-prima), e de outro, surgiu um grande número de trabalhadores assalariados: o proletariado.
O Iluminismo e o Despotismo Esclarecido
As revoluções Inglesa e Industrial, que foram conduzidas pela burguesia, tinham o objetivo de destruir as estruturas do antigo regime, tais como: o direito divino dos reis, o mercantilismo e o poder da Igreja Católica. O conjunto de idéias que proporcionaram estas mudanças era baseado na liberdade de pensamento e a igualdade de todos os homens diante das leis. Inicialmente na França, este movimento ficou conhecido como Iluminismo, pois propunha “iluminar” a mente dos indivíduos. Essas idéias baseadas na Razão foram o sustentáculo de um regime de governo típico do século XVIII: o despotismo esclarecido O movimento iluminista Os grandes empresários e industriais ingleses financiavam à pesquisa científica para aumentar a produtividade e consequentemente seus lucros, neste sentido, o Iluminismo dizia que era preciso valorizar a ciência como forma de conhecer e transformar a natureza em benefício do ser humano. Apesar de valorizar eminentemente a Razão, os iluministas não eram ateus, pois acreditavam na presença de Deus na Natureza e no próprio Homem, também defendiam o direito do povo participar na política, a liberdade da economia e a igualdade de todos perante a lei. Os principais filósofos iluministasJohn Locke (inglês)- afirmava que a experiência é a base de todo conhecimento. Montesquieu (francês) – defendia a idéia de que o governo deveria ser exercido por três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Jean le Rond d’Alembert (francês) e Denis Diderot (francês) – conseguiram reunir os principais conhecimentos acumulados pela humanidade em 33 volumes, e os chamaram de Enciclopédia. Voltaire (francês)- afirmava que o monarca deveria Ter poderes absolutos desde que estivesse de acordo com as reformas iluministas. Jean-Jacques Rousseau (francês) – defendia a participação do povo na vida pública, por meio de eleições. Na economia, surgiu a fisiocracia, que defendia a tese de que o governo não deveria intervir na economia, pois ela seria regida por fenômenos naturais, tais como: a lei da oferta e da procura. A frase “Laissez-faire, laissez-passer”, que significa “deixar fazer, deixar passar”, muito conhecida na época, exprime o objetivo da teoria fisiocrata. Addam Smith (escocês), foi o propulsor do liberalismo, que defendia: o fim dos monopólios e do mercantilismo, e afirmava que com o livre comércio as trocas aumentariam e consequentemente a atividade industrial se desenvolveria. Os reis que aderiram aos ideais iluministas, criando uma legislação favorável á burguesia, criando escolas laicas e decretando a liberdade de culto religioso, foram denominados Déspotas Esclarecidos. O despotismo esclarecido foi, portanto uma forma mais suave de absolutismo, e suas reformas visavam habilmente conter os movimentos revolucionários que começavam a surgir na Europa.
A independência dos Estados Unidos
A partir de 1606 começaram a chegar os primeiros colonos vindos da Irlanda, Escócia e Inglaterra. Em sua maioria eram protestantes e vinham para a América, fugindo das perseguições religiosas em seus países, e com o interesse de fundar uma nova pátria. Esse e outros fatos diferenciaram a colonização da América do norte do tipo de colonização que foi feita no Brasil e em todo a América espanhola, por exemplo: os colonos da América do Norte chegavam para ficar, enquanto os colonos portugueses e espanhóis vinham somente para explorar, enriquecer e voltar para a metrópole. Estes dois tipos de colonização foram denominados: Colonização de Exploração e Colonização de Povoamento Enquanto nas colônias de exploração predominavam a monocultura e a grande propriedade, nas colônias de povoamento da América do Norte a terra foi ocupada por pequenos e médios proprietários, que cultivavam vários produtos destinados ao consumo local. Isso fazia com que as colônias da América do Norte se tornassem menos dependentes e com muito mais autonomia política e administrativa. No fim do século XVIII, treze colônias Inglesas da América do Norte ano a ano, conquistavam sua autonomia com relação à Inglaterra, esta situação gerou conflitos, pois a Inglaterra estava em guerra com a França (guerra dos sete anos) e necessitava cobrir gastos, explorando as colônias. Neste Contexto, foram decretadas as “Leis Intoleráveis”, que dentre elas podemos destacar: - Lei do Açúcar, que obrigava os colonos a somente comercializar os derivados de açúcar com a Inglaterra, pagando o preço imposto pela Metrópole. - Lei do Selo, que obrigava o uso de um selo em jornais locais - Lei do Chá, proibia os americanos de comprar chá de outro país
Evidentemente essas medidas provocaram descontentamento e revoltas, pois os colonos não queriam estar obrigados a consumir os caros produtos ingleses e a pagar altos impostos à Inglaterra. Em 1774, os representantes das treze colônias reuniram-se na Filadélfia e revogaram as leis intoleráveis. Imediatamente a Inglaterra declarou os americanos “rebeldes”. Em 1775 iniciou a batalha de Lexington, e a partir de então foram quase sete anos de lutas, lideradas pelo comandante supremo George Washington. Thomas Jefferson ficou encarregado de redigir a Declaração de Independência e em 4 de julho de 1776 esta foi aprovada. Não podemos deixar de citar que a França contribuiu decisivamente para a independência dos Estados Unidos, pois ela ofereceu auxílio marítimo e financeiro aos colonos, com a intenção de prejudicar sai rival, a Inglaterra. A República dos Estados Unidos da América foram a primeira nação a adotar o liberalismo econômico e o liberalismo político, e a primeira a garantir a liberdade de comércio à burguesia. As notícias de independência despertaram no Brasil, principalmente nos mineiros, um sentimento de libertação à Portugal, e em 1789 eclodiu a revolta chamada Inconfidência Mineira, que “coincidentemente” aconteceu no mesmo ano em que, na Europa, os franceses faziam sua revolução.
A Revolução Francesa
No final do século XVIII, a França estava empobrecida. A monarquia aliada à nobreza e ao clero, dominava toda a sociedade francesa. Mas eram os 98% da população restante (burgueses, trabalhadores da cidade e camponeses), que sustentavam o Estado, por meio dos impostos que pagavam, mas apesar disso, não tinham nenhum direito político. Nos centros urbanos, a maioria da população era formada por artesãos (sans-culottes) e por burgueses (banqueiros e pequenos grandes comerciantes). A sociedade francesa era, portanto formada pelo Clero (primeiro Estado), a Nobreza (segundo Estado) e os burgueses, camponeses e artesãos (terceiro Estado). Nesta época, o Estado francês passava por uma grave crise econômica, pois, um tratado comercial com a Inglaterra, liberando a importação de tecidos ingleses, arruinou a modesta produção têxtil francesa. Além disso, a França vivia envolvida em constantes guerras, agravando a situação financeira. Como forma de tentar sanar estes problemas, o Rei Luiz XVI promoveu reformas para diminuir os gastos do Estado. Essas medidas desagradaram a Nobreza e o Clero. Luiz XVI convocou o terceiro Estado para participar das discussões políticas. Esta reunião chamou-se Assembléia dos Estados Gerais. Durante a assembléia os representantes do terceiro Estado foram informados que a votação das propostas seria feita em separado, ou seja, cada Estado teria direito a um voto. Imediatamente, o terceiro Estado percebeu que seria impossível vencer alguma disputa, pois, inevitavelmente, em todas as votações, a nobreza e o clero uniriam-se e derrotariam facilmente o terceiro Estado. O terceiro Estado decidiu então reunir-se em separado, formando a Assembléia Nacional. O Rei não teve outra alternativa senão aceitar a situação. Mas, logo a nobreza e o clero voltaram a se unir para tentar deter a burguesia. Luiz XVI começou a mobilizar tropas para dominar Paris, Contudo, o povo armado, numa demonstração de força, conquistou em 1789 a Bastilha, uma fortaleza onde o Rei prendia seus inimigos políticos. Era o início da Revolução. Em 26 de agosto de 1789, a assembléia aprovou a Declaração Universal dos Direitos do Homem, pela qual todos os cidadãos eram considerados iguais perante a lei. No ano seguinte autorizava o confisco dos bens da Igreja. Muitos cléricos e nobres fugiram do país. No exílio, esses emigrados, como eram chamados, trataram de organizar um exército contra-revolucionário para invadir a França e retomar o poder. Surgiram então, três grupos: - Os girondinos ( região da frança denominada Gironda)– formados pela alta burguesia que apoiava o Rei e apenas queria limitar seu poder. - Os Jacobinos (Reuniam-se no convento de São Jacques)- eram compostos por membros da pequena burguesia e profissionais liberais. Defendiam o direito do povo eleger seus representantes no governo e eram totalmente contra a burguesia. - O grupo do Pântano (pessoas que enriqueceram de forma pouco honesta) – Este grupo às vezes apoiava os girondinos e, às vezes os jacobinos.
Em 1792, a França foi invadida pelo exército dos emigrados, mas a população de Paris, liderada pelos jacobinos, reagiu e derrotou os invasores. No mesmo ano foi proclamada a República e o rei foi preso e decapitado, juntamente com a rainha Maria Antonieta. As classes dominantes do resto da Europa, com medo de que o espírito de Liberdade, Fraternidade e Igualdade, pregado pela Revolução francesa, se espalhasse para fora do território francês, armaram uma ação conjunta contra a França. Para enfrentar a situação, os jacobinos promoveram o recrutamento obrigatório dos soldados e formaram um grande exército, e com isso, também os jacobinos assumiram o controle do governo, que passou a ser conduzido pelo seu líder, chamado Robespierre. Robespierre fez algumas medidas que promoveram um gradativo isolamento político, perdendo o apoio popular. Então finalmente foi aprisionado e decapitado pelos girondinos. A volta da alta burguesia ao controle do poder político na França recebeu o nome de Reação Termidoriana. Ao mesmo tempo, os nobres e os cléricos tentaram dar um golpe e restaurar a monarquia. Imediatamente a burguesia procurou apoio do exército, e tropas chefiadas pelo jovem general Napoleão Bonaparte conseguiram defender o governo. Em 1799, Napoleão assumiu o governo francês como ditador, firmando assim definitivamente o poder da burguesia na França.
O Império Napoleônico
Durante o processo revolucionário francês, as lutas internas e os ataques externos abalaram a situação financeira e econômica do país. Para isso, precisava-se de um governo forte e capaz de reorganizar administrativamente a nação. Logo que Napoleão Bonaparte assumiu a liderança do governo francês, implantou o regime do Consulado, e graças à estabilidade política alcançada por seu governo, ele pôde levar adiante seu programa de reformas, baseado no estabelecimento de tarifas para os produtos importados, visando estimular a indústria nacional. Para isso, ele criou o Banco da França, organizou um grupo de funcionários encarregados da cobrança dos impostos, e construiu inúmeras obras públicas (estradas, portos e canais). Todas essas medidas reativaram a economia francesa. Habilmente, Napoleão tratou de restabelecer a paz com a Igreja Católica e editou um Código Civil, que favorecia a alta burguesia em detrimento das demais classes sociais. Na política externa a era napoleônica foi marcada por constantes conflitos. Por duas vezes a Inglaterra, a Áustria e a Rússia aliaram-se para invadir a França. Napoleão obteve grandes vitórias em terra sobre os exércitos inimigos, mas foi sucessivamente derrotado pela marinha inglesa. Graças ao êxito de sua política externa, conseguiu que o senado lhe concedesse o direito de indicar seu sucessor, caracterizando a volta da monarquia hereditária. E logo após, Napoleão fez se proclamar Imperador, com poderes hereditários. Tornando-se mais despótico do que os reis anteriores. Seu despotismo caracterizava-se na censura à imprensa e a educação escolar, assim como a religião, tornaram-se instrumentos políticos e ideológicos a serviço do imperador. Logo após a concretização de suas medidas internas, Napoleão empenhou-se na guerra de conquista do continente europeu. Sentindo-se ameaçados, Inglaterra, Áustria e Rússia, aliaram-se para atacar a frança. Áustria, Prússia e Rússia foram vencidas por Napoleão e com essas vitórias o Império Napoleônico alcançava seu apogeu. Faltava vencer os ingleses, que isolados em sua ilha, permaneciam protegidos por sua poderosa frota marítima. A fim de derrota-los, o imperador decretou o Bloqueio Continental, que tratava-se de proibir todas as nações européias de comercializarem com a ilhas Britânicas. Este fato histórico explica porque Dom João, príncipe regente de Portugal, veio para o Brasil. Pois Portugal era aliado da Inglaterra, com isso, o governo português negou-se a aderir ao bloqueio. Em represália, as tropas napoleônicas invadiram Portugal, obrigando a família real portuguesa a fugir para o Brasil. O império Napoleônico começou a sofrer algumas derrotas. A primeira aconteceu quando os espanhóis não aceitaram a dominação francesa e travaram contra os ocupantes uma violente guerra de guerrilha, que desgastou as forças militares francesas. A próxima derrota aconteceu quando Napoleão invadiu a Rússia, pois ela havia voltado a comercializar com a Inglaterra. Pela primeira vez, Napoleão cometeu um erro cronológico grave invadindo a Rússia em pleno inverno. Os soldados franceses não suportaram o rigoroso inverno russo, provocando a maior e mais desastrosa derrota de Napoleão. Enfraquecido, o exercito Napoleônico não conseguiu evitar que Prússia, Áustria e Rússia invadissem a França, e Napoleão foi preso e deportado para a ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo. Os ocupantes colocaram no poder, Luiz XVIII, irmão de Luiz XVI, executado pelos revolucionários, e com isso foi restabelecida a monarquia na França. Mas, Napoleão ainda não estava derrotado. Em 1815 ele fugiu de Elba, voltou à França e reassumiu a chefia da nação. Foi o Governo dos Cem Dias, pois logo a França era novamente invadida pelas potências aliadas e Napoleão, mais uma vez, prezo e deportado. Dessa vez para a distante ilha de Santa Helena, no oceano Atlântico, onde veio a falecer em 1821.
A Santa Aliança e a Independência das Colônias Latino-Amerinanas
As idéias liberais baseadas no combate ao absolutismo e a Igreja, foram postas em prática pela burguesia na frança, e a partir daí, espalharam-se por toda a Europa. Com o objetivo de reagir contra estas idéias liberais, os países aliados que venceram Napoleão, reuniram-se na cidade de Viena (Áustria), onde firmaram o tratado da Santa Aliança, que visava combater novos movimentos revolucionários na Europa e nas Colônias. No congresso de Viena: Áustria, Rússia, Prússia e Inglaterra, impuseram à frança o pagamento de pesada indenização de Guerra e a obrigatoriedade de um governo conservador, dominado pelo clero e pela nobreza. Também foram prejudicados: Alemanha e Itália, que tiveram parte de seus territórios apropriados pela Prússia e pela Áustria, respectivamente. Em síntese, podemos afirmar que a Santa Aliança foi um acordo de ajuda mútua, dentro de um espírito conservador que perseguia o liberalismo, promovia a censura a jornais e organizações políticas ligadas a burguesia e aos trabalhadores assalariados. A Santa Aliança procurou através de expedições militares, restaurar o absolutismo nos países em que ele encontrava-se ameaçado, no caso da Itália e a Espanha. Apesar da tentativa de impedir novas revoluções, o século XIX, foi marcado pelo desejo de romper com a política colonial que favorecia as metrópoles européias e impedia o desenvolvimento econômico das colônias. Neste contexto podemos destacar outros fatores que contribuíram para o movimento de independência das Colônias Latino-Americanas: - A revolução industrial- que patrocinada pela Inglaterra, buscava a libertação de todas as colônias, pois, se estes territórios se tornassem livres, inevitavelmente tornariam-se também novos consumidores de produtos Ingleses. - A independência dos Estados Unidos (1776) - que estimulou e encorajou novas colônias a buscarem sua liberdade. - A invasão da Espanha e de Portugal pelo exército Napoleônico – que provocou uma rebelião de todas as colônias da América Espanhola, originando a libertação de: Venezuela (1811), Paraguai (1811), Argentina (1816), Chile (1818), Colômbia (1819), México (1821), Peru (1821), Equador (1822), Bolívia (1825) e Uruguai (1828). - - As Revoluções Liberais e o Socialismo
Após a derrota de Napoleão, os reis Bourbons voltaram a governar a França, com isso, o Clero e a Nobreza recuperaram seus antigos privilégios. Em 1830 a burguesia liderou um movimento armado contra os excessos da nobreza, e conseguiu colocar no trono o rei Luiz Filipe. Este novo movimento de caráter liberal, gerou em toda Europa um desejo de independência, pois na década de 1840, vivia-se um momento de grave crise econômica gerado por más colheitas. Esta crise agrícola provocou a queda no consumo de bens industrializados, gerando a paralisação das fábricas, e o desemprego dos funcionários. Nesta agitação social, surgiu dois partidos políticos: os Bonapartistas, ligados a pequena burguesia. E os Socialistas, que reivindicavam melhores condições de trabalho para a classe operária francesa. As oposições se uniram e conseguiram provocar a abdicação do rei em 1848, onde o governo foi provisoriamente composto por uma coligação de burgueses liberais e socialistas, que juntos proclamaram a Segunda República. Mas eles não conseguiram resolver o problema de desemprego, e as revoltas continuaram, até que o exército interveio, declarou a ilegalidade do Partido Socialista e uma nova constituição foi publicada, colocando no poder Luiz Napoleão (sobrinho de Napoleão Bonaparte). A constituição determinava o mandato de quatro anos, mas em 1852, Luiz Napoleão deu um golpe e foi proclamado Imperador, com o título de Napoleão III, dando início a um novo período autoritário na França. Em 1948 ocorreram revoltas de caráter liberal e nacionalista na Itália e na Alemanha. Desde o Congresso de Viena, essas duas nações encontravam-se divididas, sob comando do Império Austríaco. Nesta época surgiu as primeiras críticas ao sistema capitalista, baseadas nas idéias socialistas, pois o socialismo era uma tentativa de compreender as causas da situação de miséria em que viviam os trabalhadores após a revolução industrial. Inicialmente surgiu o socialismo Utópico, que afirmava que a consciência individual dos homens era a condição para a criação de uma sociedade mais justa. Posteriormente, surgiu o Socialismo Científico, baseado nas idéias de Karl Marx e Friedrich Engels. Eles afirmavam que: para solucionar os conflitos entre as classes sociais, deveria-se promover a estatização dos meios de produção, isto é, as fábricas, as máquinas e o capital seriam propriedade do Estado. Em suas idéias, eles propunham uma sociedade sem classes, baseada no progresso técnico, para garantir fartura a todos. Mas, esta sociedade socialista provocaria muitas lutas entre proletariado e capitalistas.
A unificação da Itália e da Alemanha
Itália Na primeira metade do século XIX, a Itália encontrava-se dividida entre os Reis Bourbons, a Igreja, o Império Austríaco, e o Reino do Piemonte, unido á Sardenha. O Reino do Piemonte-Sardenha estava em pleno desenvolvimento industrial e econômico, e evidentemente, esta situação atraia a burguesia. Por isso, ela passou a apoiar a unificação de todos os estados germânicos em torno deste reino. Com o apoio da Inglaterra e da França eles declararam guerra à Áustria, a fim de libertar os estados sob domínio austríaco. Neste contexto Giuseppe Garibaldi, um líder revolucionário conseguiu com um pequeno exército, libertar o Reino das Duas Sicílias. Giusepe Garibaldi conseguiu em 1870 ocupar Roma, mas entrou em conflito com a Igreja, que não aceitava a autoridade de Emanuel II, o novo Rei. Estas divergências entre o Papa e o Rei só ficaram resolvidas, muitos anos depois, com a criação do Estado do Vaticano, dentro de Roma, em 1929. Alemanha Desde 1834 os territórios germânicos já vinham em pelo desenvolvimento econômico, gerado pelas inúmeras fábricas da região. Foi este desenvolvimento que provocou o desejo de unificação, pois, se as várias regiões se unissem, inevitavelmente, tornariam-se muito mais fortes. O primeiro passo da unificação foi a guerra contra a Dinamarca, que possuía várias territórios germânicos sob seu domínio. Em seguida, aliados a Itália, lançaram-se contra a Áustria, libertando os estados do norte e formando a Confederação Germânica do Norte. A partir daí, o poderio alemão já ameaçava a hegemonia da França na Europa. Foi quando os alemães declararam guerra contra a França, para fazer com que os estados do sul da Alemanha, movidos pelo sentimento nacional, se unissem à Confederação do Norte. A estratégia deu certo, em 1870, o exército alemão derrotou o exército francês e aprisionou o imperador Napoleão III. A França foi obrigada a entregar os territórios alemães, e a pagar uma pesada indenização de Guerra. Além disso, passou pela humilhação de ver o Império Alemão ser proclamado na própria capital francesa, no palácio de Versalhes, em 1871.
OBS: como podemos perceber, já nos primeiros passos como nação Independente, a Alemanha já deixava claro, que seria uma potência forte, dominadora e avassaladora. O que vamos perceber claramente em suas posteriores tentativas de dominação mundial.
A Guerra de Secessão nos Estados Unidos
No século XIX os Estados Unidos pretendiam garantir para si mesmos a exploração econômica americana, sem a interferência européia. Esse ideal foi sintetizado na célebre frase do presidente James Monroe, no ano de 1822: “A América para os Americanos”. Na política interna, os Estados Unidos voltaram seus esforços à conquista de novos territórios. Para conseguir esta expansão territorial, os americanos compraram os territórios da Louisiana e da Flórida, que pertenciam respectivamente à França e Espanha. Outra forma de expansão territorial americana, foi a invasão do território do México, onde os americanos, tomaram através da força bruta, os Estados atuais do: Texas, Nevada, Califórnia, Utah, Arizona e Novo México. Estes territórios iam sendo ocupados por imigrantes europeus, atraídos pelas novas possibilidades de trabalho. Neste novo território, foram se caracterizando diferenças marcantes entre os estados do Sul e os estados do Norte dos Estados Unidos. E estas diferenças que provocaram a guerra de Secessão. No Norte, encontramos uma economia baseada na industrialização, enquanto no sul, encontramos a monocultura de algodão direcionada ao mercado europeu. Na questão de tarifas, o Norte queria a cobrança de altas taxas de importação, para forçar o consumo de produtos feitos em suas indústrias. Enquanto no Sul, os fazendeiros queriam taxas menores, pois eles dependiam da compra de produtos importados. Em se tratando de mão-de-obra, Os sulistas queriam manter a escravidão em suas fazendas, enquanto os Nortistas interessavam-se pela mão-de-obra assalariada e o trabalho livre. Em 1861, os Estados do Norte intensificaram sua campanha pela libertação dos escravos. Foi o início da guerra. Em 1860, Abraham Lincoln foi eleito presidente dos EUA, e apoiou os interesses do Norte. Imediatamente os Estados do Sul, rebelaram-se e declararam-se independentes, com o nome de Estados Confederados da América. Mas, como os estados do sul não tinham indústrias e sua população era muito menor do que a população do Norte, após quatro anos de combates, os Nortistas venceram e aboliram a escravidão. OBS: Assim como no Brasil, a inexistência de um programa de ajuda e adaptação ao negro livre só fez perpetuar as desigualdades e injustiças cometidas contra eles. Assim fica fácil entender porque os Estados Unidos são considerados a nação mais racista do planeta.
A Indústria em Transformação: A Segunda Revolução Industrial
No final do século XIX, vários países que eram tradicionais consumidores de produtos ingleses, começaram a desenvolver suas próprias indústrias. E para estimular o consumo de seus próprios produtos eles criaram tarifas alfandegárias, para tornar os produtos estrangeiros mais caros, favorecendo as indústrias locais. Na Alemanha, após a unificação, foi desenvolvido um sistema bancário forte e um investimento maciço em tecnologia. Isto fez com que rapidamente os produtos alemães concorressem com os ingleses. No norte da Itália, desenvolveu-se: tecelagens, estaleiros e indústrias ferroviárias. Nos estados Unidos, após a guerra da secessão, o Norte industrial promoveu um forte protecionismo alfandegário, gerando o aumento imediato do mercado consumidor. No Japão, após 1860, com o fim do feudalismo japonês, a autoridade ficou centralizada nas mãos do Imperador, que começou a incorporar a tecnologia ocidental e desenvolveu poderosas indústrias. Na Rússia, o Estado promoveu a incorporação de capitais e tecnologia da França, Inglaterra e Alemanha. Durante esta chamada Segunda Revolução Industrial, os empresários queriam aumentar a produção e os lucros, usando novas tecnologias, baseadas em pesquisas científicas. Com estas pesquisas, começou-se a utilizar nas fábricas, o petróleo e a energia elétrica como força motriz. Baixando os custos de produção. Houve também o desenvolvimento dos meios de transporte e das estradas de ferro, o que facilitava a obtenção de matéria-prima, mão-de-obra e energia. Além disso, as estradas de ferro facilitavam a comercialização. A agricultura também mudou, pois o uso de máquinas e fertilizantes, aumentou muito a produção de alimentos, o que garantiu o crescimento de população européia em 60%, entre 1800 e 1870. Todas estas mudanças geraram a concorrência entre as grandes empresas e a falência das pequenas, que eram geralmente compradas pelas companhias poderosas. Nos EUA surgiram os Trustes (união de várias firmas numa só empresa). Na Alemanha, surgiram, os Cartéis (União de indústrias do mesmo ramo). Esta concentração de Capitais, com a formação de monopólios foi uma característica típica da Segunda revolução industrial. Esta fase do sistema capitalista foi denominada de capitalismo monopolista ou financeiro, pois, os bancos passaram a controlar cada vez mais as grandes indústrias, que necessitavam de capital para seu funcionamento. Todo este desenvolvimento teve um preço caro para a classe trabalhadora, pois, a concentração de capitais, o aumento da produção e o uso das máquinas, provocou o desemprego e o empobrecimento da classe trabalhadora. O sistema capitalista entrou em sua primeira grande crise. Chamada a Grande Depressão, porque junto com a evolução do capitalismo, veio a superprodução, acompanhada de uma classe trabalhadora sem poder aquisitivo, a falência das pequenas empresas, a concentração de capital nas mãos de poucos grupos econômicos e a busca pelos empresários de mercados consumidores fora da Europa. Neocolonialismo
A Segunda Revolução Industrial fez com que vários países europeus adquirissem capacidade de fabricar mercadorias, com isso, no século XIX, a produção européia cresceu tanto, que a população da Europa não era suficiente para consumir os produtos industrializados. A saída para este problema de superprodução foi a invasão de países da África e da Ásia, pois neles encontravam-se grandes mercados consumidores e inúmeras fontes de matéria-prima (ferro, carvão, petróleo, etc.) Para isso, as grandes indústrias e os grandes bancos aliaram-se para controlar ou dominar áreas coloniais, dando início a Política Imperialista, marcada pela violência e a guerra contra as populações nativas. O caráter violento era justificado pelo mito da superioridade racial branca, que considerava o homem branco superior aos “primitivos e atrasados” africanos e asiáticos. Na conferência de Berlim (1884-1885) Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e Itália, decidiram dividir entre si o território africano. Em 1763, os ingleses tomaram a Índia pertencente aos franceses, e integraram-na ao Império Britânico. O Japão foi o único país da Ásia a manter-se independente. Em 1914, os países europeus dominavam 90% da África, 99% da Oceania e 56% da Ásia. As nações européias mantiveram sob sua dependência as economias coloniais por dois mecanismos: - O monopólio comercial, que obrigava o consumo de produtos da metrópole a preços altos e a venda das matérias-primas das colônias a preços muito baixos, além da proibição de indústrias coloniais. - O empréstimo da capitais, que mantinha as colônias sempre na condição de devedores. A exploração colonial desorganizou a estrutura tradicional das sociedades africana e asiática, provocando a fome e a miséria.
A Era Vitoriana
Denominamos Era Vitoriana o período de 1850 a 1875, pois trata-se de uma referência à Rainha Vitória, que governou a Inglaterra neste período. Foi justamente nesta época que o poderio inglês atingiu seu ponto mais alto não só na Europa como em todo o mundo, pois, eles possuíam territórios nos cinco continentes, baseados em sua poderosa frota naval e uma sólida indústria. Apoiados em uma estabilidade política. Para garantir seus lucros, eles impuseram a redução das taxas de importação sobre matérias-primas e pressionaram os governos estrangeiros a permitir a livre entrada dos artigos industrializados e dos capitais ingleses. Este crescimento comercial e industrial acabou trazendo problemas à sociedade inglesa, pois, os alimentos em abundância; o crescimento demográfico acelerado; o êxodo rural, rapidamente atingiram as principais cidades inglesas. Em 1870, Londres era uma cidade extremamente populosa e sem nenhuma infra-estrutura para absorver tantas pessoas. Inevitavelmente, os salários baixaram, cresceu o desemprego e a miséria começou a gerar tensões sociais. A Irlanda é uma Ilha ao oeste da Inglaterra e que, apesar das diferenças étnicas e culturais, permanece até hoje dominada pelos interesses ingleses. Com o objetivo de conseguir a autonomia política da ilha, grupos políticos realizam uma série de atentados contra autoridades britânicas. O império Britânico dominava no início do século XX, cerca de quatrocentos milhões de habitantes, espalhados por terras da América, Ásia, África e Oceania. Nas colônias da África e da Ásia predominou o regime de monopólios, e nas colônias da América Latina predominou o livre-cambismo, pois os ingleses pretendiam dominar os mercados que eram monopólios dos portugueses e espanhóis, por isso a Inglaterra empenhava-se tanto pelo fim da escravidão negra nessas áreas e apoiava os movimentos de independência.
A Ciência e a Cultura no Século XIX
A Segunda Revolução Industrial provocou um grande desenvolvimento das ciências, pois os grandes empresários investiram na pesquisa científica para aumentar seus lucros. Na Física, Alessandro Volta (italiano) inventou em 1800, a pilha elétrica. Ampère (italiano) construiu o primeiro eletroímã; Hertz (alemão) mostrou que a eletricidade se propagava no espaço através de ondas, como a luz. Na Biologia, Charles Darwin (inglês) revolucionou as idéias sobre a origem e a evolução dos seres vivos. Louis Pasteur, isolou micróbios causadores de doenças infecciosas, possibilitando a fabricação de vacinas. No século XIX, surgiu no campo da literatura o estilo romântico, que foi difundido inicialmente na Inglaterra, Alemanha e França, e teve como seu principal escritor o francês Victor Hugo. Posterior ao Romantismo surgiu um novo estilo literário chamado Realismo, que retratava principalmente as injustiças sociais. As artes plásticas também seguiram a mesma ordem da literatura, inicialmente caracterizou-se pelo estilo Romântico e posteriormente pelo estilo Realista. Mas logo apareceria um estilo de pintura profundamente inovador: o Impressionismo. Os principais pintores impressionistas foram: Monet, Pissarro, Degas, Cézanne, Paul Gauguin e Vincent Van Gogh. Estes pintores se interessavam em explorar os efeitos de luz sobre os objetos, retratando a impressão que a realidade lhes causava. Van Gogh expressa em cores fortes e imagens, algumas vezes deformadas o drama interior do ser humano, suas angustias e seu desespero. A Revolução Industrial fez surgir as primeiras grandes metrópoles, como Londres, Paris e Nova York. Na construção dos edifícios começaram a ser empregados novos materiais de construção, como o ferro e o concreto armado. A Torre Eiffel, construída em Paris em 1889, representou uma conquista no uso do ferro na arquitetura. A Primeira Guerra Mundial
A Paz Armada chegou ao fim com a eclosão da Grande Guerra de 1914 - 1914. A corrida armamentista, o jogo de alianças e as tensões resultantes das disputas imperialistas entre as potencias européias tiveram como resultado o maior conflito armado de todos os tempos. Participaram da guerra as potências européias e suas colônias, outros Estados menores, os Estados Unidos e o Japão. A guerra começou por causa de um atentado terrorista na conturbada região dos Bálcãs.
A Grande Guerra
A Grande Guerra foi um conflito entre as potências industriais pela hegemonia na Europa e no mundo. Durante a Paz Armada, as potências européias investiram maciçamente na produção de armas cada vez mais destrutivas. Além disso, mantinham exércitos em estado de prontidão. O custo de manutenção dos exércitos era muito alto: em algum momento, teriam de justificar a sua existência. A política de alianças das potenciais européias durante a Paz Armada transformou a guerra num conflito generalizado. A Tríplice Aliança reunia os impérios militaristas da Alemanha e da Áustria e o reino da Itália. A Alemanha mantinha um exército permanente de mais de 1 milhão de soldados. Uma das principais potências econômicas da Europa, com 60 milhões de habitantes, a Alemanha alegava precisar de espaço para se expandir. Apesar de suas dimensões colossais, o Império austro-húngaro apresentava uma situação interna extremamente frágil, pois abrigava várias nacionalidades. As tensões entre germanos e eslavos provocavam insurreições e levantes populares. O nacionalismo eslavo e a disputa entre a Rússia e a Áustria pelo domínio da região agravaram a situação. A Itália se aliou a Alemanha e a Áustria procurando expandir seus domínios coloniais. Além disso, tinha pretensões na região dos Bálcãs. Durante a Paz Armada, manteve um exército permanente e construiu uma frota de guerra considerável. Para contrabalançar a Tríplice Aliança, a França, a Rússia e a Inglaterra formaram a Tríplice Entente. A França ainda se recuperava da derrota de 1871 diante da Alemanha, quando perdeu os ricos territórios da Alsácia e da Lorena. Internamente, as lutas entre os trabalhadores e a burguesia e os escândalos financeiros e políticos debilitavam a Terceira República. Apesar disso, a França havia reunido um considerável império colonial, tornando-se a segunda potência colonial européia, logo atrás da Inglaterra. Isso levou a uma maior aproximação o entre os dois países. Em 1904 - 1904, eles assinaram um pacto de amizade. A Rússia aderiu a aliança entre a França e a Inglaterra em 1908 - 1908. Internamente, o império russo continuava absolutista e semifeudal. Apesar disso, empreendeu uma bem-sucedida política imperialista na Ásia e conseguiu manter sob sua dominação os povos eslavos do Báltico, aguando as tensões na região. Disputava com a Alemanha a supremacia na Polônia e na Europa central.
A Inglaterra foi a maior potência econômica do século XIX. A estabilidade interna, somada ao grande desenvolvimento de sua industria, fez dela uma potência de primeira ordem no cenário mundial. Seu império colonial reunia uma população de mais de 450 milhões de habitantes. No início do século XX, optou por uma política de aproximação com a França, que resultou na formação da Tríplice Entente. A Primeira Guerra Mundial marcou o início do desmoronamento do poder britânico no mundo. O atentado em Sarajevo No dia 28 de junho de 1914 - 1914, o príncipe herdeiro da coroa austríaca, arquiduque Francisco Ferdinando, foi assassinado na cidade de Sarajevo, na Bósnia. A visita do herdeiro a essa região tinha um nítido conteúdo político: pretendia demonstrar o domínio austríaco na região. O atentado, cometido por um estudante ligado a uma organização secreta sérvia, desafiou a autoridade austríaca na regi„o. A resposta foi imediata: a Áustria interveio na Sérvia.
A Rússia também mobilizou seus exércitos na região. Em pouco tempo, toda a Europa estava em guerra. Os motivos que desencadearam o conflito foram:
- a rivalidade entre as grandes potências pelo domínio dos mercados coloniais; - a corrida armamentista, geradora de novas tensões, e o estado de prontidão dos exércitos dos países europeus; - a política de alianças entre as potências, que transformou o conflito num enfrentamento generalizado; - as tensões geradas pelo imperialismo europeu na região dos Bálcãs e os conflitos de fronteiras entre os principais Estados europeus.
As frentes da guerra
A Primeira Guerra Mundial durou mais de quatro anos. Mas, apesar da participação dos Estados Unidos e do Japão e dos enfrentamentos nas colônias, foi um conflito essencialmente europeu.
As principais “frentes” de batalha foram as seguintes:
- a frente ocidental se desenvolveu nas fronteiras entre a Bélgica, a França e a Alemanha; - na frente dos Bálcãs s, a Sérvia, a Romênia e a Grécia, com apoio da Tríplice Entente, lutaram contra a Áustria, a Turquia e a Bulgária; - no Oriente Médio, turcos e ingleses lutaram na Síria, Arábia e Palestina; - a frente oriental se desenvolveu nas fronteiras da Rússia com a Alemanha e a Áustria; - a frente alpina se desenvolveu na fronteira austro-italiana; - as colônias alemãs na África e no Pacífico foram invadidas por ingleses, japoneses e seus aliados; - a guerra marítima se desenvolveu principalmente no Atlântico e no Mediterrâneo. A técnica a serviço da destruição O grande desenvolvimento técnico e industrial alcançado pelas potências européias durante a Paz Armada resultou na criação de armas de guerra extremamente poderosas.
Os exércitos terrestres utilizaram a artilharia pesada, armas de repetição e metralhadoras. Durante a guerra, surgiram armas novas e ainda mais terríveis: os lança-chamas, os gases tóxicos e o tanque. No mar, as esquadras utilizaram enormes navios encourados que carregavam peças de artilharia pesada. Os submarinos, armados de torpedos e minas explosivas, ameaçaram a navegação comercial inimiga. No início, a aviação foi usada apenas para vigiar os movimentos do inimigo. No transcorrer do conflito, os aviões foram armados com bombas e metralhadoras, convertendo-se em armas. No início da guerra, os dois lados confiavam numa vitória rápida e decisiva. Esse clima de otimismo se fez presente nas manifestações organizadas para apoiar a guerra. O pacifismo de alguns dirigentes socialistas foi abafado, muitas vezes com violência.
A guerra nas outras frentes
Nos Bálcãs, após duras lutas, tropas austríacas, búlgaras e alemãs ocuparam a Romênia e a Sérvia. A Itália entrou na guerra do lado da Entente em maio de 1915, abrindo a frente alpina, desenvolveu-se também a guerra de trincheiras. Em outubro de 1917, os italianos foram derrotados por tropas austríacas e alemãs. No Oriente Médio, a Inglaterra incitou a sublevação de tribos árabes contra os otomanos. Entre 1915 e 1917, as colônias alemãs na áfrica foram ocupadas por tropas francesas, belgas e britânicas. No Pacífico, o Japão entrou na guerra contra a Alemanha para tomar suas colônias.
A guerra no mar
A superioridade naval da Tríplice Entente decidiu a luta no mar. Após uma série de batalhas navais no Atlântico e no Báltico, a Inglaterra conseguiu derrotar a frota alemã e continuou dominando os mares do mundo. Os alemães utilizaram submarinos para cortar os suprimentos coloniais da Entente. A ação dos submarinos atingiu a navegação comercial britânica e de outros países neutros. Em fevereiro de 1917, o governo alemão declarou a guerra submarina a todos os navios que carregassem suprimentos para o inimigo, ou seja, a Inglaterra. A maior vítima dos ataques alemães foram os Estados Unidos. Os Estados Unidos entram na guerra O ataque aos navios norte-americanos provocou enormes perdas materiais e humanas, afetando profundamente os interesses comerciais dos Estados Unidos. Em abril de 1917, os Estados Unidos entraram na guerra contra a Alemanha. Vários países latino-americanos, entre eles Cuba, Panamá e o Brasil, adotaram a mesma atitude. A intervenção norte-americana na guerra foi decisiva para a vitória da Entente.
As sociedades em guerra
A Grande Guerra afetou a vida das populações civis dos países envolvidos. A economia dos países em guerra se transformou profundamente durante o conflito. Entre 20% e 40% da população masculina adulta foi recrutada para servir nas Forças Armadas. Mulheres e crianças compensaram a falta de mão-de-obra nas fábricas e no campo. As fábricas se dedicaram quase que exclusivamente à produção de armas e equipamentos militares. As vias de comunicação - estradas e ferrovias - serviam prioritariamente aos exércitos locais ou inimigos. Em alguns lugares, foi adotado o trabalho obrigatório nas indústrias de material bélico. O entusiasmo inicial, devido em grande parte à propaganda, transformou-se em desencanto e desespero. Deserções, motins, greves e protestos tornaram-se rotina. A frase do escritor alemão Erich Maria Remarque exprime bem o momento: “Se não chega a paz, chegará a revolução”. Em 1918, o exército alemão assinou a rendição na cidade francesa de Compiégne. Saldo da Primeira Guerra Mundial: 8 milhões de mortos e 20 milhões de feridos. A Conferência de Paz
Em janeiro de 1919, realizou-se uma reunião para discutir as condições da paz. Os vencedores da guerra não entraram em acordo quanto ao tratamento a ser dado a Alemanha, principal potência derrotada. A França queria aniquilar completamente o poderio alemão. A Inglaterra pretendia manter o “equilíbrio europeu”: pregava a existência de uma Alemanha unida e desarmada. A Itália se fixou na discussões sobre as fronteiras a serem estabelecidas no norte. As condições impostas a Alemanha no pós-guerra foram duras: o país ficou desarmado e a região do Sarre foi ocupada militarmente. Além disso, teve de pagar uma pesada indenização pelos custos da guerra e perdeu todas suas colônias. Cedeu a Alsácia e Lorena para a França. Depois da guerra, a sociedade alemã passou por um longo período de privações e miséria.
Outros desdobramentos dos tratados de paz de foram os seguintes:
- a Polônia voltou a ser um Estado livre, e o porto de Gdansk foi declarado cidade livre; - a Áustria foi dividida. A Hungria tornou-se independente; - os eslavos do sul criaram a Iugoslávia. Os eslavos do norte se agruparam na Tchecoslováquia; - a Turquia perdeu a maior parte de seus territórios para a França e a Inglaterra, restando-lhe apenas o domínio sobre a Ásia Menor; - a Rússia perdeu os países do Báltico - Estônia, Letônia, Lituânia e a Finlândia - , que se tornaram independentes; - em 1919, criou-se a Sociedade das Nações, organismo internacional encarregado de resolver as disputas internacionais e de manter a paz mundial.
Apesar de ser um dos grandes vencedores da guerra, os Estados Unidos optaram por uma política isolacionista no plano internacional. A Sociedade das Nações, idealizada pelo presidente norte-americano Woodrow Wilson, não contou com a participação dos Estados Unidos.
A Revolução Russa
A Revolução Russa de 1917 ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial. O imenso e arcaico império russo n„o suportou o peso de uma guerra moderna. Em 1917, a burguesia russa tomou o poder durante alguns meses. No mesmo ano, o movimento da burguesia cedeu terreno para a primeira revolução socialista da história contemporânea. A Revolução Russa foi a primeira vitória do socialismo revolucionário. A partir de então, a possibilidade de ruptura dos padrões da sociedade burguesa e liberal tornou-se uma realidade no mundo em que vivemos.
O império dos czares
No final do século XIX, a Rússia era o Estado mais extenso da Europa. Mas o império russo abrigava povos e culturas diversas, com graves desequilíbrios sociais, econômicos e políticos. Um dos principais problemas era a concentração de terras nas mãos de poucos proprietários. A reforma de 1861 libertou os servos e distribuiu terras, mas não atingiu os resultados esperados. Poucos camponeses receberam terras em quantidade suficiente. Apenas uma minoria de pequenos e médios proprietários, os kulaks, se beneficiaram. O resto da população do campo era formada por um miserável proletariado rural. O tardio desenvolvimento industrial russo se deu graças à participação de capitais estrangeiros, principalmente ingleses e franceses. Mesmo assim, foi inferior ao das demais potências européias. Em 1877, dos 100 milhões de habitantes russos, apenas um milhão eram operários. Os czares russos governavam o império com mão de ferro. A monarquia russa nunca perdeu seu car·ter autocrático e despótico. Os opositores do regime eram perseguidos por um eficiente aparelho de repressão policial. Nesse clima, surgiram vários grupos de oposição. No final do século XIX, as idéias socialistas chegaram até a Rússia. O Partido Social-Democrata abrigava os socialistas russos - entre eles Vladimir Ilich Ulianov, popularmente conhecido como Lenin. 1905: preâmbulo da Revolução As duras condições de vida e a derrota perante os japoneses, em 1905, refletiram a incapacidade e a corrupção que reinavam na corte do império. A insatisfação popular se manifestou por meio de greves e motins nas principais cidades. Uma poderosa unidade da frota do mar Negro, o encouraçado Potemkin, se juntou aos rebeldes. As autoridades do czar reprimiram violentamente as manifestações populares, e o movimento. de 1905 foi abafado.
Guerra e revolução
A eclosão da Primeira Guerra Mundial demonstrou a incompetência da corte e da aristocracia russa. Durante a guerra, a economia russa desmoronou. Especuladores obtinham grandes lucros, enquanto a maioria da população passava por necessidades. Os soldados russos, mal armados e mal preparados, morriam aos milhares nas frentes de combate. Os operários organizaram greves e muitos soldados começaram a desertar. Os social-democratas participaram ativamente do movimento contra a guerra e o regime. Já naquela altura, o partido estava dividido em duas tendência:
- os bolcheviques (palavra que significa “maioria”), dirigidos por Lenin; - os mencheviques, a “minoria”. Nas primeiras semanas de março de 1917, eclodiu um movimento revolucionário na cidade de Petrogrado (atualmente São Petersburgo). As tropas do exército aderiram à revolução, e até os setores mais moderados da sociedade russa abandonaram o czar. Nessa ocasião, reorganizaram-se os sovietes, conselhos de operários e soldados, surgidos no movimento de 1905.Nicolau II abdicou. Os revolucionários formaram um governo republicano provisório que continha um amplo espectro de tendências políticas, dirigido por Alexandre Kerenski, um dos líderes de um partido chamado Socialista Revolucionário, e ligado ideologicamente aos mencheviques. A burguesia liberal e vários setores da aristocracia apoiaram o novo governo, que iniciou uma série de reformas. Entre elas, destacamos a adoção do sufrágio universal e a convocação de uma Assembléia Constituinte. Enquanto isso, a guerra contra a Alemanha continuava. A crise criada pela guerra e a variada composição do governo revolucionário não permitiram que os grandes problemas econômicos que afetavam a população russa fossem solucionados. O governo soviético Embora os sovietes continuassem a funcionar, o governo provisório tornou-se cada vez mais impopular. Nesse quadro, Lenin ganhou expressão. Pregava a paz com a Alemanha e a saída da Rússia da guerra, a distribuição de terras aos camponeses e o fortalecimento dos sovietes. Os bolcheviques tornaram-se mais numerosos, chegando a 80 mil militantes. Ganharam mais expressão nos sovietes, nas fábricas e na marinha. Lênin pregava: “Todo o poder aos sovietes”. Sua meta era a adoção da ditadura do proletariado para realizar a revolução socialista na Rússia e alcançar a paz. A timidez da política social do novo governo propiciou o avanço dos bolcheviques. Em julho, várias sublevações e protestos atingiram as principais cidades russas. Os contra-revolucionários monarquistas tentaram derrubar o governo provisório, mas foram bloqueados pelo movimento popular. Kerenski estava isolado entre a direita contra-revolucionária e a esquerda bolchevista.
A Revolução de Outubro de 1917
A partir da Finlândia, onde se havia exilado, Lênin coordenou os preparativos para aprofundar a revolução. A Guarda Vermelha, uma milícia popular, foi criada para ser o braço armado dos bolcheviques. No dia 25 de outubro, a insurreição popular eclodiu em Petrogrado. Parte da guarnição militar e dos marinheiros da frota do Báltico se juntou aos guardas vermelhos, milícia revolucionária organizada nas fábricas. O movimento dirigido por Lênin contou com a participação de Leon Trotski e Josef Stalin. A Revolução de Outubro triunfou: os bolcheviques derrubaram o governo de Kerenski e efetivaram o poder dos sovietes dirigidos pelo partido bolchevista, desde então chamado de comunista. O novo governo, presidido por Lenin, adotou uma série de reformas radicais, baseadas no marxismo e executadas por meio da ditadura dos sovietes. Os objetivos dos comunistas n„o eram apenas derrubar o governo provisório: eles criaram uma nova sociedade, baseada no socialismo. As terras da aristocracia e da Igreja foram confiscadas. A propriedade privada dos meios de produção (terras, minas, fábricas) foi abolida. O comércio exterior e o sistema financeiro ficaram sob o controle do Estado.
Em março de 1918, o governo soviético assinou a Paz de Brest-Litovsk com a Alemanha. Por causa da inferioridade militar russa e do surgimento de movimentos nacionalistas em diversos territórios, a Rússia perdeu a Polônia, a Finlândia, os países bálticos e a Ucrânia.
Conseqüências da Revolução Russa
Ao tomar o poder, os bolcheviques assinaram a paz com a Alemanha. A nacionalização de terras e fábricas administradas pelos operários constituiu a grande novidade introduzida pela revolução. Inicialmente, entretanto, o sistema adotado pela revolução não apresentou bons resultados. A fome e a miséria continuavam atormentando a população russa. As potências estrangeiras tentavam desestabilizar o regime soviético, considerando seu exemplo uma ameaça para a sociedade capitalista.
As conseqüências da revolução foram: - a criação do primeiro Estado socialista, baseado nas doutrinas de Marx e Lenin; - a independência da Polônia, da Finlândia e dos países bálticos; - a Rússia se afastou das pertencias européias, permitindo que a Alemanha concentrasse seus esforços bélicos na frente ocidental; - a revolução repercutiu profundamente no plano internacional: a União Soviética se tornou o foco dos movimentos revolucionários comunistas na Europa; - a partir de então, ficou nítida a diferença entre os socialistas e os comunistas.
A guerra civil
A guerra civil entre os bolcheviques e os brancos - antigos monarquistas e outros setores que haviam sido derrotados na Revolução de Outubro - aprofundou ainda mais a revolução. Os kulaks, médios proprietários, foram acusados de trair a revolução. O governo central de Moscou enviou brigadas de operários ao campo para apoiar o movimento camponês contra os kulaks. A execução de kulaks e a morte de militantes bolcheviques nos conflitos com os exércitos de russos brancos caracterizaram a guerra civil. As potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial, alarmadas pelas medidas tomadas pelo governo soviético, prestaram auxílio militar aos brancos. Forças japonesas, francesas e inglesas ajudaram os contra-revolucionários. Apesar do auxílio estrangeiro, o governo de Lenin triunfou sobre seus inimigos internos e consolidou a revolução comunista no antigo império dos czares. Politicamente, o novo regime proclamou a nova ordem social na constituição de 1918. A Constituição soviética contém uma declaração de direitos do “povo explorado e trabalhador”.
Cronologia
1861 - Reforma liberta os servos e distribui terras. 1877 - Dos 100 milhões de habitantes russos, apenas um milhão eram operários. 1905 - Derrota russa perante os japoneses, greves e motins nas principais cidades. Uma poderosa unidade da frota do mar Negro, o encouraçado Potemkin, se junta aos rebeldes. As autoridades do czar reprimem violentamente as manifestações populares. Março de 1917 - Eclode um movimento revolucionário na cidade de Petrogrado (atual S„o Petersburgo). Julho de 1917 - V·rias sublevações e protestos atingem as principais cidades russas. 25 de outubro de 1917 - A insurreição popular eclode em Petrogrado. Março de 1918 - O governo soviético assina a Paz de Brest-Litovsk com a Alemanha. 1918 - O novo regime proclama a nova ordem social em uma Constituição.
Período Entre guerras
As ambições imperialistas da Alemanha, da Itália e do Japão resultaram na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A situação criada pelo pós-guerra nos países vencidos favoreceu a escalada de regimes militaristas expansionistas que lutaram contra o capitalismo e contra o comunismo. Na Itália surgiu o fascismo, liderado por Benito Mussolini. Na Alemanha surgiu o nazismo, liderado por Adolf Hitler. O nazifascismo surgiu como resposta ao “perigo vermelho” comunista, estimulado pela União Soviética, e também à instabilidade do capitalismo liberal. Aproveitando a fragilidade da Sociedade das Nações, o governo militarista do Japão iniciou a conquista da China e a expansão na Ásia.
O militarismo japonês na Ásia
A partir de 1931, um partido militarista, decidido a impor a hegemonia do Japão na Ásia, assumiu o governo do império japonês. Sob a direção do imperador Hiroíto, o Japão empreendeu a expansão colonialista na Ásia. Aproveitando a fragilidade da China, que enfrentava uma guerra civil entre comunistas e nacionalistas, as tropas japonesas ocuparam a Manchúria.
O período entreguerras: os nacionalismos totalitários
A Sociedade das Nações condenou a ação japonesa. O governo de Tóquio saiu da Sociedade em 1933. Esta não teve meios para resolver a situação. A partir desse momento, o Japão desenvolveu uma importante indústria de armas. Em 1935, tomou uma parte da Mongólia e iniciou uma política de aproximação com a Alemanha e a Itália. Assinou com a Alemanha um pacto Anticomunista em 1936. Em 1937, empreendeu abertamente a conquista da China, por meio de uma longa guerra que só terminou em 1945.
O fascismo italiano
A Itália ficou insatisfeita com os resultados da Primeira Guerra Mundial, pois não recebeu as colônias que esperava. Esse sentimento, somado ao empobrecimento do pós-guerra, criou um profundo mal-estar social. As idéias marxistas encontraram ampla difusão. Ao mesmo tempo, surgiu um movimento nacionalista, liderado por Benito Mussolini, fundador do Partido Fascista em 1919. Mussolini formulou a teoria do Estado totalitário, senhor de todos os direitos. O totalitarismo fascista era Antiliberal e antidemocrático. Segundo a teoria fascista, Tudo deveria estar submetido à autoridade do Estado. A ditadura do Estado era exercida pela burguesia, reunida. em corporações.
A Marcha sobre Roma
O movimento fascista se espalhou pela Itália, provocando revoltas e conflitos armados entre fascistas e seus opositores, chamados de “comunistas”. Em 1922, disposto a tomar o governo pela força, Mussolini empreendeu a famosa Marcha sobre Roma. Junto com seus partidários - os camisas negras, tropas de choque organizadas militarmente - , tomou o poder do rei Vitor Emanuel III. A partir desse momento, estabeleceu a ditadura fascista. Todo o poder estava nas mãos do chefe de governo. Este era assessorado pelo Grande Conselho Fascista, composto pelos trinta membros mais antigos do partido. A Câmara das Corporações elaborava as leis e cuidava da policia secreta, encarregada de perseguir os opositores. Os fascistas se opunham ao conceito marxista de luta de classes: pregavam a união dos trabalhadores com os capitalistas sob a direção do Estado. O governo fascista pretendia que a Itália se transformasse numa potencia industrial e militar. Para realizar esse projeto, o governo:
· desenvolveu a indústria pesada; · introduziu a mecanização no campo e ganhou novas terras aráveis por meio da drenagem de pântanos; Benito Mussolini · construiu estradas, usinas, ferrovias; · apoiou uma educação que deveria servir à formação da juventude segundo os critérios fascistas; · criou a Carta do Trabalho, que regulamentou a legislação trabalhista; · criou um exercito e uma marinha de guerra poderosos. Em pouco tempo, a Itália fascista retomou sua expansão imperialista.
Em 1934, tropas italianas invadiram a Abissínia. A Sociedade das Nações protestou, mas nada aconteceu. Como resposta, Mussolini abandonou a Sociedade e se aproximou de Hitler. Ambos formalizaram uma aliança – o eixo Roma- Berlim.
A ascensão do nazismo na Alemanha
Meses depois do fim da Primeira Guerra Mundial, os social-democratas Alemães assumiram o governo e proclamaram a República de Weimar. As condições impostas pelos vencedores da guerra sobre a Alemanha eram muito duras. A Alemanha pagava uma pesada divida de guerra aos países vencedores. Além disso, havia perdido muitos homens no conflito e se ressentia da falta de mão-de-obra. A miséria provocou o descontentamento generalizado. A crise de 1929 agravou a situação, pois a Alemanha dependia de créditos norte-americanos para saldar seus compromissos internacionais. Desempregados, ex combatentes e milhares de pessoas arruinadas pela crise econômica foram atraídos pelo Partido Nacional Socialista, cuja principal figura era Adolf Hitler Hitler. O nazismo era muito semelhante ao fascismo italiano. Os nazistas acreditavam num Estado autoritário dirigido por um chefe, predestinado para guiar a nação. Hitler incorporou ao nazismo um elemento novo: a idéia de raça. Para ele, a raça germânica era superior às demais, predestinada a dominar o mundo. Além disso, os nazistas desenvolveram a idéia do espaço vital: acreditavam que as nações que não se expandiam eram decadentes. Os nazistas desejavam recuperar os territórios perdidos em 1919 e ocupar as planícies russas. Os russos, eslavos, eram considerados inferiores. A eliminação ou até o extermínio de populações consideradas de “raças inferiores” eram plenamente justificados pelos nazistas. Em 1932, o marechal Hindenburg foi eleito presidente da República. Naquela Eleição, nenhum partido obteve maioria no Parlamento. Em 1933, após sucessivas Negociações, Hitler foi indicado chanceler. Apesar disso, a República de Weimar possibilitou o desenvolvimento de uma cultura própria, cuja expressão máxima foi a Bauhaus, escola idealizada pelo arquiteto Walter Gropius. Os ideais da Bauhaus ainda estão presentes em muitos artefatos que utilizamos no nosso cotidiano. De certa forma, a Bauhaus procurava reproduzir, de outra forma e com outros elementos, os princípios de experimentação artística do Renascimento. A arte era uma totalidade, inseparável da vida cotidiana.
A escalada do líder nazista foi fulminante:
· em fevereiro de 1933, usando como pretexto o incêndio do edifício do Reichstag (o Parlamento), desatou uma feroz perseguição aos esquerdistas; · em março de 1933, após a suspeição dos deputados da oposição, o Reichstag deu plenos poderes a Hitler. Aos poucos, ele suprimiu todos os partidos políticos; · em 1934, Hindenburg morreu. Hitler assumiu poderes ilimitados, junto com o título de Fhrerhrer, palavra que significa “líder”. As tropas juraram obediência e adesão incondicional à sua pessoa. A propaganda maciça, coordenada por Paul Josef Goebbels, e a policia secreta, a Gestapo, controlavam todos os aspectos da vida alemã. Os professores judeus ou opositores ao regime foram perseguidos, e os livros de autores considerados “perigosos” foram queimados em praça pública. Os nazistas criaram campos de concentração para prender os inimigos do regime. Os sindicatos foram suprimidos. Em seu lugar criou-se a Frente do Trabalho, que reunia patrões e trabalhadores. A economia nazista era dirigida e planificada pelo Estado, inclusive a indústria e o comércio. A construção de obras públicas ajudou a diminuir o desemprego. A educação popular foi assumida pelo Estado. As crianças eram criadas fora de casa e aprendiam as teorias nazistas da superioridade racial germânica. O cristianismo foi substituído pelo culto da raça. Em 1935, Hitler restabeleceu o serviço militar obrigatório. A Alemanha reiniciava sua escalada armamentista. A militarização e o rearmamento criaram um dos exércitos mais potentes do mundo. Em pouco tempo, a marinha e a aviação alemãs contavam com equipamentos superiores aos dos países capitalistas. A intervenção na Guerra Civil Espanhola serviu para testar os equipamentos bélicos do eixo Roma-Berlim contra os exércitos democráticos. A Guerra Civil Espanhola
A Espanha havia sido mais uma vítima da crise internacional do período entreguerras. Em 1923, o general Primo de Rivera tomou o poder com um golpe militar, animado pelo triunfo fascista de Mussolini, e iniciou a expansão espanhola no norte da África. Fundou a Falange Espanhola, partido de tendência similar ao fascismo italiano. Apesar disso, faltou-lhe apoio popular. Em 1931, as eleições deram o poder aos socialistas republicanos, que inauguraram a Segunda República espanhola. A vitória dos republicanos não pacificou o pb. Continuaram as disputas entre os socialistas e a Falange, os nacionalistas de direita. Os socialistas criaram a Frente Popular, agrupando os democratas de todas as tendências contra a Falange. A situação era caótica: fábricas eram ocupadas, igrejas queimadas e políticos eram assassinados. As eleições de 1936 deram o triunfo à Frente Popular. Imediatamente, as tropas espanholas do Marrocos, sob o comando do general Francisco Franco, se sublevaram contra a República e começava a Guerra Civil Espanhola, prenúncio da Segunda Guerra Mundial. O governo republicano contou com o apoio dos partidos liberais e de esquerda, dos sindicatos e de algumas forças militares. Organizou milícias populares, carentes de disciplina e de armas adequadas. Também contou com apoio da esquerda internacional. A União soviética mandou armas e assessores técnicos. Milhares de voluntários de vários países - França, Inglaterra, Estados Unidos, até mesmo alguns brasileiros - participaram do conflito. Os nacionalistas de Franco receberam apoio da maioria do exército e das milícias organizadas pelos partidos monarquistas e pela Falange. A alta hierarquia da Igreja aderiu abertamente aos rebeldes nacionalistas da direita. Franco recebeu apoio militar da Alemanha e da Itália. Mussolini entregou à Falange grande quantidade de armas modernas e enviou cerca de 60 mil soldados italianos. Os alem„es enviaram a Legião Condor, formada por uma esquadra aérea e tanques. A Guerra Civil Espanhola foi o laboratório de ensaio das armas que foram utilizadas, depois, na Segunda Guerra Mundial. A superioridade bélica da Falange garantiu a derrota dos republicanos. Em 1939, os exércitos nacionalistas tomaram o poder. Francisco Franco, o generalíssimo, assumiu o governo e instalou uma ditadura que durou mais de trinta anos. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Espanha manteve a neutralidade, embora apoiasse o eixo Roma-Berlim. Mais de 700 mil espanhóis morreram durante a guerra civil. Outros 500 mil emigraram, após a Victoria de Franco, para escapar da perseguição dos vencedores.
O expansionismo alemão
O governo de Hitler incitou o expansionismo e a anulação do Tratado de Versalhes, a devolução de suas colônias e a restituição dos territórios perdidos, especialmente aqueles que eram habitados por germanos. Em 1936, selou uma aliança com Mussolini, criando o eixo Roma-Berlim Berlim. No mesmo ano, ocupou a Romênia militarmente, contrariando as disposições do Tratado de Versalhes. Em 1938, invadiu a Áustria, iniciando o projeto de formação da Grande Alemanha. No mesmo ano, Hitler exigiu que a Tchecoslováquia entregasse a região dos Sudetos, ocupada por alemães. As potenciais européias cederam aos anseios de Hitler e sacrificaram os tchecos. Em 1939 foi a vez da Polônia. Hitler invadiu seu território, exigindo a devolução do Corredor de Gdansk. A França e a Inglaterra declararam guerra à Alemanha. Era o início da Segunda Guerra Mundial.
A Segunda Guerra Mundial
A Segunda Guerra Mundial eclodiu com a invasão da Polônia pela Alemanha, em setembro de 1939. A Europa já estava preparada para o pior. O medo do comunismo fez com que as pertencias capitalistas permitissem o fortalecimento da Alemanha para bloquear o avanço da revolução comunista. Logo no início da guerra, o alinhamento dos grandes blocos ficou claro. Em 1940, o Japão se juntou à Alemanha e á Itália para formar o eixo Roma-Berlim-Tóquio.
A guerra na Europa
Incentivado pelos seus Êxitos e pela passividade de seus adversários, Hitler atacou a Polônia no dia 1.º de setembro de 1939. A assinatura do pacto de não-agressão com a União soviética de Stalin deu-lhe ainda mais tranqüilidade. A França e a Inglaterra imediatamente declararam guerra à Alemanha. A Itália permaneceu fora do conflito. Mussolini anunciou ao Fuhrer que suas forças ainda não estavam preparadas para uma guerra. A superioridade numérica e técnica dos exércitos alemães desencadeou uma guerra-relâmpago contra a Polônia, que foi derrotada rapidamente. O Terceiro Reich anexou parte dos territórios poloneses e instalou um governo geral que submeteu a população a uma política de germanização. Durante a invasão da Polônia, a União soviética aproveitou a oportunidade para recuperar os territórios perdidos durante a Primeira Guerra Mundial: ocupou os países bálticos e avançou sobre a Finlândia em 1940.
A vitória alemã na frente ocidental
O exército alemão era nitidamente superior ao francês, sobretudo na aviação, mas sua marinha era inferior à dos adversários. A Alemanha dependia do aço sueco, transportado pelos portos noruegueses. Em abril de 1940, Hitler invadiu a Dinamarca e a Noruega. Em maio de 1940, os alemães iniciaram a ofensiva na frente ocidental, violando a neutralidade da Holanda, da Bélgica e de Luxemburgo. Tropas inglesas e francesas participaram da grande ofensiva das Ardenas. Derrotados, os exércitos aliados escaparam pelo porto de Dunquerque.
A Segunda Guerra Mundial
A França foi invadida logo depois. Em junho, Mussolini entrou na guerra contra a França e a Inglaterra. O governo do marechal Pétain se rendeu aos alemães. A Alemanha ocupou toda a costa atlântica e o norte da França. No sul, território considerado “livre”, os franceses estabeleceram um governo colaboracionista presidido pelo marechal Pétain, com capital em Vichy. De Londres, o general Charles de Gaulle comandou o movimento França Livre, de resistência à ocupação alemã.
A batalha da Inglaterra
Hitler esperava chegar a um acordo com a Inglaterra. O gabinete inglês, presidido por Winston Churchill, pretendia resistir ao expansionismo alemão. Protegida pelo mar do Norte e pelo canal da Mancha, confiando na sua poderosa frota e com o auxílio dos Estados Unidos, a Inglaterra se preparou para resistir ao ataque inimigo. A invasão da Inglaterra dependia do domínio do espaço aéreo. Durante a batalha da Inglaterra, as forças aéreas dos dois países se enfrentaram duramente. Os ataques ocorreram entre julho e setembro de 1940, com intensos bombardeios. Apesar das baixas, os ingleses venceram. O comando alemão desistiu de invadir as ilhas britânicas. Foi a primeira derrota sofrida pelos nazi-fascistas.
A guerra nas outras frentes
Nos Bálcãs, durante a ocupação da França, em 1940, os italianos invadiram a Grécia, com auxílio alemão. A Iugoslávia, a Bulgária e a Romênia foram ocupadas por tropas do Eixo. No Oriente Médio, a Inglaterra sufocou uma rebelião antibritânica no Iraque. Em julho de 1941, tropas inglesas e da França Livre ocuparam a Síria, até então sob o domínio de Vichy. Na África, a luta se desenvolveu na Líbia (posse italiana), no Egito (protetorado inglês), na Somália e na Abissínia, onde os italianos foram derrotados. Eles tentaram invadir o Egito, mas acabaram rechaçados pelos ingleses. Os alemães enviaram reforços. Comandados pelo general Rommel, evitaram que os italianos fossem totalmente derrotados na África.
A batalha do Atlântico
Hitler não tinha condições de enfrentar a poderosa frota inglesa em pé de igualdade. As ofensivas alemãs se concentraram no ataque ao comércio dos inimigos ou a navios de guerra isolados, utilizando submarinos. A guerra dependia da batalha do Atlântico. Nessa batalha, houve poucos combates navais de superfície. Surgiram novas armas contra os submarinos: radares, sonares e bombas de profundidade.
1941: o mundo em guerra
Até meados de 1941, a Inglaterra e seu império enfrentaram a Alemanha e a It·lia, que haviam ocupado a maior parte da Europa ocidental e a região dos Bálcãs. Em 1941, o conflito que até então era limitado se transformou numa verdadeira guerra mundial. A invasão da União Soviética Para Hitler, o acordo de não-agressão com os soviéticos era um pacto temporário. No final de 1940, as duas potencias começaram a se distanciar. O Fuhrer preparou, em segredo, um ataque à União soviética. Stalin, do seu lado, procurou ganhar tempo para reforçar seus exércitos.
Os motivos que desencadearam a invasão da União Soviética foram os seguintes: - a Alemanha ambicionava vastos territórios soviéticos, ricos em petróleo, cereais e outras matérias-primas; - após o fracasso alemão na Inglaterra, Hitler procurou garantir a hegemonia do Terceiro Reich no continente europeu. Hitler e seus chefes militares subestimaram a capacidade defensiva da União Soviética. Os alemães enviaram cerca de 3 milhões de soldados Contra as fronteiras soviéticas em junho de 1941. As maiores batalhas terrestres da guerra foram travadas na União Soviética: os alemães avançaram rumo a Leningrado e a Moscou, no norte, e em direção à Ucrânia e ao mar Negro, no sul. Os soviéticos resistiram heroicamente. Para evitar que suprimentos caíssem nas mãos dos inimigos alemães, queimavam tudo aquilo que lhes poderia ser útil - o mesmo recurso adotado durante a invasão de Napoleão, mais de um século antes. Apesar disso, em 1942 os alemães haviam cercado Leningrado, estavam perto de Moscou e avançavam em direção ao Cáucaso, no sul.
Pearl Harbor: a guerra no pacífico
Durante os primeiros anos da guerra, os Estados Unidos mantiveram uma política isolacionista. Apesar disso, forneciam armas à Inglaterra e à União Soviética. Por outro lado, o Japão continuava empreendendo a conquista da China. Em julho de 1941, com apoio da Alemanha, conseguiu que o governo de Vichy permitisse a presença de tropas japonesas na Indochina. Seu objetivo era formar um grande império asiático, conquistando regiões ricas em matérias-primas - sobretudo petróleo e borracha - necessárias para manter sua máquina de guerra. Os Estados Unidos pressionaram o governo japonês a retirar suas tropas da China e da Indochina. As negociações diplomáticas fracassaram, e o governo norte-americano proibiu a venda de matérias-primas para o Japão. Em Tóquio, o partido militarista, incentivado pelas vitórias do Eixo, decidiu entrar na guerra. Em 7 de dezembro de 1941, a aviação japonesa atacou a frota norte-americana do pacífico, ancorada em Pearl Harbor, no Havaí. Ao mesmo tempo, os japoneses iniciaram uma ofensiva contra as colônias holandesas e inglesas na Oceania e no sudeste asiático, e atacaram as Filipinas.
A Grande Aliança
O Japão havia desencadeado a guerra contra os Estados Unidos e a Inglaterra. Logo após o ataque japonês a Pearl Harbor, a Alemanha e a Itália se declararam em guerra contra os Estados Unidos. Constituiu-se então a Grande Aliança, formada pelos Estados Unidos, pela Inglaterra e pela União soviética (embora esta só acabasse entrando na guerra contra o Japão em 1945). A estratégia adotada pelos aliados foi estabelecida em uma série de encontros e reuniões entre os três principais líderes dessas pertencias: Roosevelt, Churchill e Stalin. Em agosto de 1941, Roosevelt e Churchill assinaram a Carta do Atlântico, visando à manutenção da democracia após a derrota dos nazi-fascistas. Em dezembro de 1943 e em fevereiro de 1945, os três líderes reuniram-se para estabelecer as bases da reorganização mundial no pós-guerra.
O início da contra-ofensiva aliada
Em 1942 e 1943, os aliados começaram a vencer uma série de batalhas, detendo o avanço do Eixo: - os Estados Unidos detiveram o avanço japonês no pacífico. Em agosto de 1942, os norte-americanos iniciaram a conquista de Guadalcanal, finalizada no início de 1943; - em outubro e novembro de 1942, o general Rommel foi derrotado pelo exército britânico comandado pelo general Montgomery em El Alamein. Uma expedição anglo-americana desembarcou na Argélia e no Marrocos, obtendo o apoio das colônias francesas. Presos entre dois exércitos aliados, 250 mil soldados alemães se renderam em Túnis, em maio de 1943.
A guerra na África chegava ao fim;
- a gigantesca batalha de Stalingrado, na União soviética, em fevereiro de 1943, terminou com a derrota total dos alemães. Em julho de 1943, tropas anglo-americanas iniciaram a conquista da Sicília.
A derrota final do Eixo (1943-1945)
Pouco tempo depois do início da invasão da Itália, o governo italiano capitulou. Os alemães se voltaram contra seus antigos aliados, libertaram Mussolini e tomaram Roma. Apesar disso, os exércitos aliados entraram em Roma em junho de 1944. A luta continuou até abril do ano seguinte no norte da Itália. Vendo-se derrotado, Mussolini tentou fugir para a Suíça, mas foi capturado e executado por guerrilheiros italianos que lutavam contra o fascismo.
O fim do Terceiro Reich
Durante 1943, os soviéticos realizaram várias ofensivas na frente oriental. Em 1944, expulsaram os alemães da União Soviética e penetraram nos países bálticos e na Polônia. As forças soviéticas avançaram na Romênia e na Bulgária e entraram em contato com as guerrilhas do marechal Tito, que haviam libertado grande parte da Iugoslávia. Os ingleses e norte-americanos iniciaram uma ofensiva na frente ocidental, forçando o retrocesso das tropas alemãs. Em junho de 1944, os exércitos aliados, comandados pelo general norte-americano Dwight Eisenhower, iniciaram a libertação da França. No final de agosto, forças da Resistência libertaram Paris. O general De Gaulle instalou um governo provisório na França. Os aliados avançavam em direção a Berlim, que foi sitiada pelos soviéticos. No dia 30 de abril de 1945, quando as tropas aliadas estavam a poucos metros da sede da Chancelaria, Hitler suicidou-se. A Alemanha apresentou sua rendição incondicional aos aliados.
Tropas soviéticas tomam Berlim.
A rendição do Japão Entre 1943 e 1944, após uma série de batalhas navais e terrestres, os norte-americanos conseguiram impor sua superioridade naval no pacífico. Comandados pelo general Douglas MacArthur, conquistaram muitas ilhas e recuperaram as Filipinas. Apesar disso, os japoneses continuavam resistindo: utilizavam pilotos suicidas, kamikazes, que atiravam seus aviões carregados de explosivos contra navios inimigos. Para acabar com a resistência japonesa, o presidente dos Estados Unidos decidiu usar uma arma nova: a bomba atômica. Nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, dois aviões norte-americanos lançaram bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, causando milhares de mortos e feridos. No dia 2 de setembro, o governo japonês capitulou. A Segunda Guerra Mundial chegava ao fim.
Conseqüências da Segunda Guerra Mundial
Durante a Segunda Guerra Mundial, morreram mais de 50 milhôes de pessoas, ou seja, quatro vezes mais gente do que na Primeira Guerra Mundial. Hitler e Mussolini morreram; o Japão sofreu os horrores da mais potente arma de destruição criada até então pelo homem. Vastas regiões da Europa, da África e da Ásia foram arrasadas pela ação militar. Populações foram sistematicamente assassinadas. O Julgamento de Nuremberg, realizado em 1945 e 1946, revelou todos os detalhes dos procedimentos terríveis utilizados pelos nazistas nos campos de concentração: o assassinato de judeus, principalmente, e de ciganos, comunistas e oposicionistas. As grandes potencias vencedoras reorganizaram o mapa político conforme seus interesses e os resultados da guerra: - a Alemanha abandonou suas conquistas e foi dividida em quatro zonas de ocupação. A União soviética ocupou a parte oriental do país; os Estados Unidos, a Inglaterra e a França ocuparam a parte ocidental. Berlim, incluída na zona soviética, foi dividida entre os quatro aliados; - a Itália abandonou suas colônias e cedeu algumas regiões para a Iugoslávia. A monarquia italiana foi substituída por um regime republicano; - o Japão abandonou suas conquistas e permaneceu temporariamente sob ocupação militar aliada. O regime imperial de Hiroíto subsistiu.
A guerra fria
Depois da Segunda Guerra Mundial, a Europa perdeu a hegemonia mundial. Duas novas pertencias passaram a disputar a Supremacia econômica e militar mundial, iniciando o confronto entre duas formas de vida radicalmente opostas: os Estados Unidos e a União soviética. A disputa entre as duas superpotências resultou na formação de dois blocos . A guerra fria entre o mundo capitalista e o mundo comunista dominou o cenário internacional do pós-guerra. A corrida armamentista desencadeada pelas tenções da guerra fria colocou o mundo no limiar da destruição total.
A nova ordem mundial do pós-guerra: a ONU
O saldo da Segunda Guerra Mundial foi devastador: 55 milhões de mortos, 35 milhões de feridos e 3 milhões de desaparecidos. A utilização da energia nuclear na fabricação de bombas mudou completamente o equilíbrio político do pós-guerra. A existência de bombas nucleares colocava em risco o planeta. Inicialmente, apenas os Estados Unidos controlavam esse tipo de arma. A União Soviética fabricou sua primeira bomba nuclear em 1949; a Inglaterra, em 1952, e a China, em 1964. Logo após a guerra, as principais potências vencedoras se reuniram na conferencia de São Francisco para criar uma organização que evitasse um novo conflito mundial. No dia 24 de outubro de 1945 foi criada a Organização das Nações Unidas.
Os principais objetivos da ONU eram:
- a manutenção da paz mundial; - a defesa dos direitos do homem; - a igualdade de direitos para todos os povos; - a solução dos problemas que afligem a humanidade.
A ONU desempenhou um papel importante na descolonização dos países da África e da Ásia. A extinção gradativa dos impérios coloniais europeus resultou na formação de novos Estados, que passaram a integrar a ONU.
O mundo do pós-guerra
A rivalidade entre os Estados Unidos e a União soviética colocou a ação da ONU num plano secundário. A maior parte dos conflitos surgidos no pós-guerra foram resolvidos por enfrentamentos armados. O avanço do socialismo: a Revolução na China No final da Segunda Guerra Mundial, os chineses estavam divididos em dois grupos, que eram rivais desde antes da guerra com o Japão.
- Os nacionalistas, liderados por Chiang Kai-shek, recebiam apoio da burguesia chinesa e contavam com auxílio dos Estados Unidos. - Os comunistas, liderados por Mao Tse-tung e Chu En-lai lai, defendiam a reforma agrária e o socialismo, apoiados pela União soviética. Em 1947 eclodiu a guerra entre nacionalistas e comunistas chineses. Os comunistas obtiveram o apoio maciço dos camponeses. Muitos nacionalistas aderiram ao exercito vermelho de Mao Tse-tung. Apesar do apoio norte-americano, Chiang Kai-shek perdeu terreno rapidamente. No dia 1º de outubro de 1949, Mao proclamou a República Popular da China em Pequim. Chiang Kai-shek, protegido pela frota norte-americana, se refugiou na ilha de Formosa. A partir de então, a China Popular rompeu relações com os Estados Unidos e alinhou-se à União soviética. Até a década de 1970, a cadeira de representação da China na ONU coube ao governo de Formosa. Em 1972, o governo norte-americano reatou relações com a China Popular. A República Popular substituiu a China Nacionalista na ONU. O Japão e vários outros aliados dos Estados Unidos também reataram relações com a China continental.
A guerra fria
Logo após a guerra, iniciou-se uma nova disputa imperialista entre as superpotências vencedoras. Os dois blocos rivais nunca se enfrentaram diretamente, mas a tensão provocada no final da guerra por causa do problema das fronteiras da Polônia e a crise em torno do bloqueio do lado capitalista da cidade de Berlim, em 1948, iniciou a guerra fria. Nessa guerra, ambas as superpotências adotaram uma postura intransigente. A União soviética impôs sua hegemonia sobre os países do Leste europeu, que havia libertado da dominação nazista. Governos pró-soviéticos foram estabelecidos na Hungria, Tchecoslováquia, Romênia, Bulgária, Albânia e Alemanha Oriental. A economia socialista e o regime de partido único predominaram nos países sob hegemonia soviética. Os Estados Unidos assumiram a liderança do mundo capitalista e impuseram sua hegemonia sobre a América Latina, a Europa capitalista e o Japão. A economia capitalista e o liberalismo político eram suas principais características. Apesar disso, muitos países integrantes do bloco capitalista eram dirigidos por ditaduras (América Latina, Espanha e Portugal) e outros ainda apresentavam fortes matizes socialistas em suas economias (Suécia, Noruega).
Esses dois blocos formaram alianças militares: - OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) reuniu os aliados dos Estados Unidos. - Pacto de Varsóvia reuniu os países sob influencia soviética.
As potencias procuraram manter a hegemonia sobre suas áreas de influencia a qualquer custo. Isso motivou a intervenção de tropas soviéticas na Hungria, em 1956, e na Tchecoslováquia, em 1968, quando esses países tentaram se afastar da tutela soviética. O governo norte-americano interveio na China, na Coréia e no Vietnã, procurando manter sua hegemonia.
Os não-alinhados
Muitos países adotaram uma posição de neutralidade guerra fria entre as duas superpotências. Na conferencia de Bandung, em 1955, um grupo de países afro-asiáticos, liderados pela Índia, formaram o bloco dos países não-alinhados, também conhecido como Terceiro Mundo. Os países não-alinhados pretendiam manter uma postura política e econômica independente dos blocos das superpotências. A expressão Terceiro Mundo foi adotada para designar os países pobres, ou subdesenvolvidos, da Ásia, África e América Latina, que lutavam para se libertar da dominação colonial européia. Na ONU, o bloco do Terceiro Mundo foi formado por países coloniais ou de passado colonial. O principal objetivo dos países do Terceiro Mundo foi a emancipação econômica, política, social e cultural.
Os principais conflitos do pós-guerra
A guerra fria desencadeou uma nova e custosa corrida armamentista entre as superpotências. O poder destrutivo das armas nucleares, químicas e biológicas, capazes de destruir a humanidade, impediu um confronto direto. Apesar disso, soviéticos e norte-americanos se enfrentaram indiretamente por intermédio de seus aliados em várias regiões.
A Guerra da Coréia (1950-1953)
Até 1945, a península da Coréia esteve sob ocupação japonesa. Após a derrota japonesa, a União soviética ocupou militarmente o norte da península. Enquanto isso, tropas norte-americanas ocuparam o sul. Os governos das superpotências não permitiram a reunificação da península. Em junho de 1950, eclodiu a guerra entre as duas repúblicas coreanas. Os Estados Unidos enviaram tropas para apoiar o sul, e a China Popular, para auxiliar a Coréia do Norte. Após três anos de sangrentos combates, foi assinada uma trégua em Panmunjon, em julho de 1953. O paralelo 38 continua sendo o limite entre os dois Estados coreanos.
A Guerra do Vietnã (1962-1972)
Durante a segunda metade do século XIX, a França dominou toda a região do sudeste asiático, a Indochina. Em 1941, o Japão obrigou o governo de Vichy a aceitar a ocupação japonesa da Indochina. Nessa ocasião, começou a se organizar um movimento emancipador nativo, que visava libertar a Indochina da dominação japonesa e francesa. Após a guerra, a França concedeu à Indochina uma certa autonomia. O Vietnã„, uma das regiões da Indochina, n„o aceitou a tutela francesa. Por intermédio do movimento Viet- Minh, liderado por Ho Chi Minh, desencadeou-se uma guerra de guerrilhas contra os franceses. Em 1954, os franceses foram obrigados a abandonar a Indochina. Uma conferencia realizada em Genebra dividiu o Vietnã„ em duas áreas, separadas pelo paralelo 19. Em 1956, como conseqüência do fracasso da tentativa de reunificação do país, recomeçou a luta no Vietnã„. Os guerrilheiros Vietcongues, braço armado da Frente de Libertação Nacional (FLN), receberam ajuda do Vietnã„ do Norte. A partir de 1962, o governo norte-americano apoiou militarmente o governo do Sul. O governo do Norte recebeu material bélico da China Popular e da União soviética. Procurando defender seu predomínio no sudeste asiático, os Estados Unidos começaram a enviar tropas para o Vietnã„. Em 1963, havia pouco mais de 15 mil soldados norte-americanos na regi„o; em 1967, eram mais de meio milhão. A intervenção militar norte-americana no Vietnã„ causou uma das guerras mais desumanas e caras do nosso tempo. Em 1972, após sofrer duras perdas humanas e materiais, e enfrentando a crescente reação da população norte-americana contra a participação no conflito, os Estados Unidos começaram a retirar suas tropas do Vietnã„. Em 1975, tropas do Vietnan„ do Norte tomaram a capital, Saigon, e reunificaram o país. A tens„o no Oriente Médio Após a Segunda Guerra Mundial, a ONU patrocinou a criação do Estado de Israel na Palestina, em maio de 1948. Imediatamente, os Estados da Liga Árabe, formada pelo Egito, Líbano, Arábia Saudita, Jordânia e Iraque, se negaram a reconhecer a existência do Estado de Israel: eclodiu a guerra entre árabes e israelitas. O exército de Israel conseguiu resistir aos ataques da Liga árabe. Em fevereiro de 1949, a ONU impôs um armistício. Centenas de milhares de judeus de todo o mundo emigraram para o novo Estado de Israel. No final de 1956, numerosos incidentes entre israelitas e árabes resultaram numa nova guerra. Em 1967, apôs um violento ataque a seus vizinhos árabes, Israel ocupou a península do Sinai, a faixa de Gaza e a Cisjordânia. A ONU conseguiu impor um cessar-fogo. A região nunca alcançou uma paz duradoura. Os israelitas tiveram de enfrentar o problema dos árabes palestinos, que haviam sido expulsos de suas terras e viviam como refugiados nos países vizinhos. Os refugiados palestinos mantém, com apoio dos países árabes, uma contínua guerra de guerrilhas e terrorismo contra Israel e seus aliados. A Organização pela Libertação da Palestina (OLP), liderada por Yasser Arafat, constitui um dos principais grupos organizados contra a presença de Israel na região. Vários grupos árabes utilizam o terrorismo, até mesmo em outras partes do mundo, como forma de protesto contra a presença israelense na região.
A Revolução Cubana
A Revolução Cubana constituiu a primeira revolução socialista na América Latina. Em janeiro de 1959, o governo pró-norte-americano de Fulgêncio Batista foi deposto pela guerrilha liderada por Fidel Castro. O movimento revolucionário cubano pretendia acabar com a dominação neocolonialista dos Estados Unidos em Cuba, introduzindo, simultaneamente, mudanças na sociedade. Em 1960, o governo norte-americano retirou seu apoio ao movimento revolucionário cubano. Nesse mesmo ano, Castro introduziu o regime socialista, afastando-se dos Estados Unidos e aproximan-se da União soviética, que forneceu apoio militar à revolução. Nacionalizou as empresas e os bancos, realizou a reforma agrária e instituiu o regime de partido único. A partir de então, a América Latina ingressou na guerra fria. Em 1962, Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos, e a maioria dos países da América Latina foi obrigada a integrar o bloqueio econômico contra Cuba. A União soviética tornou-se a principal parceira econômica de Cuba.
Apesar do isolamento da ilha, o novo regime cubano se consolidou: - aprofundou a reforma agrária; - combateu o analfabetismo; - melhorou as condições de saúde e higiene da população; - aumentou a produção. Cuba passou a defender o internacionalismo socialista, enviando tropas a outras regiões, como Angola, Etiópia e Nicarágua. Nessa última, a revolução socialista triunfou em 1979.
A economia cubana subsistiu graças ao auxílio soviético. O fim da guerra fria e a desintegração da União soviética alteraram profundamente o quadro cubano.
Os Blocos Econômicos
Outra característica do mundo atual é a formação de blocos econômicos, ou comunidades econômicas, visando à integração de mercados. A União Européia (UE), cujo mercado único entrou em vigência em 1992, constitui um desafio para a hegemonia econômica norte-americana. Por outro lado, os Estados Unidos procuram incentivar a formação do mercado americano. México, Canadá e Estados Unidos assinaram tratados de integração econômica para contrabalançar os efeitos da unificação européia. O Nafta, tratado de livre comércio entre os Estados Unidos, Canadá e México, entrou em vigor em janeiro de 1994. Os Estados Unidos enfrentam a concorrência dos mercados europeu e do Japão, que é um de seus maiores parceiros econômicos e principal rival.
O neoliberalismo latino-americano
Desde meados da década de 1980, alguns países latino-americanos vem experimentando mudanças em suas economias: o neoliberalismo, que conta com o patrocínio do Fundo Monetário Internacional (FMI), foi o grande responsável pelo “sucesso” de planos econômicos destinados a estabilizar as economias latino-americanas. A “receita” do sucesso incluiu:
- a renegociação da dívida externa; - a privatização de empresas estatais; - a reforma administrativa do Estado e a redução do quadro de funcionários públicos; - a abertura da economia ao capital estrangeiro.
Em alguns países, como a Venezuela, o México e o Brasil, o anticomunismo do período da guerra fria foi substituído pela luta contra a corrupção. Em 1992, o presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello, teve seu mandato cassado pelo Poder Legislativo depois de comprovada sua participação em quadrilhas e negócios escusos. No ano seguinte, o presidente da Venezuela, Carlos Andrés Perez, também sofreu processo de impedimento pelo Poder Legislativo de seu país, e foi afastado do cargo devido a denúncias de irregularidades e corrupção. A questão da dívida externa, um dos principais entraves ao crescimento econômico na América Latina, aos poucos foi sendo solucionada.Vários países do continente conseguiram romper um círculo vicioso, controlaram a inflação e voltaram a crescer. O custo social das reformas econômicas atingiu as camadas menos favorecidas da população: o desemprego ainda é um dos grandes desafios enfrentados pelos governos latino-americanos. Na maioria dos países, as reformas vieram junto com governos democráticos. A exceção foi o Peru, onde o presidente Fujimori impôs uma nova Constituição e encaminhou reformas após um golpe de Estado apoiado pelos militares. Na Argentina, no Uruguai e no Chile, governos democráticos administram as mudanças na economia de seus países. Apesar do sucesso das reformas econômicas empreendidas pelo presidente Carlos Salinas de Gortari no México, e da entrada em vigor do Tratado de Livre comércio, guerrilheiros tomaram de assalto a província de Chiapas, no sul do México, em janeiro de 1994. Os guerrilheiros do exército Zapatista de Libertação Nacional exigiam a revogação do tratado. No sul do continente americano, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai procuram estimular a formação de um mercado regional, o Mercosul. Mas a estabilidade democrática da América Latina ainda não parece plenamente consolidada. Heranças históricas coloniais autoritárias, aliadas à dependência econômica dos blocos mais fortes do capitalismo internacional, parecem, para muitos analistas, ainda hoje presentes.
Leia um balanço escrito em 1994 tratando dessas questões: Desde os dias dos conquistadores do século XVI até os caudilhos feudais do século XIX, chegando aos generais e suas juntas neste século, a América Latina tem uma longa tradição de homens fortes governando as massas. Agora que todos os países da região, exceto Cuba, anunciaram suas reformas democráticas, o homem forte da América Latina não desapareceu, evoluiu. Um caso clássico pode ser encontrado no México, onde o presidente Carlos Salinas de Gortari, um modernizador político e econômico, apesar de tudo recorreu a medidas severas para reprimir um levante ocorrido em Chiapas, antes de declarar um cessar-fogo unilateral. Autoritarismo consentido tem no Peru e na Argentina, líderes políticos e seus partidos exercem vasto poder, centralizado no Executivo às vezes, de maneira ríspida, como o exemplo do Peru ilustra. O novo tipo de democracia autoritária parece ser aceitável para os povos que eles governam, até o ponto em que fomenta o progresso econômico e assegura a lei e a ordem. O presidente Carlos Saul Menem também teve de ter firmeza ao governar a Argentina à base de decretos nos últimos anos, evitando o Congresso, e ao dominar a Corte Suprema. Mas Menem deu a seus oponentes pouca munição para usar contra si. Sob seu governo, a inflação caiu a seu nível mais baixo em quase trinta anos, e a economia cresceu mais de 7% ao ano desde 1991. Previsivelmente, ele é muito popular. De modo semelhante, o presidente Alberto Fujimori, do Peru, suspendeu o governo constitucional em abril de 1992 para realizar uma dura campanha contra os guerrilheiros do Sendero Luminoso. Os eleitores responderam a isso elegendo um novo Congresso cheio de partidários de Fujimori. Além disso, o investimento estrangeiro está inundando o país. A durabilidade dessa tradição é pouco surpreendente. Com os pobres privados de direitos civis básicos e uma classe média pequena nesses países, a aristocracia e a classe empresarial muitas vezes se voltaram para os militares para enfrentar levantes guerrilheiros ou outras formas de desordem. Em outras ocasiões, populistas como o general Juan Domingo Perón, na Argentina, encontraram grande apelo entre as massas. Agora, com os maiores desafios sendo econômicos, os novos homens fortes estão procurando freqüentemente com apoio militar crucial perpetuar-se no poder. E muitos cidadãos estão inclinados a permitir que eles, no interesse de um trabalho sustentado que refreie a inflação, vendam empresas estatais e atraiam investimento estrangeiro. Menem e Fujimori manobraram para derrubar a proibição constitucional de sua reeleição para um segundo mandato consecutivo.
Cuba: baluarte do socialismo
O regime cubano de Fidel Castro perdeu sua base de sustentação financeira com as reformas ocorridas na Rússia e no Leste europeu. Por causa do fim do auxílio externo, a população cubana enfrenta graves problemas de desabastecimento de alimentos e de energia. Apesar disso, o governo reluta em adotar mudanças em sua economia e no sistema de governo de partido único.
A China, os “tigres asiáticos” e o Japão: novas potências econômicas.
Na China Popular, um dos países mais populosos do mundo (1 bilhão e 170 milhões de habitantes), o governo vem realizando reformas econômicas para a adoção da economia de mercado em vários pontos do país. Apesar disso, a população luta para restabelecer a democracia. A desaceleração das reformas econômicas no final da década de 1980 provocou a reação da população. Em junho de 1989, a sociedade exigiu mudanças políticas: o governo reprimiu os manifestantes com violência. A chamada “primavera de Pequim” terminou com o massacre da praça da Paz Celestial, onde milhares de manifestantes foram mortos e presos pelas tropas do exército Vermelho. Atualmente, a economia da China Popular conta com a participação de investimentos estrangeiros. Em 1991 e 1992, a economia chinesa cresceu 7%, uma das taxas mais altas do mundo. Esse crescimento vertiginoso colocou um fim ao isolamento diplomático da China Popular. Embora exigindo reformas políticas, as pertencias ocidentais estão negociando e realizando investimentos de vulto na China. No sudeste asiático, a Coréia do Sul, Hong Kong, Formosa e Cingapura formam o grupo dos chamados “tigres asiáticos”. Esses países crescem em ritmo acelerado e inundam o Ocidente com seus produtos eletrônicos, automóveis e tecidos. Depois da derrota na Segunda Guerra Mundial, o Japão se recuperou e atualmente é a principal pertencia econômica da Ásia. Contando com aproximadamente 125 milhões de habitantes, o Japão se tornou um dos países mais desenvolvidos do mundo. O sistema de governo adotado, o parlamentarismo monárquico, preservou a figura do imperador. O governo democrático do Japão é uma exceção no sudeste asiático. A maioria dos “tigres” e a própria China são conduzidos por governos totalitários. Na Coréia do Sul, a democracia começa a dar seus primeiros passos.
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